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Palavras – modo de reprodução
O Ódio casou com a Vida e tiveram muitos filhos: execração, malquerença, atiradeira, tacape, soco, arco e flecha, desgosto, inimizade, repugnância, vingança, funda, estilingue, besta, bodoque, repulsa, revolta, aversão, irritação, inveja, porrete, cassetete, espada, florete, pedra, pedaço de pau, faca, punhal, azagaia, antipatia, desamor, desafeto, desfavor, indiferença, maledicência, desprezo, lança, adaga, machado, estoque, foice, facão, martelo, canhão, fuzil, bazuca, obus, morteiro, abominação, mentira, depreciação, constrangimento, rancor, carabina, granada, dardo, espingarda, forca, guilhotina, canivete, veneno, ciúme, ganância, insulto, repúdio, desacato, adulteração, traição, desrespeito, desorientação, racismo, escárnio, pressão psicológica, intolerância, impaciência, trabuco, pau-de-arara, mosquetão, revólver, escopeta, metralhadora, garrucha, pistola, perseguição, rejeição, abandono, tolice, insensatez, violação, desatenção, torpedo, míssil, bomba A, bomba H, contrariedade, ridículo, menosprezo, terrorismo, futilidade, pistola a laser, carro-bomba, homem-bomba. E viveram infelizes para sempre.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h56
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Livros y libros: Eduardo Galeano x Fútbol
A Anaïs voltou de Buenos Aires ontem à noite. Viva! Ela me trouxe alguns presentes e, entre eles, este livro do Eduardo Galeano, que é escritor uruguaio. Tudo sobre o fútbol (que em castelhano soa levemente como se alguém desse um chute cobrando falta – aquele momento exato em que o pé acerta a bola e um pouco de grama: fffffut!). O livro é de 1995 e já está na décima edição (2005). Claro que ainda não li. Mas, folheei e, de cara, gostei da diagramação. A capa é feita sobre a foto de uma cerâmica do brasileiro Zé Caboclo, de Pernambuco.
Cada capítulo tem uma vinheta pertinente – Galeano é desenhista, também! São textos curtinhos, para leitores acostumados a notinhas esportivas dos jornais. Galeano viaja nas histórias desde a invenção do futebol. Cada capítulo, uma sentença. Achei, na página 66 um sobre Albert Camus, o escritor. Galeano conta que Camus, lá por 1930, em Argel, era goleiro. Jogava nesta posição desde menino porque não podia gastar os sapatos correndo atrás da bola. A avó dele examinava as solas quando ele chegava em casa depois de uma pelada. Ai dele se estivessem com sinal de gastas! Pobreza é isso! Camus diz que tirou lições importantes jogando no gol. A bola, por exemplo, nunca vem na direção que se espera. Fez analogia com as pessoas das cidades grandes – elas nunca vêm diretas (e direitas) como se deseja. Agarre como puder!
Grande presente, Anais. Obrigado. Recomendo ao amigo Tom Capri, um dos últimos intelectuais entusiastas do futebol moderno, que procure na FNAC, em Sampa. E também a todos os meus leitores ainda chegados no bilionário esporte global. Vou ler com gosto. Imaginando a alegria dos meninos que cruzaram com Galeano na Callela de la Costa cantando: Ganamos, perdimos, igual nos divertimos. Ah, se o futebol voltasse a ser assim, heim!?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h53
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