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Será que ninguém vê isso?
Foi o que a mulher perguntou diante da televisão onde a Xuxa gritava e incentivava as crianças participantes do seu programa.
A mulher, uma faxineira, continuou dizendo: Será que a Xuxa não se enxerga? Já deu o que tinha que dar! As crianças ainda assistem?
Outra mulher emendou: Também, o que se vai fazer? Só tem isso...
A faxineira completou: Será que ninguém vê isso? Que tá na hora dela parar?
Enquanto isso, deu inverno na cabeça. Nem julho acordou no calendário e o tempo fechou. O sul mandou frente fria, quase congelante. Saíram todos os capotes dos armários, as luvas se encheram de dedos e não dá pra encarar o céu.
A Copa do Mundo fez uma pausa e ninguém notou. Arrefeceram os ânimos e agora é só espera. Uma espera que não propõe nada, nenhuma discussão, nenhuma conversa sobre a invencibilidade tímida da Seleção. Vencer a qualquer custo, ou seja, ao custo de milhões de dólares investidos pelos patrocinadores. O espetáculo é o todo da Copa, o futebol é à parte. A Alemanha gastou horrores pra deixar os estádios na melhor forma. Tudo muito lindo, confortável e duradouro. Devem estar faturando os tubos com os torcedores que povoaram as cidades. Os jogos são apenas episódios dentro do grande espetáculo da Copa. Horror de ter que ver mil vezes cada gol, de vários ângulos, preenchendo o vazio da espera. Mesas redondas e comentaristas quadrados aos montes em todos os canais. Uma tentativa em vão de convocar todo mundo, não pra ver os jogos, mas pra dar audiência ao canal de televisão.
Eu estava pensando que a Copa começou mesmo há quase dois anos. Agora são as finais com os países classificados. Por que só valem, para os artilheiros, os gols marcados agora? Por que tantos recordes devem ser quebrados? Até de expulsões? De entrar em campo com a camisa da Seleção, de fazer sinal da cruz, de cuspir no campo, de discutir com o juiz. Por que chamam de chatos os que querem ver futebol maravilhoso e não apenas gols salvadores e correrias malucas em campo?
Vi que os jogadores do Brasil precisam mesmo é de um diretor de comercial pra que eles possam fazer malabarismos. Em campo, só o futebol ralo de sempre. Os jogadores de basquete malabarismos nos treinos e nos jogos, não só nos comerciais. É tanto comercial com malabaristas da bola que os jogos mesmo estão cada vez mais pobres. Encheu o saco de tanto controle de bola fora de campo e tanto descontrole emocional dentro dele.
Voltei agora ao blogue depois de uma pausa pra meditação, pra ler, pra escrever, pra namorar e pra assistir aos jogos. Notou minha ausência? Vou rechear seus olhos com moças bonitas enquanto vou enchendo, no micro lá de casa, meus arquivos com textos pra dois livros novos. Se der, deu. Se não der, fica pra outra.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h01
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