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 Três lindinhas numa noite feliz! Gradisca, Milena e Anaïs!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h06
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Marinhas
pro Sérgio Fantini, de BH.
Homem ao mar!
Intrépido conquistador com água pelo calcanhar.
Sol, areia e mar – álibi perfeito pra não ir trabalhar.
Muitos vão ao mar.
Poucos sabem navegar.
O mar é aquele adulto que ainda sabe brincar.
Se o mar te chamar – vá.
Nem que seja só pra conversar.
De manhã, no almoço e no jantar, servir a cada pessoa uma fatia de mar.
Tecnicamente viável daqui até a África nadar.
Mas, por motivo de força menor, melhor nem tentar.
Uma nesga de céu.
Uma nesga de mar.
Uma nesga de coxa.
Um sol inteiro de arrebentar.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h05
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Perto de muita água tudo é feliz.
Tudo trabalha demais.
Tudo não tira férias.
Tudo não vai à praia.
Tudo é muito infeliz.
O mar não está pro amor.
O mar só está pra peixes menores.
Quem vai ao mar não se engana com terra firme.
A praia é o espelho que iguala todos.
Mas, daí a gente atravessa o asfalto quente e embaça.
Sempre morei de frente pro mar.
Ele é que me deu as costas.
Promoção Aposente o Celular: junte uma concha na praia ponha grudada no ouvido e se ligue sem nada pagar.
Não sei se o que penso vai muito longe.
Mas, dobrando a esquina tem o mar.
O mar marulhava nos meus ouvidos antes mesmo de nascer.
Não fui peixe por pouco.
O mar está brabo, o mar está calmo?
O mar não está nem aí.
O mar está por um fio na linha do horizonte.
Ninguém é o sal da Terra.
Mas, não diga isso pro mar.
O peixe está pro mar assim como você gostaria de estar.
Tudo o que você pensa do mar é pouco.
Melhor se deitar na areia e sonhar.
Se os peixes quisessem nos pescar, a isca seria o próprio mar.
Em três partes se divide o mar: a que molha os pés, a que banha o corpo, a que lava a alma.
Tudo o que o mar leva, o mar devolve.
A infância volta na mesma hora em que você entra na água.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h05
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 Ruizinho preparado pro começo do jogo, em São Paulo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h04
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 Ruizinho e Anaïs em São Paulo. Ela está agora morando e trabalhando, até dezembro, em Buenos Aires.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h03
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Mundo ideal
Num mundo ideal, o que chamamos agora de ideal, seria nada mais do que o cotidiano.
Um dia-a-dia repleto de coisas ideais, o que nos daria em troca?
Talvez só estoque de coisas não ideais como sonho de consumo.
Ou seríamos também tão ideais que nem sonhos teríamos mais?
Ó, céus!
Não tem
coletivo de nuvem.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h02
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Vento
Vento dá em árvore?
O vento sacode a árvore ou a árvore se sacode pro vento maduro cair?
O que faz o vento quando pára?
Quem acorda o vento de manhã cedinho?
Aonde vai o vento quando tem pressa?
Que número calça o pé-de-vento?
O vento não responde nada.
Só dá o ar de sua graça. E passa.
Medidas
O coração tem o tamanho do punho fechado.
A mão estendida, o do coração aberto.
Males
Má ingestão.
Má digestão.
Ótima dejeção.
Os males do Brasil são.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h01
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 Finalmente, as fotos de São Paulo! Eu, Ruizinho e Anaïs.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h59
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 Finalmente, as fotos de São Paulo! Ruizinho, Célia e Anaïs!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h59
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o porteiro
distraído o porteiro pára na porta e não vê o tempo passar
criaturas
se se criar a máquina com superior inteligência artificial ela poderá querer coisas naturais
dê chips ela quererá guaraná ofereça software ela quererá ir à praia
dê a companhia de um clone ela quererá gerar filho
com amor beijo na boca e pensão alimentícia em caso de separação
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h58
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palmas pra que te quero
fugiu num aristóteles estatelou-se
um século era grande e forte hoje é só o milênio
vivemos em retas linhas arquiteturais e tortas espirituais a quebra vem de quebra
nem todo verde afoga
o desgosto de uma palavra sem osso
quem quer que seja é quem quer que seja
repita uma palavra em voz alta até que ela perca a estribeira
no papel de palavra uma palavra no papel pode ter outros papéis
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h57
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 Gradisca, eu, Milena e Anaïs no Espetinho do Xixo
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h56
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Encontro dos contras
— Hoje é o dia mais frio do ano.
