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Aí estão, abaixo, resenha e crítica de meu polêmico livro "A Geléia Verde-Amarela", ambas escritas num único texto por Assef Kfouri, ex-editor de artes do Estadão. O comentário foi publicado na coluna Livros & Letras, do jornal Empresas & Negócios, diário paulista. Assef fez cinco anos de cinema na Califórnia, foi também correspondente do Estadão em Hollywood e é autor de O Caso Rosenberg, entre os melhores livros de 2003. E-mail do Assef: assefkfouri@estadao.com.br. Tom.
O hexa que virou geléia
Por Assef Kfouri
A história por trás da publicação do livro A Geléia Verde-Amarela, de Tom Capri, é tão intrigante quanto o próprio conteúdo da obra. Na verdade, uma coisa está ligada a outra. Jornalista com mais de 30 anos de experiência profissional, boa parte deles como cronista esportivo do Estadão, e apaixonado por futebol, Tom Capri gastou milhares de palavras, antes, durante e depois da Copa da Alemanha, para provar, e acabou provando, que nossa Seleção não traria o Hexa, como de fato não trouxe.
Os e-mails, enviados a todos os manda-chuvas da crônica esportiva brasileira, batia numa tecla: a formação tática imposta pela dupla Parreira-Zagallo, com dois centro-avantes(Ronaldo Fenômeno e Adriano) enfiados, e parados, na frente, simplesmente esperando a bola chegar macia e redonda para fazerem os gols, e sem ajudarem na marcação, era antiquada, ineficiente e desastrosa.
Mas o autor não pára por aí. Para ele, o desconhecimento desse fato tático e o oba-oba da grande maioria dos nossos cronistas em torno de uma seleção que, tendo os craques que tinha, fatalmente acabaria por driblar eventuais obstáculos, foram os responsáveis, segundo o autor, por nossa lastimável participação. Sem falar, insiste Capri, na "burrice" de um técnico que não só não escala Robinho como titular, como ainda comete o desplante de impedir que Kaká e Ronaldinho Gaúcho jogassem o futebol criativo que todos conhecemos.
Recusa das editoras
Objetivo e contundente, Tom Capri põe o dedo nas feridas, não teme dar nomes e apontar culpados. Assim, quando decidiu que as dezenas de e-mails enviados podiam, e deviam, ser reunidas em livro, para que o público soubesse da verdade, viu-se diante da recusa de sucessivas editoras. Recusas que vinham disfarçadas nas mais variadas formas de desculpa, quando, segundo o autor, apenas mascaravam o receio de publicar um texto que acusava cronistas de renome como Juca Kfouri, Milton Neves, Trajano, Sócrates, Tostão, entre tantos outros que haviam engrossado o coro do Hexa é nosso.
Diante das recusas, Capri decidiu bancar a edição do livro, cuja capa, além do título propositadamente escrachado, ainda traz a foto de uma salada de frutas e a pergunta provocativa: "Cadê a dignidade de nossa crônica esportiva?"
O livro, escrito num estilo claro, objetivo e extremamente agradável, quase que num tom de conversa, esmiúça muito mais do que o desastre de nossa seleção canarinho na Alemanha; ele também nos conta um pouco da história do nosso futebol dos últimos cinqüenta anos, das conquistas de 58, 62, 70, 94 e 2002, dos bastidores e das intrigas, entre técnicos e cartolas, que tanto emperram esse esporte que é ao mesmo tempo fonte das nossas maiores alegrias e decepções.
O futebol moderno, insiste Capri, exige a participação ativa dos dez jogadores de linha. Todos devem correr, marcar, defender, atacar. Não foi o que aconteceu com a equipe de Parreira-Zagallo na Alemanha. Tivemos, sim, dois centro-avantes "paradaços" e fora de forma na frente - as torres gêmeas, no dizer de Capri -, dois gênios da bola amarrados no meio de campo e um diabinho negro sentado no banco. Para o autor, é falsa a idéia generalizada de que perdemos a Copa porque os jogadores não correram, não deram o sangue. "Eles correram, sim", diz Capri, mas faltou o essencial: um técnico com visão moderna e audaciosa.
Polêmico, audacioso, atrevido, A Geléia Verde-Amarela é leitura obrigatória.
Ficha técnica: A Geléia Verde-Amarela, de Tom Capri. Edição do autor. 244 páginas. R$30,00. O livro pode ser pedido pelo e-mail tom.capri@uol.com.br ou pelo telefone (11) 3331-0688.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h56
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