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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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As qualidades quase-alegórias das obras de arte da redondeza
A primeira imagem a se gravar na sua lembrança poderia ter sido um crocodilo. Que épicos significados passariam a rondar suas noites e madrugadas. Sem contar os dias de chuva e os feriados nacionais. Você teria êne possibilidades: tornar-se estrategista de supermercado, baiano barrigudo ou, até mesmo, rótulo de margarina. No livro Estranhos Emaranhados, H. D. Lobo sugere que as lembranças são feitas de pó de catuaba misturado com um complexo de inferioridade qualquer. Um explorador profissional de selvas, por exemplo, deve tomar a mistura antes da viagem para não voltar contando que viu elefante roxo e centopéia cabeluda.
Em Cavalariças de Augias, Romeu Pâncreas rebate as críticas indevidas ao seu modo de vestir e andar feitas por um soldado da cavalaria que o confundiu com um lagarto. “Nada a ver. Sou assim porque uma lembrança chata invadiu meu apartamento e me acertou dois tiros à queima-arquivos. Passei a não acreditar em Papai Noel ou na minha santíssima mulher.” Dizendo isso, Pâncreas se retirou de cena e agora só responde por código.
A partir de agora, passo a enumerar os movimentos épicos cíclicos da cultura atual, que são centenas e ninguém – eu, tampouco – sabe. Sei que a certa altura, alguém diz que gêneros contemporâneos se mesclam com fios de fibra ótica produzindo maravilhas culinárias. Puttenham escreveu nota de rodapé importante sobre isso. Porém, o livro nunca foi publicado.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h49
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h15
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Deu no Millôr:
“O homem é o único animal que mente. Nunca vi um gato latindo pra fingir de cachorro. Nem um galo cacarejando pra enganar que pôs ovo. Papagaio não vale. É um reles e ridículo imitador. A primeira mentira humana foi quando o cara viu um Irrrpslll (leão) e o chamou de llispirr (veado). Mas não havia aí nenhuma intenção criminosa. Apenas malévola. Pois o inventor da mentira foi o Homo ludens (lúdico), quer dizer, um humorista.”
Caro Mestre, embora não concorde, tenho que discordar. A mentira/fingimento existe aos montes em toda a fauna e flora. O homem, infelizmente, não foi o inventor da mentira. Ela nasceu junto com a necessidade de sobrevivência de todas as espécies vivas, sejam elas de animais ou vegetais. Ou seja, nasceu com o mundo.
Um gato não late pra se fingir de cachorro, mas um peixe lança um filamento com luz na ponta pra enganar outros peixes e os devora. Uma borboleta imita a cor do tronco da árvore pra não ser devorada. Um camaleão muda de cor. A planta carnívora segrega cheiro de podre pra atrair moscas. O jacaré chora pra atrair as presas. E vai por aí, indefinidamente. A enganação nasceu com o mundo. Veja só, os animais quadrúpedes geralmente têm a parte da barriga mais clara do que a pelagem. Sabe por quê? Por causa da luz que incide, geralmente de cima, e assim o animal não fica com sombra própria muito forte. O que dificulta a visibilidade deles para os predadores.
