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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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Sexta Super pra você
Discussão
Numa discussão usa-se muito palavrão e verbos defecativos.
Lavação
Quando a água bater na bunda, lave.
Discussão II
Quando não tiver mais alternativa, parta pra altercação.
Provérbio revisitado
Enterro de cego, quem tem olho é coveiro.
Imaginação
Você pode voar, mas jamais aceite outra companhia aérea.
Eu, profeta
A próxima geração vai salvar o Brasil. (2006)
Futebol
Depois do Zidane, na Copa de 2006, ninguém mais vai poder dizer que pra jogar futebol não precisa usar a cabeça.
Futebol total
O bom, o melhor e o ótimo estragam qualquer meio de campo. O ruim, o pior e o péssimo afundam o time inteiro.
Empresa
Não se consegue nada no grito. Mas, sempre tem os que nem falam e, na hora H, botam as reivindicações de todos a perder.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h36
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Como diz aquele iraquiano, debaixo de bombas e fogo cerrado: "Nem imagino como deve ser duro viver num país de condições tão miseráveis como o Brasil!"
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h14
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Quem conta uma mentira, conta pontocom.
Tom da vida
Tentou diminuir a conta telefônica cortando os pulsos.
Dinheirão
Todo aquele que de repente ganha um dinheirão pra não se preocupar com mais nada, passa a se preocupar apenas e tão somente com uma coisa pior: o dinheirão.
Quem diz que abre mão de todo o dinheiro pra ter saúde, geralmente perdeu a saúde pra ter dinheiro.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h45
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Dupla condenação
O sentenciado que escreve um livro pensando assim em ‘fugir’ da penitenciária, mal sabe que está sendo condenado à prisão perpétua das palavras.
Sobre políticos
Urubu só voa baixo quando está com fome.
Cobra cresce, mas é se arrastando.
Imortalidade
Não quero ser imortal. Quero apenas estar vivo quando chegarem a fama e a fortuna da posteridade.
Sono
O sono é irmão gênio da morte.
Teatro: fama e cama
Em todos os jornais lemos coisas assim: no “cenário” político, nos “bastidores” da moda, no “palco” das negociações, “sob as luzes” do entendimento, o jogo foi “dramático”, esse sujeito não passa de um ‘canastrão’, o seqüestro virou “farsa”, a “tragédia” dos meninos de rua, prefeito “vaiado”, a esposa teve ‘papel de destaque’, políticos “tragicômicos”, jogador “mascarado”, o cara está “ensaiando” algo, o “drama” da mãe solteira, isso está virando um “melodrama” barato, empregado faz “papel” de bobo, fulano é apenas um “fantoche”, no ‘epílogo’ dos acontecimentos, deu uma de verdadeiro ‘ator’, ai, ela fez um ‘teatrinho’, aquela mulher fez a maior “cena”, “no apagar das luzes” do ano velho, no “entreato” das guerras, na ‘cena’ do crime, usou a favela como “pano de fundo”, o Zé “roubou a cena”, foi tudo um “teatrinho de marionetes”, o que houve foi uma inversão de “papéis”, “fecharam-se as cortinas” do Século XX.
Mas ao teatro quem vai?
Se o teatro deitasse na cama com metade da fama que tem, estaria salvo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h44
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Celibato
Celibato é sanduíche com uma fatia só de pão.
Segunda natureza
A segunda natureza do Homem é destruir a Natureza.
Silêncio
O silêncio vale ouro. Mas diga isso sem falar!
Diabo
O diabo acorda tarde, mas chega cedo.
Mulher fatal
Toda mulher é fatal. Depende de ela encontrar o homem certo.
Espanto
Quem se choca com a vida, bota ovo maior que o orifício de saída.
História
A história se repete como farsa que virou história.
Segredo
Contar segredo é a prova de que a menor distância do mundo é a do ouvido até a boca.
Cotidiano
O regime político do Estado de Espírito é a Ditadura do Hábito.
Irmãos
O Tempo é irmão da Justiça. Só que, além, de cego, é surdo-mudo.
Dinheiro
Stálin dizia: “O capital mais precioso é o homem.” E como queimava dinheiro o moço!
