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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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 Dorme, neném, que a cuca vem pegar...
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h11
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Retrato falhado do Brasil
 Sampa X Lula (em férias)
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h29
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Os três memorialistas
Um escritor que se preza (não conheço muitos deles, pra dizer a verdade) tem que escrever, um dia, um ensaio. Ensaia daqui, ensaia dali, ele quer mesmo é bater na porta da posteridade. Que ela rinche e se abra! Pensei, no meu caso, em encher umas duzentas laudas com três grandes memorialistas. Caras que se especializam em chafurdar as charnecas da vida pessoas já desaparecidas, às vezes, eles mesmos, e os porões de fatos empoeirados e pulguiços.
Elegi, primeiramente, Francis Murray Banchory. Um inglês de polainas que se especializou em cartas nunca escritas. Ele teve a paciência e a determinação de fuçar a vida de duzentas e trinta pessoas de importância na política bretã. Desvendou mais ou menos mil e trezentas cartas que deixaram de ser escritas por elas num período de dez anos. Só um exemplo: Winston Churchill deixou de escrever e enviar onze cartas pra uma certa senhora casada de Ipswich. Churchill detestava até pronunciar o nome Ipswich, pois cuspia farelos de charutos encravados nos dentes. Veio a guerra e o eminente político preferiu tramar a derrocada dos alemães.
Em segundo lugar fui em busca de referências sobre Sundaram Venkataramam, um indiano que tinha memória de elefante (sem malícia, ok?) e farto material sobre meditação das vacas nas quatro estações. Vantakamaram deu ao mundo um compêndio de grande utilidade, uma vez que as vacas meditam voltadas para o leste. Isso faz com que nós, ocidentais, possamos comer cogumelos, queimar incensos e jogar tênis de mesa. Se as vacas meditassem voltadas para o oeste, ou seja, o pôr-do-sol, já ninguém mais habitaria esse planeta. Ventatarakam previu que um bode alcançaria a ‘iluminação’ perto de Hyderabad. Ele não só o fez, como assinou contrato pra jogar no Barcelona.
O terceiro eleito foi Jean Champrosay, ainda vivo. Procurei-o, mas ele foi mal-educado e não se lembrava de nada sobre o assunto. Que assunto? Ora, qualquer um sabe que ele se dedicou, durante vinte anos, à vida dos trombonistas da Albânia quando a criançada faz xixi dentro do instrumento, nos intervalos dos ensaios. O trombonista XXX (não quis se identificar) disse (aliás, não quis dizer nada).
Hoje, estou realizado. Cumpri mais uma parte da minha carreira de escritor. Sorte sua não precisar ler o livro inteiro que se chama Restlessness in peace.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h53
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 Ilustração do rótulo mais abaixo, depois que chegaram outros ilustres convidados ao Bar Brasil 41: Silmara, eu, Fantini, Giffoni, Chico Mendes e Alexandre Marino. Salve, BH! 28/06/2003
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h13
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 Morfeu, Morfeu! O que você tem que não tenho eu?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h41
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 Belo retrato do mundo pós-moderno: fome no Paquistão depois do terremoto.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h22
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 O Alexandre Marino me mandou de Brasília uma lembrança de 2003, quando fui a BH. Nós: Fantini, Silmara, Alexandre e eu no boteco Brasil 41. Só que o Marino já devia ter tomado todas... pois escreveu que já fazia 'quase 50 anos' que nos conhecíamos. Dava 31. Hahahahahahaha! A gente se conheceu, mais o escritor Antonio Barreto (BH), em Curitiba, por ocasião da entrega dos prêmios que ganhamos no Festival de Artes Colegiais (Brasil inteiro).
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h07
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Conversa de canários
A coisa mais importante que aconteceu em Curitiba, nos últimos dez anos, foi a mudança recente, pra cá, dos canarinhos do campo.
Fui um dos ‘responsáveis’ pela fabricação da Capital Ecológica. Ainda ecoam as campanhas do ‘Lixo que não é lixo, não vai pro lixo: SE-PA-RE’ e a do ‘Pegue o Ligeirinho, chegue rapidinho.’ E mais todas as que fizeram Curitiba ser o centro de atenções do mundo, com 17 grandes parques, ciclovias e áreas verdes. Muitas famílias vieram morar aqui por causa disso.