Abraços, Werneck
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h14
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Lugares maravilhosos e suas descrições nem tanto
Essa da foto é uma pirâmide ou de uma esfinge. Não sei bem se é de Quéfren ou de Zaragoza. Tirei o foto quando fui ao Egito ou à França no ano passado. Não, foi em 2003. Napoleão, quando invadiu a Ucrânia, mandou desenterrar essa pirâmide que estava só com a ponta para fora da areia. Os exércitos do imperador fizeram o trabalho e encontraram a esfinge de Giza. Um inglês maluco um dia pôs dinamite no pé da esfinge porque acreditava que tinha tesouro lá dentro. A explosão falhou, graças a Deus. A pirâmide sobreviveu graças à sua estrutura e a esfinge quebrou apenas o nariz. A pirâmide servia de túmulo para os faraós, mas a alma deles não ficava muito tempo lá dentro. Preferia a vida ao ar livre, vagando pelos desertos à noite. A esfinge não sei bem para que servia.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h17
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VITUPÉRIO EM BOCA ALHEIA É ELOGIO.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 08h58
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Conto de Inverno em pleno Verão
“Sinceramente, é um prazer discutir com você.” Essa frase que ouvi da boca do Sr. XXX é de uma dualidade harmoniosa de cair o queixo. E ele caiu, efetivamente, dentro do prato de sopa que estendi no varal à cata de sol e vento. Estou repetindo aqui a frase pra você ouvir como tenho razão. Preciso falar mais alto? Um prazer discutir comigo? Tirei da gravata O paradoxo retórico, de Gandhman, e meti-lhe nas fuças. Não tive dúvidas ao citar que “as disputas com o Sr. XXX dissolvem-se na fumaça dos helicópteros em chamas”. Mandei meu clone à feira e aproveitei pra reler o livro. Nem precisei defender o paradoxo, pois ele havia freqüentado a academia de caratê por dois anos. Além de ter mais de 1,90 m. Apenas me situei num dos cantos da sala, mais precisamente no canto oposto ao do outro lado, e mandei que retirassem do local quadros, crianças e talheres. Nessa ordem. Tudo prometia pancadaria da grossa. Aristóteles entrou em ação e lascou o excerto do Capítulo VII do Livro III do seu A Alma: “Não é uma pedra que está presente na alma, mas sua forma. Donde se segue que a alma é análoga à mão; pois assim como a mão é a ferramenta das ferramentas, assim a mente é a forma das formas e sentido, a forma das coisas sensíveis.” Distraí-me e foi assim que senti a pancada na cabeça. Sensivelmente, capotei sobre o sofá. Sr. XXX escapou pela secante. Aristóteles, mais uma vez, afirmou: “Todos os homens, por natureza, desejam conhecer.” Queria conhecer quem inventou que da discussão nasce a luz.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h50
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h25
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 Ritual satânico ou Jogando pedra no diabo
Dois milhões de peregrinos, de todas as partes do mundo, vão à Meca todos os anos e jogam sete pedras, cada um, nas colunas que representam o diabo, na cidade de Mina. Hoje, terceiro e último dia do feriado religioso, o diabo atentou e sessenta morreram no tumulto que se formou. Dezenas ficaram feridos. Ao meio-dia, alguém que pediu pra não ser identificado, talvez o mordomo, entrou solenemente na sala e sentenciou: “O resgate de cadáveres terminou.” Indiferentes ao cortejo fúnebre, os peregrinos vivos continuaram jogando pedras no diabo. Em 1990, 1.400 peregrinos morreram. Em 2004 foram 244. E assim caminha a humanidade. Rezando e jogando pedra no diabo.
PS. Subiu pra 345 o número de mortos, agora à tarde.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h23
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 Traídos pela sombra
As histórias da sombra são (ops!) assombrosas. Em 1909, um cara tentou enganar o mundo dizendo que tinha chegado pela primeira vez, com sua equipe, ao Pólo Norte. Tirou foto com seus cupinchas na frente de um monte de neve e foi aplaudido pelo feito notável. Outra equipe também registrou o feito e quis ser a vencedora. Digamos que o nome do chefe da primeira equipe fosse Mr. Bear e o da segunda fosse Mr. Love. A disputa foi acirrada e a descoberta ficou sendo de Mr. Bear, registrada pelos órgãos competentes. Só que nenhuma das equipes chegou realmente ao Pólo Norte. Só oitenta anos depois tudo foi esclarecido... pela sombra das fotos. Seria simples, se não fosse a sanha dos conquistadores. Acontece que no Pólo Norte, no dia 6 de abril de 1909, o Sol devia estar a apenas 6º de altura no céu. Ou seja, lá no horizonte. Logo, a sombra dos caras das equipes devia ser longuíssima. Nas fotos, eles não têm sombra comprida. Parece sombra do meio-dia, igual faziam os pintores antigos pra não ‘sujar’ a cena. A (falta) de sombra denunciou os malandros conquistadores. Incrível, mas é verdade.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h58
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 Olhe pra ele pela última vez. O aquecimento global está extinguindo os sapos dourados do Panamá. O calor excessivo provoca a proliferação de fungos que atacam os sapinhos. Várias espécies já se foram desde os anos 80. É nóis pagando sapo!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h26
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 Monet
Sem esforço, se tivesse que eleger um deus...
Seria o Sol.