Fortuna
Pra acumular uma fortuna é necessário ter muito talento – pra roubar e não ser apanhado.
Livro sagrado
Toda mulher quer ser um capítulo especial no livro da vida de um homem, desde que esse livro tenha um capítulo só.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h44
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Sem-teto e sem-terra
Era uma vez um sem-terra de um país sem rumo governado por gente sem-vergonha...
Num dia sem importância, ele se apaixonou, sem volta e sem remédio, por uma sem-teto.
Que história banal e sem graça seria essa se não fosse o desfecho sensacional.
A noite era sem lua e o mato, sem cachorro: o sem-terra estava sem camisinha e a sem-teto, sem más ou segundas intenções, engravidou.
Ele moitou e relutou, mas propôs casamento, pra que a criança, já sem-teto e sem-terra, não nascesse sem família e sem esperança.
A união sem cerimônia foi no assentamento mas, sem comunhão de bens.
O sem-terra temia ter que dividir seu nada anterior com a sem-teto em caso de separação.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h38
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Patrão-padrão
Motivo pra rir
só o relógio tem.
Puxa os minutos dali,
empurra as horas pra lá,
ao bel-prazer.
Mesmo que se atrase,
que falte ou pare,
o patrão Tempo não liga
e toca o serviço pra frente.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h36
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PACIENTE EM OBSERVAÇÃO
As perguntas do sábio são respostas para o imbecil.
Trabalho e inspiração não podem jogar no mesmo time. O trabalho é carregador de piano e a inspiração só quer bola no pé.
Aquele que defende sozinho e valorosamente uma posição é o último a saber que seus chefes e o exército já capitularam.
Tenho sim amor-próprio, mas não moramos juntos.
Quando o poder flui na direção de quem tem conhecimentos, bifurca-se.
Chega o tempo em que o homem se rebela contra a idade. Mas, aí, não adianta: já está velho.
Todo poder dá decisão sobre a vida das pessoas. Logo, todo aquele que tem poder é assassino em potencial.
O inferno são os outros, sim.
Mas, o diabo é que
o diabo está em mim.
A gente se lembra de tão poucas pessoas durante a vida, mas queremos que todas do mundo se lembrem da gente que estivermos mortos.
Para viver, basta estar vivo.
De todas as heranças, a mais valiosa, e menos disputada, é a cultura.
É injustiça dizer que todo mundo procura por justiça para todos.
Um defeito da verdade é querer ser imortal sendo criação humana.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h33
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Noturno com cães e tiros
Baruch Spinoza, atraído pelo barulho dos cães, foi até a porta e sentenciou, diante da escuridão da noite: “Não há na essência do ser humano nada que torne necessária a existência dele: tanto faz que exista ou deixe de existir esta ou aquela pessoa.” O ladrar dos cães parecia denunciar algum malfeitor no quintal. Baruch foi até o quarto, pegou a garrucha de dois canos, voltou à porta e atirou para um lugar qualquer da paisagem encoberta pela noite. Uns segundos depois, o eco respondeu. Os cães silenciaram e ouviu-se a voz de Baudelaire que fumava narguilé: “O que não é ligeiramente disforme tem um aspecto difícil de sentir. A irregularidade, o inesperado, o surpreendente e o assombroso são partes essenciais e características da beleza.” Ele apontava a escuridão que igualava tudo e não feria de beleza os olhos. Do mesmo modo, Gustave Flaubert bateu no braço da poltrona e expeliu: “A estupidez é uma rocha inexpugnável: tudo o que se choca contra ela se despedaça.” Ele pensava, talvez, nos seus personagens que elevaram a estupidez à condição de catedral. R. L. Stevenson, que pegava gelo para o scotch, sacudiu o copo cheio de líquido dourado e enfatizou: “Tanta pressa temos em fazer coisas, escrever, juntar dinheiro, e em fazer ouvir nossa voz no silêncio brincalhão da Eternidade, que esquecemos a única coisa realmente importante: viver.” Lá fora estava tudo quieto. Bateram levemente na porta. Baruch, dono da casa, foi abrir. Uma mulher tentava estancar com a mão o sangue que escorria logo abaixo do seio. Baruch estendeu a mão e ela disse, sussurrando: “Posso entrar? Muito prazer, meu nome é Eternidade. Fui atirada.” Baudelaire, sem perder o galanteio, disse: “Que quadro lindo! Que imperfeição perfeita! Assombro da beleza!”