— Mais frio que a noite de quinta, nunca!
— Este escritor é ótimo!
— Então nunca leu Fulano?
— Vai chover: olhe aquelas nuvens!
— Não, o vento tá virando.
— ... tem uma comida muito gostosa lá.
— Nem foi naquele outro que te falei?
— O filme é muito bem feito.
— Xarope, cara, xarope!
— Foi um jogaço!
— Olha, uma grande pelada!
— Puxa, mas você é do contra em tudo?!
— Na verdade, você é que não concorda comigo.
— Assim caminha a Humanidade...
— Tropeça, isso sim.
— Aquela atriz trabalha muito bem...
— Tá doido: melosa pra burro, chata!
— Eu só tomo cerveja.
— Ah, vai me dizer que é melhor que vinho.
— Veja que mulher linda, meu!
— Um bagulhão desses?!
— Fui ver a expô do Rodin em Sampa!
— Vai me dizer que perdeu a do Monet?
— Vou pra Búzios nas férias...
— Já era, o quente é Porto de Galinhas.
— Achei demais aquele comercial de carro!
— Mas, o carro é uma droga!
— Sou vidrado em reggae!
— É podre! Da hora é tecno, só!
— Vou fazer musculação semana que vem.
— Agora a onda é hidroginástica, mais cool!
— Pô, me diz, cara: e isto é Arte?
— E pra que você precisa de Arte?
— Vou saltar fora!
— Tô dentro!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h56
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Motor
Tem vida dentro de cada palavra impulsionando sempre uma pra junto da outra.
Até naquela estacionada em local ermo e escuro se adivinha o ronco baixinho do motor esquentando.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h49
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Infinitos
Aqui é o infinito de algum outro lugar.
Aqui é o ponto de encontro das paralelas que partiram de um mundo quatro milhões de anos/luz além do além.
Daqui, cada um olha pra longe e mais distante, tateando o infinito em outro lugar e não vê o que passa diante da estrela da mão, do cometa dos dedos, da meia lua das unhas.
Palmas
O chumbo das nuvens pesa no colo da manhã.
Espalhadas no chão, as lâmpadas amarelas caíram do ipê e não se apagaram.
Trago da infância as notas musicais que faltam pro sabiá encerrar o canto agora e bato palmas de memória.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h48
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 Primavera
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h14
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A ilha do tesouro
Levou uma ilha
pra mulher amada.
Cercado de tudo e
um mar de tédio
por todos os lados,
essa ilha era ele.
Ela viu a ilha,
adorou a ilha como era,
mas primeiro fez dela um cabo,
depois uma península
e por fim um continente.
Limitava-se ao Norte com a paciência,
ao Sul com a resignação
e um mar de provações diárias
banhava a costa Leste.
Tinha sólido comércio exterior,
boas relações com o
Sacro Império Romano
e usava bem os talheres de prata
no banquete dos líderes.
Mas a Oeste, depois da fronteira,
existia vasta, misteriosa,
inexplorada e intrigante região –
tempos de ilha perdida
com tesouro escondido.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h10
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Quorum
São apenas sete e meia
mas o dia já vai lá na frente.
O vento leve espanou as nuvens.
O sol dá a cara amarela a tapa.
Alguém liga a máquina de lavar roupas
e vai pro sofá longe da tevê.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h06
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Rota da migração do jubarte
Farto na tediosa Antártida,
depois de lauta refeição à base de krill,
foi nadar um pouco.
Subiu o Índico na direção de Madagascar
com parada no sul da África
pra visitar a tia doente.
No meio da conversa
resolveu mudar de rumo
– atravessou calmamente o Atlântico.
Pulando marolas em Copacabana,
se espojou nas areias quentes do pleno Verão 40 graus.
“Muita gente, que sufoco!”– pensou pesado.
E concluiu, pegando uma cerveja gelada:
“Próximo ano vou pra Porto de Galinhas.”
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h58
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Senha inválida
Tenho que me atirar de cabeça
que é a parte mais dura do corpo.
