NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck
   Jogando sinuca no salão do Senhor

Bêbado, mesmo, é o cara que diz assim: ‘Se eu tivesse dinheiro pra comer, bebia!’
Cara correto é aquele que come quando tem fome, bebe quando tem sede e deixa de ler um livro sempre que tem oportunidade.
A vida exige uma série de coisas pra gente viver do jeito que se pode.
Os seres humanos se dividem em primitivos e derivados. Você não pode escolher a qual classe pertence.
Chamar alguém de inimigo resume tudo. Não
tente adjetivar.
Quando se cobiça a mulher do próximo é que se vê o quanto ele está longe ela.
Muita gente confunde lar perfeito com casa perfeitamente arrumada.
No frigir dos ovos é que o colesterol aumenta.
Dos dez mandamentos, o que acabou mesmo foi o ‘não’ na frente.
Pobreza é a maior constatação de que o barato sai
caro.
O mundo tem muitos chatos que, ainda por cima, não se contentam com estar na mesma mesa: ainda bebem da minha cerveja.
Amor com amor se esfrega, se atrita, se estrepa
.
A coisa mais destituída de valor que tem hoje é a Constituição.
Nunca nenhum médico me consultou sobre literatura.
Graça pouca é bobagem.
Uma pontinha de alegria pelo sucesso
de alguém é um quarto do iceberg de inveja.
Corrupção é um vírus maligno que só pega nos outros. Principalmente, em desconhecidos.
No princípio era o começo, depois veio o meio e embolou
tudo num sem-fim doido.
O mundo inteiro é um palco. Mas, onde está meu camarim
? E as mil e duzentas toalhas brancas que pedi, junto com onze garrafas de champanhe francês?
O que você pensa é mais importante do que o que você diz? Se for, nem me diga.

Werneck










Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h41
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NOVAS FÁBULAS DO MEU LIVRO:

 

O HOMEM SEM PORTAS E A MULHER SEM JANELAS

 

            Era um dia clássico de Verão, com sol, céu sem nuvens e temperatura alta. A praia fervia de gente. Reinava aquela alegria infantil que toma conta das pessoas diante do mar. Bem, nem todos curtiam.

            O homem sem portas perambulava sozinho por ali, olhava tudo com ar enfastiado e parecia que sua alma o havia abandonado. Até a areia, grudando no corpo, perturbava.

            Debaixo de um guarda-sol muito colorido, a mulher sem janelas estava deitada na esteira. Porém, mesmo exposta aos radiantes raios solares da estação, ela habitava um mundo interior e sombrio.

            O homem sem portas olhava tudo o que acontecia e nada o animava. Até que viu a mulher deitada e seu entusiasmo subiu instintivamente um grau. Nesse momento, a mulher resolveu trocar de posição na esteira. O sol estava muito forte naquela hora. Ela sentou, deu uma leve olhada em volta e encontrou os olhos do homem sem portas.

         Por um momento, o ar estremeceu e duas almas se reconheceram. Mas, foi só isso. Um minuto depois, a mulher sem janelas fez cara de aborrecida, pois conhecia o olhar de um homem sem portas. Aí, virou-se na esteira e deu as costas para o sol e para tudo.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h11
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O CAMELO E A GIRAFA

 

            O camelo saiu para comprar um livro e, enquanto caminhava até a livraria, ia pensando na gratuidade da vida. Ele via centenas de outros habitantes da cidade, todos indo e vindo, preocupados com alguma coisa e, ao mesmo tempo, sem nem olhar para seus semelhantes. O camelo pensava que ele mesmo era um mero acaso na vida e sua presença ou ausência em nada mudaria no andamento da humanidade.

            Nesse momento, ao atravessar a rua, ele viu uma girafa que tentava empurrar uma cadeira de rodas onde estava o idoso pai dela. Uma roda da cadeira havia caído num buraco da calçada. O camelo foi até lá e, quando ia ajudar a empurrar, parou um caminhão e o motorista, pondo a cabeça para fora, perguntou:

            — Ei, camelo, pode me informar como eu faço pra chegar no bairro dos restaurantes?

            O camelo ficou confuso com a situação e preferiu ajudar primeiro o motorista que já escutava buzinadas raivosas dos veículos que estavam atrás. Mal conseguiu explicar direito e ele acelerou o caminhão. Quando se voltou, a girafa já ia adiante, sem olhar para trás.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h09
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            O PORCO-ESPINHO E A RAPOSA

 

            O porco-espinho passeava pelo quintal de sua casa. Ele observava bem contente a laranjeira carregada de frutas – pareciam lâmpadas acesas. A raposa, que passava lá fora, viu as frutas e resolveu pegar algumas. Pé-ante-pé, entrou, mas, antes que pudesse alcançá-las, viu o porco-espinho a pouca distância e falou:

            — Por favor, não me atire seus espinhos, não sou ladra, apenas tenho fome.

            O porco-espinho sorriu e disse:

            — Calma, amigo! É pura lenda a minha fama de atirar espinhos. Isso nunca ficou provado...