Volto aos mitos antigos, às crendices primárias, aos medos cavernosos. Deus-Sol. Tem gente que acha que deus é o Pelé, ou a Madonna, ou o Tony Ramos. Sem piscar, sem olhar direto pra ele, escolheria o Sol. Um minuto que ele piscasse, adeus, Terra. Um dia que ele faltasse ao trabalho, nem poeira sobraria. Gelo total. As plantas confirmam o Deus-Sol. Os animais, idem, estatelados ao Sol. Ra para os egípcios. Adorado pelos incas, maias, esquimós, escandinavos. Sol depois da chuva, Sol de manhã cedinho, pôr-do-sol radiante. Sol pra praia, pra plantar, pra acalmar. Sol depois de uma noite de sono agitado. E vem o Sol, sempre com o mesmo tratamento a todos. Sem separar raça, credo, cor. Vem direto. Sempre sorrindo. Cada um colhe sua parte e ele não diz se é pouco ou muito. Cada qual sabe onde lhe arde a queimadura, por si mesmo escolhida. Saudar o Sol é quase obrigatório. Reverência silenciosa e duradoura. Salve, Sol!
 André François
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h05
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 Bem-vindo, mas limpe os pés.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h32
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"People are crazy and times are strange I'm locked in tight, I'm out of range I used to care, but things have changed" Bob Dylan > no clipe
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h57
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LOVE IS THE ANSWER. BUT WHAT IS THE QUESTION?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h46
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Descobri que Sam Mendes definitivamente não é dos meus cineastas preferidos.
Dobrei a esquina e descobri, também, que no fim do sexto século antes de Cristo, a idéia de ser a Terra uma esfera, flutuando livremente no espaço, se estabeleceu firmemente. Flutuando firmemente e livremente, heim, dona Terra. Orbitando, bebendo e vomitando na Via Láctea. Bom programa pra domingo. Descobri, mais adiante, que não adiantava ver a dança da chuva da janela. A música era ruim. Os passos eram mal ensaiados e a banda não tinha charme. Voltei duas quadras e descobri o bar querendo me perdoar por ter faltado nas duas últimas semanas. Fingi que não o conhecia e apurei o passo. A Terra ao léu no céu, eu ao léu no chão. Ambos orbitando e tentando viver alguma coisa parecida com vida. Dei meia volta e descobri que é bom ser amigo do bar. Ele me recebeu de garrafas abertas, sem nenhuma repreensão. O Sol ia entrar na jogada, mas se escondeu atrás de uma nuvem. Virei a cerveja no copo e na boca. Agora, refeito, vou descobrir outras coisas mais importantes. Talvez um livro no sebo, um caminho marítimo para as Índias, a verdade sobre os variadíssimos pendores dos humanos e os divertidíssimos assuntos que os deleitam. Ah, descobri, pra piorar todas as possíveis dores de cabeça dos meus semelhantes, que a Lua está se afastando de nós à razão de 3 a 4 centímetros por ano. A relação Terra/Lua está se esvaindo, por causa da falta de comunicação. Fomos lá, roubamos pedra, tiramos fotos, prometemos amor eterno e jamais nos interessamos pelos problemas existenciais dela. Não discutimos a relação, não mandamos flores, nem chocolates. Ah, tá!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h07
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A revolução dos bichos
 Definitivamente, pegaram os bichos pra Cristo. Tem galinhas com gripe, vacas com febre, carneiros e ovelhas sacrificados, elefantes atropelados, fora os que estão normalmente em extinção. Vamos fazer uma grande oração pra que Noé volte, construa nova arca (agora, espacial) e leve os pobres bichos pra bem longe da Terra.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h43
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A pressa é inimigada perfieçaão
Fui escrever baseando-me na orelha do Boomerite e me dei mal. O Ken Wilber não escreveu o livro aos 23 anos. É tudo colagem pós-moderna do tradutor. Tudo ‘gozação’. O autor nasceu em 1949 e publicou o livro em 2002. Tem dezenas de livros de filosofia e centenas de artigos. É considerado o papa dos pensadores modernos (pós-modernos?) dos EUA. Na orelha diz que ele vive em Denver, no Colorado, com sua noiva Chloe Walters e o cachorro Isaac. Só que ele, na verdade, já casou com Márcia Walters em 2001. E está descasando por um acordo estranho entre eles. Márcia foi modelo pra Chloe que é personagem do livro. E nem é de Massachusetts, mas de Oklahoma. Ou de Boulder, Colorado. Ufa! Sorry, gente. É tudo pós-muderno, não ligue! Ah, tá!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h33
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 Bangladesh - véspera do feriado religioso Eid-al-Adha, onde são sacrificados milhares de carneiros e ovelhas. Bééééééééééééé!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h50
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 Enquanto isso, num local muito distante, Sharon move o lado esquerdo da face, um homem-bomba explode num café de Bagdá, os sobreviventes do terremoto do Paquistão choram seus mortos, o supermercado rouba no preço dos produtos.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h20
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Caminhando pra frente com um pé atrás
Quando te digo que sou pós-moderno antes mesmo que o modernismo fosse inventado, não duvide.