Tenho que cair de pé
que é a parte que sustenta o peso.
Tenho que ter as mãos livres
que é pra poder agarrar a chance.
Tenho que abrir bem os olhos
que é pra manter o rumo.
Tenho que ter vontade férrea
mas me traio escrevendo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h57
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Pó
Dê dimensão universal
ao pó em suspensão contra a luz do Sol
no quarto.
Ali vai Marte.
Bem pra lá se observa Netuno.
Aquela seria Proxima Centauri,
a estrela lindeira.
Não há vestígios de anãs brancas
ou da obsoleta estrela d’alva.
Em doida rotação,
a Terra brilha um segundo
e já sumiu na zona de sombra.
Raríssima rajada de vento
sacode astros e estrelas.
E açoita cometas.
É tua respiração suspirada.
Hálito de um Deus sem céu
e sem fronteiras.
Que logo se distrai
e se perde no pó da imaginação
contra a luz do entendimento.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h56
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O perfeito
Pelo enviesado da hora
e pelo que capto de perto
de propósito desatento, semidesperto,
pelo que deixo de lado,
nem imagino dentro
e declino de ver por fora –
sendo tudo um só agora
porque não soube ontem
nem tive durante,
só vejo e desejo desse jeito
– me parece perfeito
para hoje, depois e outrora.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h53
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Cochilo
Quando ele sair,
porque ela não está por perto,
se ninguém estiver olhando,
usamos nossa liberdade.
Abrimos a geladeira,
lemos aquela piada suja,
os sapatos largamos na sala,
temos um momento de gozo íntimo.
Proximidade e liberdade
não se casam,
não falam a mesma língua,
nem moram na mesma casa.
O preço da liberdade é alto
porque custa apenas
um cochilo da proximidade.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h52
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Macro e micro
Você não pode observar a olho nu
a cópula dos astros e estrelas.
Nem penetrar na ínfima alma
das bactérias povoando
a ferida com toxina letal.
O macro e o micro
escapam da lente dos olhos
e borram a retina.
E o que você vê –
o resto que à luz se mostra –
se tinge de sombras,
arestas e ilusões tantas
que é mais prudente fechar
o coração pra ver melhor.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h51
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Um turco passeava
Um turco passeava no campo florido.
Viu uma flor nova.
Na cabeça dele não tinha como chamar a flor.
Mas, fora da cabeça,
tinha um turbante que se fundiu
com a forma da flor e ele murmurou,
feito Deus, nomeando: ‘Tülbend!’
A flor viajou de vaso em vaso
e de olhos em olhos,
com sua beleza e o misterioso nome,
impronunciável.
Queria estar presente no momento
em que a palavra passa
de um idioma pra outro e outro.
Alegria de Einstein diante da fissão nuclear
que libera poderosa energia.
Se rompe a palavra – perdendo ou ganhando
carga de letras e quase sempre seguindo
o som – e surge algo novo.
Um turco ainda pode ver na flor um turbante.
Eu penso tulipa e vejo só uma flor radiante.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h49
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Czar o teu
O comilão czar Torpedo
também era fino trapezista
pulava de prato em prato
jantava de cama em cama
e dizia não nunca resista
papava polenta e moçoilas
viajando vaginas e vodcas
um dia de noite na Transilvânia
traçou romana prometida e camarão
lambendo os beiços e as costas nuas
como prova de amor e de paixão
grande enciclopédia humana
dissertava bem sobre bichos nobres
como a formiga falante e andante
cunhada do rei Abdul Banana
que o pegou em deleite flagrante
da romana de perfumado púbis ao cair da noite
e hímen rompido ao romper da aurora
fugiu de Londres louco e escondido
no porão estreito e escuro do navio
monumento em alto-relevo ao mar bravio
monumentalmente chique-pós-moderno
entre chimpanzés de olhos no futuro
cheiro de tigres trancados trovejando
penosos ovíparos penados na gaiola
o santo sumo da terra virgem vertido
manchou a marcha da honra e da festa
no desembarque foi que ele embarcou
bala certeira torpedeando a testa
e foi o fim-firim-fim do czar comilão
tão triste fim o do czar Torpedo
ao bolo digestivo bruto deu vazão
borrou-se de medo e foi embora cedo
olhos cansados sobre tela
agora só enfeitando a casa dela
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h44
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