            A raposa atalhou:

            — Pois é, minha fama de esperta também não é comprovada. Sou apenas mais um animal da floresta que tem fome e sede, mas não tem o dom de plantar uma árvore tão linda como essa. Aliás, diz a lenda que quem tem árvores frutíferas nunca aproveita e deixa apodrecerem...

            O porco-espinho atalhou:

            — Você, mesmo dizendo que não é esperta, está tentando ser. E muito. E eu, mesmo não atirando espinhos, tenho comigo uma arma carregada para evitar intrusos que dizem que não sei aproveitar o que é meu. Suma daqui!

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h09
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O URUBU E A RATAZANA

 

O urubu refestelava-se com os restos mortais de um gnu que fora abatido por uma leoa. A ratazana que procurava comida para seus filhotes viu a cena e resolveu ir até lá para ver se sobrava alguma coisa. O urubu notou a aproximação dela e logo falou:

         — Queira me desculpar, dona ratazana, mas aqui quem manda sou eu. Cheguei primeiro, estou com muita fome e não tenho intenção de dividir ou deixar restos. Aliás, sou especialista em restos!

         A ratazana se assustou e, quando ia dar meia volta, viu que o leão se aproximava. Ela falou para o urubu:

         — Bem, podemos levar a questão ao nobre leão. Ele pode decidir se tenho ou não tenho direito a uma porção de gnu. Ele ainda não é carniça. É defunto fresco. E, afinal, é de lei que os animais tenham direitos iguais de sobrevivência.

         O leão que chegava esfomeado para ter sua parte – a parte do leão –, na caça da leoa, antes que qualquer um dos contendores pudesse dizer qualquer coisa, rugiu bem alto, fez a sua mais feia cara de insatisfação e espantou os dois para bem longe.

        

Moral: Todos são iguais perante a Lei. Agora, perante os Juízes é outra coisa.

 

 

         O CANO, CONEXÃO E O GRIFO

 

         Era uma noite quente de sexta-feira e o cano estava sozinho num bar temático. Bebia tranquilamente seu uísque quando viu, numa mesa mais ao fundo, o casal grifo e conexão rindo e conversando. Achou a conexão muito bonita e deu umas olhadas insinuantes. Ela, disfarçadamente, retribuía o olhar e sorria. A troca de olhares se tornou logo mais demorada e o cano logo percebeu que o grifo olhava também.

         Lá pelas tantas, já ressabiado, o cano levantou para ir ao banheiro. Qual não foi sua surpresa quando viu, entrando logo atrás, o grifo. Vendo que ele vinha na sua direção, logo falou:

         — Bem, não é o que você está pensando...

O grifo abriu um sorriso e disse:

— Cal-ma, sou um grifo, mas sou fan-tás-tico! Tenho corpo de leão, cabeça de ave de rapina e sou a-la-do, bobinho! Te achei um gato. Podemos curtir, só nós dois, uma noite muito agradável, que tal?

 

Moral: O perigo de se cobiçar a mulher do próximo, hoje, é que o próximo também pode ficar interessado na gente.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h07
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Fábulas das quais não sei a moral

 

 

O URSO E O MACACO

 

Um rico banqueiro morreu em circunstâncias misteriosas e teve que ir, mesmo sob protestos dos advogados, para o IML. O urso foi convocado para fazer a autópsia e o macaco para seu assistente.

O urso pediu os instrumentos cirúrgicos de praxe e foi logo direto ao assunto. Cortou, cortou e cortou. O macaco anotava tudo o que era de importância no caso. O urso foi nomeando o que retirava do estômago do banqueiro:

— Um relógio de ouro e platina, doze talões de cheques, oito empréstimos a juros altíssimos para aposentados e duas coxinhas de galinha.

O macaco parou e se espantou:

— Coxinha de boteco!?

O urso parou, pensou e concluiu:

— É, acho que morreu envenenado por essa comida de pobre.

           

 

O TIGRE E A CORÇA

 

O dia estava muito bonito, os pássaros cantavam, as borboletas voejavam e tudo respirava paz e tranqüilidade.

O tigre saiu para a paisagem e deparou-se com linda corça à beira do regato. Ele não estava com fome, apenas com sede. Porém, sabia que um prato cheio faz a fome. Reparou melhor e viu que a corça mirava-se nas águas e admirava a própria beleza. Apurando os ouvidos, o tigre escutou a canção que ela cantava bem baixinho. Falava de amor e separação, de saudade e reencontro.

O tigre esqueceu a sede e a oferta de comida e ficou ali, bem quieto, curtindo o prazer da cena.

A raposa que passava, deu um risinho e pensou: “Guloso como é, ele está esperando o tal reencontro que a corça espera.”



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h05
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A BALEIA E A SARDINHA

 

Conta-se que no Mar da China, uma baleia conheceu uma sardinha e se apaixonou. Ela, a baleia, passava os dias emitindo sinais sonoros para que a sardinha escutasse e aceitasse seu amor. A sardinha tinha mais o que fazer e não dava ouvidos ao lamento amoroso. Ela vivia num cardume imenso que passava os dias driblando as imensas redes dos pescadores de todas as partes da China. Era fantástico o espetáculo dos peixes que pareciam obedecer a um comando geral para virar à esquerda ou à direita, para voltear e subir, afundar e tornar a subir. O intenso brilho prateado se estendia por quilômetros na água límpida.