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h28
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Filme que Glauber Rocha gostava. Do cinema revolucionário soviético ("Greve", de Eisenstein) ao realismo poético de Renoir ("A Cadela"), do expressionismo de Fritz Lang ("M, o Vampiro de Dusseldorf") à virada genial de Orson Welles ("Cidadão Kane"), do neo-realismo de Rossellini ("Roma, Cidade Aberta") à ruptura dos gêneros de Resnais ("Hiroshima, Meu Amor"). Uma obra rara de invenção e independência criativa feita no coração da indústria: "Punhos de Campeão" (1949), de Robert Wise, que simula uma narrativa em tempo real do antes, do durante e do depois de uma luta em que um pugilista resiste à pressão de mafiosos para entregar os pontos. Há ainda a exuberância operística de Visconti ("Rocco e Seus Irmãos", talvez o filme favorito de Glauber), o lirismo onírico de Fellini ("A Doce Vida"), o frescor iconoclasta de Godard ("Alphaville"), o surrealismo sacrílego de Buñuel ("O Estranho Caminho de Santiago") e a releitura da tragédia por Pasolini ("Édipo Rei").
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h05
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Intervenção confusa e convexa na paisagem escorreita
Vistas de cima, as frases não são mais do que meros animalejos separados por vírgulas e aprisionados por pontos. Para entendê-las a fundo é preciso entrar no meio da boiada, sentir o cheiro do estrume e o calor do bafo. Ouvir o ruge-ruge baixinho de cada letra quando roça pêlo com suas vizinhas e prever se o estouro das palavras vai ser rápido até a cerca ou se irá de soluço em soluço serpenteando como um rio. Se o pasto é bom, as frases seguem sem nenhum movimento mais brusco até o anoitecer quando então serão recolhidas aos estábulos. Quem olha bem de longe, vê apenas figuras paradas como animais de gesso do presépio com o azul e o verde emoldurados por um Sol maior. E, pé na estrada, nem se importa em registrar na memória o doce cromo. Mais longe, em outras paragens, sinais eletromagnéticos de ondas hertzianas enjauladas têm muito mais charme e zurram atrações soltando chispas de fogo brando pelas ventas.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h53
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Queria que todo mês tivesse uma eleição, só pra que todo dia me chamassem de ‘cidadão’.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h47
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Achei na Internet o longo poema do Vinícius de Moraes, do qual todo mundo só sabe o primeiro ou, no máximo os dois primeiros versos. É O dia da criação: Hoje é sábado, amanhã é domingo/A vida vem em ondas como o mar. O poetinha, como ele mesmo se chamava, tinha musicalidade muito boa, ritmo cantante e criava imagens viajantes. Gosto de outro poema dele chamado O haver: Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas. Gosto dos cortes dos versos de uma música dele com o Toquinho que canta: O velho calção de banho/o dia pra vadiar/um mar que não tem tamanho/um arco-íris no ar. Ele usa cortes cinematográficos e faz um belo quadro de sossego bem baiano. Acho, e sempre achei, muito boa a poesia que pinta quadros. Algumas são memoráveis: Encontrei hoje cedo no meu barracão/minha roupa de conde no chão/fantasia de plumas azuis a rolar. Tem, também: Água de beber/bica no quintal/sede de viver tudo. Tem a do Jorge Benjor: Ela vem toda de branco meiga e muito tímida/com a chuva molhando seu corpo que eu vou abraçar. A do Cartola: Volto ao jardim/na certeza que devo chorar/pois bem sei que não queres voltar/para mim. A do Jobim: Águas de março inteira. E mais: Olha que coisa mais linda mais cheia de graça/é ela menina que vem e que passa/no doce balanço a caminho do mar. Do Márcio Borges: Vem chegando a lona suja/o grande circo humano. Claro que posso estar dizendo o óbvio aqui, mas tem muita gente que gosta de alguma coisa e não sabe bem por quê. Walt Whitman, poeta norte-americano, dizia que fazia poemas com as coisas mais materiais possíveis e que talvez fosse por isso que eles se transformavam nos poemas mais espirituais possíveis depois de prontos. Pense aí, se quiser, se isso serve.