Agora que a cidade perdeu a aura é que está virando ecológica mesmo. Os passarinhos do campo estão em todos os matinhos, terrenos baldios e ruas (pomba selvagem, rolinha, paruru, canário-da-terra, pintassilgo, quero-quero, joão-de-barro).
Pra mim, a vinda dos canarinhos amarelinhos trouxe de volta a minha infância. Meus sonhos de armar alçapão e caçar canários. Só que eles viviam longe. Sabia de gente que ia até Araucária e Porto Amazonas, de trem, pra caçar.
Hoje, eles estão bem aqui no fio de luz, estralando ao sol. Gosto de ouvir e vou em pensamento até as minhas gaiolas e viveiros da infância. Sol batendo, água limpa, alpiste no cocho. Bem-vindos, canarinhos! Cantem aí, pra abafar nossa desesperança.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h30
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Escriaturas das profundas das palavras
Checov, escritor russo, segundo muitos o maior contista que o mundo jamais produziu, teve a pachorra de acumular frases para orientar outros escritores. Fui lendo várias das 99 frases que um outro escritor teve a pachorra de compilar em livro. Lá pelas tantas, dei com uma frase que estremeceu o ar do quarto. Veja só: “Deus meu, não permitas que eu julgue ou fale do que não conheço e não compreendo.” Na primeira passada, tudo bem. Dá idéia de que ele acredita que um escritor só deve escrever sobre o que conhece e compreende. Mas, ao ler de novo, vê-se que a frase começa com ‘Deus’. Quem conhece Deus? Ninguém. Quem julga as ações de Deus? Milhões. A frase, pra mim, ficou bastante interessante. Será que Checov não tinha dúvidas de quem seria Deus? Achava conhecer Deus a ponto de pedir proteção contra desconhecimento e julgamentos? Por mim, acredito que só sei se conheço alguma coisa quando termino de escrever. Se eu só escrevesse sobre o que conheço, estaria em plena lua minguante. Alguém disse algo que me interessou mais: “Se eu soubesse como meu livro termina, não precisaria escrever.”
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h28
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 Só pra atrapalhar, mais uma nos braços do tal Morfeu.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h20
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 ADEUS ÀS ARTES
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h53
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 cena zoo logicamente perfeita
a girafa
gir afaga
a girafinha
a ce
naturalmen
te
n feita
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h54
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 Coisas (novas) estão acontecendo...
Agora você tem uma seleção de clipes pra ver/ouvir, de acordo com seu humor, seu fígado, suas elucubrações. Só deixar rolar e entrar no fantástico mundo da música. Enquanto isso vou tratando das outras coisas. Queria um blogue dinâmico/interativo, pra não passar mais um ano falando sozinho. Queria descobrir onde nascem os ápodes (animais da classe baixa dos peixes, sem nadadeiras ventrais, sem dinheiro no banco, nem parentes importantes na política) e por que é que um coracirrostro não fala com seus vizinhos hipercerebrantes depois das duas da tarde.
E pensar que Checov, o escritor russo, deixou uma centena de frases sobre como contar um conto. Veja que legal, em espanhol: “Escribir para los criticos tiene tanto sentido como darle a oler flores a una persona resfriada.” Atchim! Atchim seja! E esta: “Cuando escribo, confío plenamente en que el lector añadirá por su cuenta los elementos subjetivos que faltan al cuento.” E eu aqui, dando milho aos pombos!
Ah, me perguntaram se é mesmo verdade que as fases da Lua nada têm a ver com a sombra que a Terra projetaria no satélite. Não se preocupe. É verdade: nada têm a ver. Vou mostrar um desenho. O Sol é diretamente responsável pelas fases da Lua. Essa questão foi proposta para dezenas de alunos de uma escola e muitos duvidaram. Achavam que cada Lua Nova era um eclipse.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h28
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 Saudando o Ano-Novo nos braços de Morfeu.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h01
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Pintura (óleo sobre sombras)
Interessante. Passei a semana envolvido, como já disse, por sombras. E veio a iluminação. Já notou que os pintores evitam a sombra? Não digo a sombra própria de um corpo, mas a sombra projetada? Todos os elementos dos quadros parecem estar sob a luz do meio-dia. Peguei uns exemplos só pra você perceber. A sombra projetada, apesar de ser fundamental pra que conheçamos os objetos e o mundo, não tem vez na pintura.