A baleia continuou por muito tempo tentando encontrar a sardinha amada. Sem sucesso, dirigiu-se a uma praia do Japão e encalhou. Alguns banhistas tentaram empurrar suas trinta toneladas para o alto mar. Ela não se mexeu.

A sardinha, finalmente capturada por um barco pesqueiro de sorte foi, junto com milhões de outras, devidamente enlatada para consumo na América do Sul.

 

 

O VAGALUME E A CIGARRA

 

A tarde ia caindo e o sol pintava o poente com vivas cores. Do tronco de uma árvore, a cigarra lançava no ar seu estridente grito de protesto pelo fim do dia. Ela adorava o sol, o dia quente, o mormaço. Quem sabe se viveria até o dia seguinte? Já havia cantado a tarde inteira e queria aproveitar o mais que pudesse do dia tão radiante.

Porém, por mais que gritasse, o sol ia se escondendo e o poente ia ficando cada vez mais vermelho, depois menos e menos, até que a noite chegou e cobriu tudo.

Foi aí que apareceu o vagalume voejando por entre as árvores e querendo aproveitar o que pudesse da noite para piscar e piscar.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h04
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DESCOBERTAS E INVENÇÕES MARAVILHOSAS QUE NUNCA VINGARAM

 

  1. Edmundo Pander esteve a milímetros de descobrir um novo vírus, mas não o fez. Em 1958, Pander entrou na sala de um castelo abandonado da Itália onde se realizava gigantesca procriação de um vírus maligno. Ele não tinha nenhum microscópio à mão e, pior, nem o menor conhecimento científico. Era apenas andarilho, dormiu ali e partiu cedo.
  2. Em 1930, Oliver Carpentier estava tentando juntar relógio de ponto com um dos concertos para piano de Beethoven, quando sua mulher entrou em trabalho de parto. Ele largou tudo e chamou a parteira. Nasceram trigêmeos, que nunca mais deram sossego para ele voltar à invenção.
  3. Em 1030, numa praia do Brasil (que nem tinha esse nome ainda), um índio olhava para o horizonte e imaginava que devia haver terras lá longe. Impossível, naquele mar todo, serem eles os únicos habitantes. Durante seis meses, fez uma canoa. Conseguiu patrocínio do cacique e, depois de despedir-se da tribo, partiu. Não navegou nem quinhentos metros, naufragou e morreu.
  4. Johannes Burg, intrépido alemão, muniu-se da maior paciência e da mais ferrenha perseverança e dispôs-se a inventar o moto-perpétuo. Depois de trinta anos de trabalho profícuo, quando achou que faltava apenas uma peça que encontraria a trinta milhas de sua casa, morreu.
  5. William W. Wallet queria inventar o Boletim do Conselho Mundial, em 1877, porém nunca encontrou nenhuma perspectiva de aplicação para ele. Morreu pobre e esquecido na ilha de Páscoa.
  6. Mesmo sendo chamado de louco por meia cidade, Douglas Teddy cismou que seria possível a geração espontânea. Anunciou que às duas horas do dia 24 de março de 1637, em plena Praça da Matriz, apareceria um sapo cururu. No dia e hora marcados, com centenas de olhos fixos no ponto exato, apareceu realmente um batráquio. Mas, não era da espécie anunciada. Na verdade, era uma rã pimenta. Teddy foi desacreditado para sempre. E teve seu nome excluído do clube dos jogadores de truco.
  7. Sam Barrell vivia com esta pergunta na cabeça: ‘Por que não inventam um jeito de se viver para sempre?’ Por dia, ele a repetia mais de mil vezes. Às vezes, num lapso de tempo, pensava que podia ser o grande inventor da vida para sempre. Via-se cercado de pessoas que batiam nas suas costas, ofereciam muitos presentes, discursavam em seu louvor, erguiam brindes e bustos seus nas praças. Mas, logo voltava à pergunta. Isso o levou à loucura em 1970, na cidade do Cairo.
  8. J. P. Gudruph acreditava ter encontrado a fórmula para acertar nas corridas de cavalos e ter sucesso na conquista das mulheres. Havia chegado à fórmula depois de seis anos de pesquisas, mas, ao fim deles, as corridas foram banidas da sua terra e ele mesmo descobriu que não gostava tanto assim de mulher.
  9. T. Weiss colocou na cabeça que a melhor forma de vida seria descobrindo a maneira de não se preocupar jamais com o sucesso alheio. Conquistas, mídia, fama, spots, ovações, televisões, louvores... Tudo isso não teria mais lugar no seu dicionário. Jurou que queria morrer ‘seco e arreganhado’ se voltasse a invejar os outros. Sua fórmula fez tanto sucesso que ele ficou conhecido do dia para a noite. Era assediado onde quer que fosse. Foi aí que se olhou no espelho e disse: “Você é o máximo!” Morreu seco e arreganhado.

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h02
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