Werneck, editor fora de sintonia e de sincronia
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h46
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Laikabridgovertrobouóter
Tanto faz ponte sobre águas turvas, lentas ou turbulentas. Tanto faz o rio passar manso, profundo, raso ou arrasador na tua vida. As águas se vão rio abaixo e a vida fica parada na ponte. Olhar – perdido na paisagem ou na superfície da água. Pensamento – ave lá no céu ou peixe no fundo da água. A hipnose que a água encachoeirada provoca, rolando sobre as pedras, espumando, rindo, ralhando com os barrancos. O barulho líquido contínuo pesando nos ouvidos e lavando todas as culpas. A curva lá adiante e as mãos do rio acenando tchau, tchau, tchau e ele nunca se vai definitivamente. Está lá em cima do morro, sempre aqui debaixo da ponte, ali pulando a pedra, mais adiante arrastando o pedaço de pau, ao longe levando a borboleta distraída ou dobrando lépido a última curva que os olhos alcançam. Olhos que se lançam pra lá da outra margem fazendo ponte para todo o passado visitar o presente e se perder na curva logo ali do futuro acenando tchau, tchau, tchau sem nunca ir embora definitivamente.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h44
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OS VÍRUS QUE SE VIRAM
OS VÍRUS DO IPIRANGA
AS MARGENS PLÁCIDAS
DO MICRO INVADEM E AFETAM
OS E-MAILS OS DOCUMENTOS
OS ARQUIVOS OS PENSAMENTOS
A FESTA DOS VÍRUS É COMPLETA
E TEM ATÉ A TELA QUE SE MEXE
OS POP-UPS QUE PULAM E PULULAM
VIVAM OS VÍRUS MUSICADOS
COMPANHEIROS DIÁRIOS
ENDIABRADOS
ONLINE OFFLINE
QUE DÃO AS CARAS MELHOR
QUE OS SERES VIVOS
SALVE LINDOS PENDÕES DA
ESPERANÇA DE ACABAR A INTERNET
VÍRUS DAQUI VÍRUS DALI
VÍRUS QUE VÊM DE LONGE
DE OUTRAS PLAGAS
NOS VER DE PERTO
BEM-VINDOS VÍRUS
QUE PELO MENOS SE DEIXAM VER
DEIXAM MENSAGENS ÀS VEZES
APENAS RISONHAS E FRANCAS
DE QUE NÃO ESTAMOS SÓS
NO MUNDO VIRTUAL
INDEPENDÊNCIA É SORTE
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h42
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Uma palavra fora posta do lugar...
Voltaire volteou o dedo no ar e sentenciou: — Uma posta fora palavra do lugar... – e tentou corrigir-se a tempo, mas o relógio escapou pela janela voando. Dando tratos à bola, amaciando no joelho e rolando até o pé em concha, ele lembrou de um contemporâneo que usava e abusava de palavras esdrúxulas e tentou: — Uma posta lugar do palavra fora... – parou e resolveu que consultaria os búzios. Foi quando Hemingway entrou na sala, colocou o tigre abatido no sofá, encostou o rifle na parede, tirou do bolso da camisa o vidro de uísque e tomou um gole longo e pingante na roupa. Aí, vendo que Voltaire estava aflito, disse: — Reescrevi trinta vezes o último parágrafo de Adeus às armas antes de me sentir satisfeito. – deixou-se cair no sofá e ficou tagarelando com o tigre abatido. Voltaire voltou à carga: — Uma do lugar fora palavra posta... – calou e escutou a risada larga de Georges Simenon atrás da cortina e, logo depois, o comentário: “Corto adjetivos, advérbios e todo tipo de palavra que está lá só para fazer efeito.” — Caro Georges – disse Hemingway. –, veja que belo exemplar abati logo ali no quintal. Creio que ele é jovem: nem usa bengala! – e riu desbragadamente, já exalando uísque. Voltaire dava voltas pela sala e queria concatenar as idéias: — Posta palavra do lugar uma fora... – parou e viu o Coelho Branco entrando pela porta, lépido, arrumando os óculos, e perguntando: — Com licença, Vossa Majestade, devo começar por onde? – Pensando que fosse com ele, Hemingway não resistiu: — Ah, se eu tivesse aquele rifle ao meu alcance. Um tiro e o texto está pronto. – riu de novo. Simenon balançou a cabeça desaprovando. Na pele do Rei, Lewis Carroll é que teve que acalmar Hemingway e responder: — Comece pelo começo e vá até o fim. Então. Pare. – Tudo parecia ter voltado ao normal. Mas, Voltaire resolveu se concentrar, pedir silêncio e dizer: — Uma fora palavra posta do estraga lugar mais bonito o pensamento. — Todos aplaudiram e o uísque foi generosamente servido. O Coelho Branco não bebeu, por motivos religiosos.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h40
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Geometria insólita
Um quadrado que caiu do trapézio.