 Pigmalião e Galatea, do francês Jean-Léon Gérome, 1890
 Tamaris, do francês Pierre Puvis de Chavannes, 1880
 Sleep, do francês Pierre Puvis de Chavannes, 1880.
Veja a posição do sol e me diga se existe sombra projetada!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h14
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Como é do conhecimento de poucos... 
Passei a última semana envolvido por sombras. Você sabia que o que chamamos de noite é apenas a sombra da Terra em si? E que um eclipse lunar só pode ocorrer com a lua cheia? E que as fases da lua nada têm a ver com a sombra que a Terra projetaria no satélite? Por isso, resolvi escrever um tratado, embora não soubesse como. Depois de quatrocentas páginas, dei por fim o trabalho. Tentei reler, relutando, e achar um nome. Pensei em Tratado Geral das Correntes Alternadas quando Jovens. Li na diagonal meu volumoso microescrito e não achei nada sobre eletricidade. Consultei amigos e dois deles se dispuseram a ler a primeira página da introdução. Na sexta linha do primeiro parágrafo pararam, exaustos, e foram unânimes em afirmar que o melhor nome seria Tratado Geral das Coisas. Agradeci e mudei. Logo comecei a divagar e achei que podia mudar tudo, uma vez que ‘coisas’ é vago o suficiente pra que eu propusesse uma nova forma de se olhar a vida a partir de um dente de alho e desentortar pregos. Acrescentei ‘em Si’ ao título e fiquei contente: Tratado Geral das Coisas em Si. Ficou com ar estruturalista e filosófico. Assim, depois de mais dois dias havia reescrito as quatrocentas páginas, acrescentando um pós-escrito de cem laudas. Eram apenas dicas de como coçar o saco nas férias sem importunar o próximo. No final das contas, hoje posso dizer que sou autor de um tratado. Estou emparelhado, intelectualmente, com Montesquieu e Virgulino Lampião. Quantos vendedores de sorvete podem dizer o mesmo?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h35
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Não sei, talvez eu já tenha perdido a barca do Bukowski.
Dá na mesma. Villon, Baudelaire, Leminski, Bukowski et caterva. Os reflexos ainda estão nas janelas, nos blogues, nos bares, nos livros. Aquela azia, a sede imensa logo de manhã, a bexiga implorando perdão, a cabeça batendo estaca, o sol ardendo nos olhos. As palavras tontas e tão loucas jorrando. Litros de vodka, rum, cachaça, uísque, gim pelo ralo. Poemas em guardanapos. Discussões sem-fim só pelo amor à última palavra, à conceituação equivocada, aos olhos arregalados. Sempre tive a impressão de que a palavra salvaria o mundo. Um verso perfeito, um conto magistral, o romance do século. Le mot just. A palavra, porém, nunca se esgota. Mas nos esgota. A gente vai puxando o fio da merda e ela vai ressuscitando Kerouac, Cassady e Rimbaud. E o copo se enche e esvazia. A palavra é o pio do povo. E a festa parece que não acaba. A barca do Bukowski passou lotada, de novo. Perdi a passagem. Só de me embrenhar em mim mesmo já não acho saída, muito menos a entrada certa.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h20
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Retificação: onde você leu "O mundo é assim mesmo e ponto final." Leia: "O mundo é assim mesmo e ponto-e-vírgula."
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 08h50
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Bom dia, bom Ano-Novo!
Aliás, ontem mesmo, no primeiro dia do Ano-Novo, vi que o ano tinha mesmo começado. Na pizzaria, todo mundo com cara amarrada. As festas inacabáveis acabaram, os abraços apertados se desapertaram, as saudades infindas findaram, as promessas de eterna fraternidade se quebraram e todos voltaram aos seus antigos lugares na vida. Nada de se olhar, nada de sorrisos, só tocar adiante o carro velho e rangente da desesperança.
Aliás, no dicionário e nos manuais de redação diz que se escreve ano-novo com hífen. Que sufoco no final do ano quando tive que fazer montes de cartões de boas festas. Todos os clientes achavam que estava errado. Que fazer? Contentar a todos e dane-se a gramática. Feliz Ano Novo!
Aliás, tudo bem por aí? O blogue vai ter mudanças logo. Espero que sejam pra melhor. Vi que minha ausência nem foi notada. Tudo como dantes no quartel do Bacacheri.
Aliás, passei uma semana de plantão e os índios não atacaram. Por sorte.
Wernas Dark, de volta ao agora.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 08h25
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