Fui ao meu sebo favorito e achei mais umas preciosidades. Um tal norte-americano de Massachusetts, Ken Wilber escreveu, aos 23 anos, um ‘romance’ chamado Boomerite – um romance que tornará você livre. Boomers formaram as gerações de gênios (!?) nascidos entre os anos 40 e 60. Logicamente, nos EEUU. Tem 414 páginas. Entre os sete itens que o prefaciador e tradutor colocou como receita de pós-modernismo, o item seis diz: “Pós-modernismo desconstrutivista é, principalmente, uma atitude negativa de crítica distorcida, não uma contribuição positiva; consequentemente, a arte pós-moderna, quando consegue ser vagamente positiva, normalmente o faz incluindo – roubando – elementos de expressões artísticas passadas (já que não consegue pensar sobre qualquer coisa nova por si mesma). (...)” Isso significa que vale-tudo. E isso já faço há séculos. O mais engraçado dessa vida é que, como disse no título, caminha-se pra frente com um pé atrás. Na dura, eu nem poderia ter citado aqui essa parte do romance. Logo onde estão os créditos do livro tem escrito: “Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, etc., etc., etc.” Se isso fosse seguido, baseado no item seis, não existiria pós-modernismo, né? A editora lança um livro ‘revolucionário, mas resguarda-se num conservadorismo gritante. Igual fez outro revolucionário Marshall McLuhan que ‘pregava’ o fim dos tempos do livro, mas escreveu um livro pra dizer isso. Ou, como, quando surgiu o PC e todo mundo disse ‘fim do livro’, só que pra aprender o Corel Draw escreveram um livro de mil páginas. Ah, tá!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h04
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Re-pousa-e-avoado-voa
Dentro do neo-neologismo roseano, achei a ‘verdade’. Imagino que você não seja um desses que chega diz ‘a verdade é a seguinte:’, ou, enfatizando, ‘na verdade, na verdade...’ Pois, se encontrasse a Verdade, essa com decote em V maiúsculo pra segurar os peitos anchos, iria convidá-la pra ir ao cinema?
Ela: — Ah, filme é filme. Na verdade, é ficção, cara! Acredite em mim. Por que ficar tentando dizer que ‘retrata’ a vida dos moradores da Tanzânia?
E iria levá-la ao shopping?
Ela: — Tudo é consumismo, cara. Você não precisa de um relógio novo pra marcar as mesmas horas de sempre. Acredite em mim! Não precisa de celular com duzentas funções. É ilusão! Nem fala, ao vivo, com o vizinho!
E iria sentar com ela num boteco pra tomar cerveja?
Ela: — Vamos embora daqui, cara. Esse papo de bêbados só serve pra te fazer dormir mal. Com o estômago virado pela papagaiada insana de gente vazia.
E iria com ela à praia?
Ela: — Veja essa gentarada que se joga na areia e fica torrando os miolos ao meio-dia. Já nem usam direito e ainda levam direto ao fogo alto pra queimar de vez. Ah, que enjôo!
E iria com ela pra cama?