Um triângulo que anda em círculos.
Um losango das altas esferas.
Um círculo envolvido num triângulo amoroso.
Um retângulo pra lá de obtusângulo.
Um hexágono muito quadrado.
Um dodecaedro que oferece a outra face.
Um paralelogramo de boa estrela.
Uma pirâmide da igreja quadrangular.
Um tetraedro de cem cilindradas.
Uma esfera elevada ao cubo.
Hortifrutimistureca
Um abacate que é laranja.
Uma laranja que é goiabona.
Uma goiaba que dá pra chuchu.
Um chuchu que é um abacaxi.
Um abacaxi que pisa no tomate.
Um tomate que vai plantar batatas.
Uma batata que é muito mimosa.
Uma mimosa que é um pepino.
Um pepino que é um banana.
Uma banana que não vale um figo podre.
Um figo que perdeu um dente de alho.
Um alho que tem cabeça de alface.
Uma alface que é azeda feito limão.
Um limão que pendura melancia no pescoço.
Uma melancia que é lisa como quiabo.
Um quiabo que é um doce de coco.
Um coco que cai na zona do agrião.
Um agrião que só vai no feijão-com-arroz.
Um feijão que é arroz de festa.
Um arroz que é amarrento que nem caqui.
Um caqui que virou abóbora.
Uma abóbora que tem cara de maracujá de gaveta.
Um maracujá que é uma uva.
Uma uva que só fala abobrinha.
Uma abobrinha que separa o joio do trigo.
Um trigo que é café pequeno.
Um café que te ofereço pra terminar aqui.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h34
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MINHAS LEIS DA INFORMÁTICA
Lei de Downwater – quando uma prática dá certo, não precisa teoria.
Lei de Merck – quando a memória é insuficiente, o serviço é muito. E vice-versa.
Lei de Ammer – todo micro que custou bem caro precisa de novos componentes mais caros ainda pra funcionar melhor.
Lei de Donovan – o técnico sempre diz que o problema atual era aquele que ele já sabia que ia acontecer, por causa daquele outro.
Lei do Goldblack – se o micro está funcionando perfeitamente, reze.
Lei de John John – na empresa, quem recebe o micro mais caro é o que precisa menos dele.
Lei de Stan Porter – quando o técnico começar a explicar os problemas,
balance a cabeça concordando, mas desligue a atenção.
Lei de Sarah Jane – tem loja de informática em cada esquina, mas na que você entra não tem o que precisa.
Lei de McClean – micro é igual lingüiça: não se deve saber como foi
fabricado.
Lei de Amber Gymm – quem diz que micro é ótima ferramenta pra quem
sabe usar, devia levar martelada na cabeça.
Lei de Doub – qualquer criança mexe no micro melhor que gente grande. E dá mais prejuízo também.
Lei de Grandelle – se está funcionando bem, use. Se está mais ou menos, use assim mesmo. Se quebrar, chame de obsoleto.
Lei de Obsbawn – acredite em tudo que tem na Internet. Ninguém vai discutir mesmo.
Lei de Astaxerxes – quanto mais memória você puser no micro, mas vai precisar de memória própria pra saber onde salvou tudo.
Lei de Mayer – as pessoas não estão o tempo todo ligadas na Internet. As pessoas, na verdade, não estão ligadas em nada o tempo todo.
Lei de Munglow – quanto mais você ignora o que pode fazer com o micro, mas diz que com ele se pode fazer de tudo.
Lei de Evoé – quando você diz que valeu a pena gastar mais pra ter um programa, alguém diz que um outro mais barato faz o mesmo.
Lei de Jean Loutrec – quando todos os micros emburram, alguém lembra com saudade do tempo em que se fazia tudo à mão, na prancheta. Lei de Magoo – estar na frente do computador cinco horas não quer dizer produtividade. Pode ser apenas papo-furado no msn. Lei de Ted Toddy – todo mundo compra micro muito mais potente do que precisaria pro seu trabalho. E acaba usando menos ainda do que o que tinha antes.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h32
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Infecções por aerosóis: pare agora mesmo de respirar!
O nariz é um filtro muito eficiente quando usado para remoção das partículas do ar. O ar, como sabemos, é constituído por elementos químicos que dão a ele a bela aparência transparente e fluida facilmente notada pela impossibilidade de ser vista ou tocada com a mão. Mas, sempre tem um porém, o ar serve perfeitamente de avião para bactérias e vírus em viagem de férias ou de negócios. Chamamos de ‘organismos patogênicos’ os passageiros que ficam na sala de espera da nossa boca de onde partem em gotículas de saliva (as mais ricas) e sobre ínfimas partículas de poeira (que seria a classe econômica). Uma vez alcançada a altura de cruzeiro, os passageiros se dividem em classes: as bactérias carregam na bagagem breguetes como difteria, tuberculose e infecções por pneumococos e estreptococos. Os vírus preferem a varíola, a varicela, o sarampo, a poliomielite, a gripe endêmica e o resfriado comum. Se a viagem transcorrer sem incidentes, você deve sentir o nariz escorrendo em pouco tempo se estiver na rota do avião. Quando uma pessoa tosse ou espirra, um bombardeiro manda mísseis individuais. Felizmente, grande parte cai logo ali, como bombinha de São João. E, mais felizmente ainda, o nariz, como já disse, é um poderoso filtro que absorve milhões de vírus e bactérias e manda para o estômago, onde são torturados e destruídos por ácidos. Ah, mas tem as partículas-bombas muito pequenas que podem passar para dentro do pulmão e aderir à superfície desse órgão. Dependendo da carga explosiva, pode se aprontar para ir à fila do SUS. Única maneira segura de impedir a propagação das partículas seria obrigar todas as pessoas pararem de respirar ou a usarem constantemente máscaras filtrantes. A primeira opção se mostrou inviável em testes de laboratórios. Para a segunda, a vaidade das vaidades falaria mais alto e os políticos da oposição votariam contra. Aliás, se nem o cocô do seu/dela cachorro a madame recolhe da calçada, imagine o resto.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h30
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Fábula Reciclada
Contam que certo lavrador tinha um burro que engordou muito por ficar só no bem-bom e um boi que o trabalho havia desgastado. O boi, abatido, perguntou o que o burro aconselhava. O burro disse: “Finja-se de doente, como eu, e não coma a ração. Nosso amo o verá refugando a comida e soltará no pasto”. O lavrador, que estava atrás da porta, sacou o lance. Na manhã seguinte, soltou o boi no pasto e botou o burro pra trabalhar. Ele quase morreu debaixo de um sol de rachar mamona. À noite, o esperto burro chegou perto do boi e disse: “Ouvi nosso amo dizer ‘se o boi continuar sem comer, vamos abatê-lo, pois dá prejuízo”. O boi botou as orelhas em pé tratou de comer pra salvar a pele. O lavrador, que ouvia tudo, achou melhor vender os dois animais falantes e conflitantes no circo, por bom dinheiro, e comprar um trator que não fala e nem reclama do serviço.