Ela: — Sabe que o sexo é escapismo. Fora da concepção, não tem salvação. E casaria com ela? Teria filhos com a Verdade? E quando caíssem os peitos e o decote virasse gola olímpica? E agüentaria a sogra da verdade falando de tempos pré-socráticos (‘Esses sim, eram bons!’), sem ipod pra cinco mil músicas, sem filmes animados ‘perfeitos’, sem celular com tela panorâmica, sem tevê a cabo pegando canal de Júpiter, sem os trinta mil produtos fajutos das lojas de 1,99, sem a décima versão do King Kong (agora com macaco hidráulico!), sem dvd com superhiper-home teather e sem outras alienantes e terrivelmente enganosas e supérfluas invenções?
Ah, tá!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h37
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Marçal ‘marcial’ Aquino aqui no blogue:
Marcial é lutador. Sob o signo de Marte, o planeta, das artes marciais e dos ‘antigos’ e sonhados marcianos. Lutar com palavras é a luta mais sã.
Marçal mora, vive, escreve e bebe em Sampa. E escreve, escravo, escreve. Conheço Marçal de botecos paulistas. Graças ao amigo em comum, incomum, Sérgio Fantini. Marçal lançou um livro, Marçal lançou dez livros, Marçal escreveu filme (O invasor) e Marçal acaba de lançar outro romance. Só o título já vale: ‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’. E por aí vai. Ele ironiza sua vida de escritor dizendo que tem vocação incrível pra fazer coisas que não dão dinheiro. Oras, Marçal, a gente sabe que única coisa que dá dinheiro é árvore! Vamos pro boteco qualquer dia, Marçal, Fantini, Barreto, Marino, Caio, Giffoni, Chico Mendes, que é melhor. E recomendo, aqui, Marçal, seu livro novo pra meus leitores e leitoras. Saiu pela Companhia das Letras, esse.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h08
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 Tive que substituir o clipe. Não estava funcionando. Aí vai um clássico. ABBA, com as lindas cantoras. Depois, volto com Pussycat Dolls.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 08h45
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Mero bolero
Epicteto disse “não são as coisas em si que inquietam os homens, mas as opiniões que eles formam delas”. Pronto, está armado o circo. E o cerco. O mundo é amorfo, inoperante. As coisas estão aí por estar. Não me diga que sabe por que um grilo estrila adoidado e um mosquito importuna em plena noite de verão. Ah, santas criaturas! Mas, para quê? E nós mesmos, para quê? Caçam-se vacas e bois com febre, matam-se aves com gripe e nós, os cavalões, continuamos correndo. Indo e vindo. Batendo cabeças e corações. Desviando de poças d’água e caindo abestalhados no abismo. E agora, para finalizar a audição de hoje, um mero bolero. Não existem meros boleros. Bolero é bolero. E tenho lido: “A pobreza resulta do aumento dos desejos do homem e não da redução de suas posses”. Stop and goooooooool!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h04
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O clipe de hoje é pra Célia. Um bolerão espetacular. Sway = agite, balance. Ao fundo, pode-se ver Richard Gere dançando com Jennifer Lopez, no filme Dança comigo? Se não tocar logo é porque o site está fora do ar. Vale a pena. Ah, as BoneGatas ofereço pros meus fiéis leitores.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h41
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Perambulando pelas pelejas: oras, bolas!
Tem um tempo em que a gente está vazio. Acha que está aqui, mas não devia. Acha que podia estar noutro lugar, mas talvez não esse que insiste em se fazer fotografar pelas modernas câmaras digitais 5.0. O sol aponta pra praia. A lua aponta pros desertos. O vento, coitado, se bate todo atrás das nuvens, sem pegar nenhuma. A chuva, quando vem, quer logo subir no trono da rainha das chuvas. Bate forte e estrondeia. Alardeia a chegada com relâmpagos e trovões. E vai embora pingando das árvores e correndo pra dentro dos bueiros. As idéias fazem tic-tac, tic-tac, tic-tac... num estranho relógio antigo de parede. Porém, nada se concretiza. A vontade é de ficar contemplando o nada sem ninguém dentro. O azul do céu é ponto de referência ideal. Nada além do éter, a não ser astros enrustidos em distâncias catastróficas. Bolas de substâncias opacas que fazem o deleite de astrônomos pendurados em possantes telescópios. Ontem, olhando a lua minguante. Hoje, atrás de Vênus. Amanhã, anéis de Saturno.
Perambulando pelas pelejas: tem um tempo em que a gente está vazio. E esse tempo é agora. Oras, bolas!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h00
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