Moral: Cala a boca, burro!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h28
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Van Gogh era feito de cores e paisagens
Era começo de agosto de 1888. Van Gogh vagando nada vagabundo no Midi. “Também vi um estábulo com quatro vacas café-com-leite e um bezerro da mesma cor; o estábulo branco-azul forrado de teias de aranha, as vacas muito limpas e muito bonitas, um grande cortinado verde contra a poeira e as moscas na porta de entrada. Cinza também, cinza-Velásquez! Era tão calmo – este café-com-leite e havana da pelagem das vacas com o suave branco-cinza azulado das paredes, o tapete verde-amarelo cintilante do exterior ensolarado fazendo-lhe uma oposição deslumbrante. (...) Vi de novo uma coisa muito calma e muito bonita outro dia, uma jovem moça de tez café-com-leite – se bem me lembro –, cabelos cinzentos, olhos cinzas, corpete de índia rosa-pálido, sob o qual se viam dois seios erguidos, duros e pequenos. Isso contra o verdor esmeralda das figueiras. Uma mulher bem rústica, grande ar virginal. Não é totalmente impossível que eu a faça posar ao ar livre, assim como sua mãe – jardineira – cor de terra, que estava então de amarelo fosco e azul desbotado. A tez café-com-leite da mocinha era mais escura que o rosa do corpete. A mãe estava surpreendente, sua figura amarelo fosco e azul desbotado se destacava em pleno sol contra um canteiro de flores resplandecentes, branco-neve e limão. Portanto, um puro Vermeer de Delft. Não é nada feio o Midi.” O sol caiu, a noite veio, desaprendemos a natureza, as cores, a vida em foco nas coisas simples e repousantes. Van Gogh olha pra trás, nos vê vagando vagabundos desbotados contra o céu cinza, e ri seu riso amarelo-sol radiante.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h27
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Curitiba jamais visitada
talvez um dia alguém me pegue pelo braço e aponte
a rua em que morou leminski
a rua em que mor trevisan
a praça em que o vampiro mais pousou
a esquina em que os trapos do tezza se esfarparam
e o alegre bar em que werneck afundou suas mágoas
Caio Junqueira (BH – MG
Caio: aqui Leminski nunca morou morava no bar transatlântico Moby Dick
aqui Trevisan não mora refugia-se na jaula dos leões do Passeio Público
a praça é cemitério de elefantes
o vampiro só pousa nas almas distraídas os trapos do Tezza não voam ao vento em tese povoam a universidade
pra fugir à regra como convém a um sinistro seguidor de Baudelaire
afogo as mágoas com alegria na primeira cerveja que vier num cantinho de bar qualquer
Werneck, pós-contemporâneo
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h26
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A humanização do conhecimento
Aos loucos, doentes e apaixonados tudo é permitido. Alguém vai dizer que louco é doente. Certo. Mas digo dos loucos que estão bem sãos bem perto de nós, logo ali na outra sala, no trabalho contando dinheiro. E, nesse caso, apaixonado também seria doente. Mas, deixemos de filosofares. A eles tudo é permitido. Aos que sobram e se dizem sãos, tudo é vigiado. O mundo é dos loucos, dos doentes e dos apaixonados. Por que ser são? Acontece que ninguém escolhe ser louco, ser doente ou ser apaixonado. Isso acontece. Veja uma frase como... ‘os filósofos chineses eram não só avessos à epistemologia, mas tinham um desprezo quase gaulês pela metafísica prolongada’. Só um louco, um doente ou um apaixonado poderia escrever. Quem vai entender? Mesmo recolocada no contexto, ela parece rolha depois de explodir da garrafa de champanhe. Só os sãos entram no contexto errado e o acompanham. Quem entra numa igreja, mesmo sem ser religioso, e é são, logo acompanha os cânticos, as orações. Senta, levanta e ajoelha ao comando do padre ou do pastor. Assim são as ovelhas: sãs. os sãos são comandados. Ninguém mexe com loucos, doentes ou apaixonados. Pode traduzir para dinamarquês, japonês, hindi, alemão, sueco ou esloveno. Tire a prova dos nove, eleve à potência de dez e terá sempre o mesmo resultado: ser são é ser vigiado. O cara tomava todo dia o café no escritório e gostava. Hummm, delicioso! Um dia, ele se queixou à moça do cafezinho. Disse que estava ruim. Ela respondeu: ‘Ah, hoje não tem formiguinha!’ Humanizar ao conhecimento é não ter vergonha de ensinar o povo. Mesmo não tenhamos o dom de expandir a loucura, a doença e a paixão como salvo-conduto para que derrubem todas as câmaras que nos obrigam a sorrir pois estamos sendo filmados. Filmados e catalogados como pessoas sãs e vigiadas para riso e chacota geral.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h19
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Prefácio do Retrato de Dorian Gray, por Oscar Wilde.
O artista é criador de coisas belas.
Revelar a arte e encobrir o artista é a razão de ser da arte. O crítico é aquele capaz de exprimir de modo distinto e com material diferente a sua impressão das coisas belas.
A forma de crítica mais elevada, como a mais baixa, é um gênero de autobiografia.
Os que só vêem intenções vis nas coisas belas são depravados destituídos de encanto. É um defeito.
Os que admitem intenções belas nas coisas belas são espíritos cultos. Para estes há esperança. São os eleitos, para quem o belo significa Beleza.
Não existe livro moral nem imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.
A aversão do século XIX ao Realismo é a fúria de Calibã ao reconhecer sua imagem num espelho.
A antipatia que o século XIX vota ao Romantismo é o despeito de Calibã por não ver seu rosto num espelho.
A vida moral do homem forma parte do argumento e do material do artista. Mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um instrumento imperfeito. Nenhum artista pretende provar o que quer que seja. A própria verdade pode ser provada.
Artista algum tem preferências éticas. Uma preferência moral, em um artista, é imperdoável maneirismo de estilo.
Não há artista doentio. O artista pode exprimir tudo.
O pensamento e a linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.
Vício e virtude representam para o artista a matéria-prima de sua arte. Do ponto de vista da forma, o protótipo das artes é o músico. Do ponto de vista do sentimento, é o talento do ator.
Toda arte é ao mesmo tempo aparência e símbolo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h43
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Os que penetram abaixo da aparência o fazem por sua conta e risco.
Os que decifram o símbolo também o fazem por sua conta e risco. A arte reflete o espectador e não a vida.
A diversidade de opiniões acerca de uma obra de arte evidencia que essa obra é nova, complexa e vital.
Quando a crítica discorda, o artista está de acordo consigo mesmo.
Pode-se perdoar a um homem a criação de uma coisa útil, contanto que ele não a admire. A única justificativa para a criação de uma coisa inútil é que ela seja admirada intensamente.
Toda arte é absolutamente inútil.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h42
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Só trazendo Balzac de volta...

“Vou para o trabalho como o jogador vai ao jogo, não durmo mais do que cinco horas, trabalho 18. Deito-me às 6 ou 7 da noite com as galinhas, levanto-me a uma da manhã e trabalho até as oito. Aí, durmo até nove e meia, tomo qualquer coisa pouco substancial, uma xícara de café puro, e volto às galés até as quatro da tarde. Recebo meus amigos, tomo banho e saio, e, depois de jantar, deito-me.”
(A vida de Balzac, por André Maurois)
E o Balzac ainda tinha tempo de ter seus casos amorosos complicados. Mesmo dizendo que só amava o trabalho.
“O melhor da vida são as ilusões da vida.” (H. de Balzac). Prevendo a internet?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h39
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 Charles Bukowski de copo e alma.
Se já está cansado do meu pobre blogue, dê uma olhada num outro que vale mais a pena: www.atirenodramaturgo.zip.net Lá tem até poemas do Bukowski que aqui não tem. Tem textos ótimos da patota do Mário Bortolotto... vá e se deleite.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h54
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 O sorriso da Gradisca, no centro, formanda de Arquitetura, em Londrina (PR), começo do ano.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h34
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 Gradisca comemorando a formatura em Arquitetura, em Londrina, no começo do ano. Eu tinha guardado essas fotos só não tinha conseguido publicar aqui. Viva a Gradisca! Agora ela faz mestrado na USP de São Carlos (São Paulo)
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h27
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 Três bem lindas: Anaïs, Gradisca e Milena, preparadas pro grande baile da formatura
 Gradisca e eu, antes da valsa.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h25
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 Gradisca e eu na formatura dela em Londrina, começo o ano.
 Anaïs, Milena e Célia preparadas para o baile da formatura.
 Eu e elas
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h23
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 Formatura da Gradisca, em Londrina, no começo o ano: na foto - An
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