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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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100 comentários: apenas latidos
Aldrovando saiu cedo de casa. Não, ele não esqueceu de prender o Cioran. Fez isso como castigo, pois o bicho latiu a noite toda. Aldrovando havia levantado da cama, perto das quatro da manhã por causa do barulho. E não viu nada de anormal. Cioran era partidário da abolição dos sonhos por causa do esgotamento físico e mental que eles causam. Se a gente conseguisse, dizia ele, usar a energia despendida nos sonhos pra causas mais nobres quando acordados, isso seria fantástico. Já teríamos ido, de mala e cuia, pra além dos confins do Universo. Teríamos inventado a colher de dois gumes, a roda de ar líquido, o vidro complacente, a cura pra inveja, a gasolina cremosa com cheiro de morango, a cura pra calvície mental, e outras dessas intrigantes descobertas que teimam em ser difíceis por pura falta de energia em nossos transmissores. Energia perdida numa orgia de sonhos noturnos.
Aldrovando saiu cedo de casa, como já disse, com certo propósito. Não era partidário político, não tinha afinidades com astros de televisão, nem queria ser dono de algum terreno em bairro afastado. Era um cidadão comum, sem culpa no cartório nem dívidas muito grandes. Mas, Cioran tinha que ser sacrificado em nome do bom sono, mesmo sem sonhos. Sonho é uma atividade absurda do cérebro. Ele se aproveita do nosso cansaço e nos faz de bobos durante a noite inteira. O que a gente faz durante um sonho é dar inveja ao Einstein bem acordado e com a língua de fora. A relatividade do tempo/espaço é fichinha perto dos vôos, da mudança de cenário, dos cortes ultracinematográficos de cada sonho.
Por certo, Cioran havia teorizado sobre isso e queria pôr em prática bem no quintal da casa do Aldrovando. Cioran parecia ter inventado, sem dormir, o famoso moto-contínuo: latir, latir, latir. Um latido sem medo, sem ênfase, sem direção. Apenas latido canino em seu estado mais puro. Cioran era adepto dos ‘possuidores de uma vigília ideal’ que iria desvendar todos os segredos metafísicos, físicos e de paraísos fiscais além-mar.
Aldrovando até ia concluindo que isso seria mesmo muito bom. Deixar de cumprir a rotina escovar os dentes/fazer xixi/pôr pijama e catchaplúfete na cama pra sonhar seria muito bom. Seria ótimo deixar de acordar assustado e suando porque um sapato de cromo alemão apareceu falando em mandarim sobre a barbada no terceiro páreo de domingo no Jockey. Principalmente, se o sapato abrisse uma boca cheia de pregos maldizendo sua teimosia de apostar num cavalo que chegou em último montado por um pudim de leite condensado.
Porém, Aldrovando teve um insight que nem em sonhos teria: e se todo mundo não sonhasse? Os chatos de boteco nos assaltariam duplamente contando as aventuras. As crianças, já superenergizadas por natureza, acordariam a quinhentos por hora. Os publicitários teriam que abandonar a velha e surrada fórmula que diz ‘realize seu sonho disso e daquilo’. Jogar no bicho, então, nem pensar.
Aldrovando pensou em tudo isso enquanto seguia pela rua, morrendo de sono, com firme propósito de sacrificar Cioran. Ia comprar um veneno qualquer. Teria que vender os sacos de ração que havia comprado. Ou aproveitar pra fazer omeletes recheadas com a ração. Doaria a casinha do Cioran prum partido político qualquer. E as pulgas? Elas que se virassem em outro guapeca insone das redondezas.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h29
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em perigo o melhor amigo do homem não tem amigo
foto Steve McCurry - Inundação na Índia
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h51
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ritual singelo feminino sensual só para olhos masculinos
foto Steve McCurry - Katmandu
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h49
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Esquisito Drôle Strano Estraño Strange Drollig
Não estranhe: tá tudo dominado. Tá no Breviário de decomposição, do Cioran, bem assim: ‘Quem não espalha à sua volta uma vaga irradiação fúnebre, e não deixa ao passar um rastro de melancolia vindo de mundos longínquos, esse pertence à subzoologia e, mais especialmente, à história humana.’ Melancólico, de verdade, nunca ia ler isso. Não faria nem o tipo dark de roupas pretas. ‘Seria’, simplesmente. Mas por que um dark fingido funciona? Depois dessa rápida introdução, li um artigo bem longo de David Livingstone Smith, que é diretor fundador do New England Institute for Cognitive Science and Evolucionary Psychology (ufa!), sobre a mentira como componente inata do ser humano (e outros animais e até vegetais). Mentira, dissimulação, auto-engano, etc. Tudo isso, em grau elevado de sofisticação, pertence ao ser humano. Os outros animais e até vegetais usam a mentira, o engodo, a dissimulação com menos variações. Pela sobrevivência da espécie, todos mentem: cheiros, cores, mimetismo, falsos olhos, ruge, batom, perucas, roupas, implantes, flores, cirurgias plásticas, canto, etc.
Grandes pesquisas foram feitas por várias universidades. Concluíram que os mentirosos são mais bem-sucedidos nos negócios, na vida, no amor. Usaram até texto de Mark Twain (escritor norte-americano muito popular lá) como apoio teórico. Mark escreveu: “Quando uma pessoa não consegue enganar a si mesma, tem poucas chances de enganar outra pessoa.” As pesquisas chegaram perto de validar plenamente a frase. O auto-engano é fundamental pra que se consiga viver. Se cada um se conhecesse e se aceitasse como realmente é, sairíamos todos correndo até cairmos exaustos no mais longínquo deserto. Se você disser que não, está mentindo. Depois de tantos séculos de procuras filosóficas e científicas, chega-se à conclusão mais banal sobre ‘por que mentimos?’. Porque funciona. Esquisito, incomodativo, estranho, irônico. Mas, funciona. Será que estou mentindo que li tudo isso? Será que as pesquisas foram forjadas? Hummmm! Drollig.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h23
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nas idas e vidas
nas sombras e sobras
nas lidas e vindas
aos trancos e barracos
a ferro e à folga
as perdas e manhas
deixam mente vã
em corpo doente
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h25
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 O incrível ser humano: passa o furacão, dá enchente (água cheia de porcarias, vírus, bactérias) e o povo nada tranquilamente. Isso em Cuba, depois do Wilma. Pode?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h46
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Tudo o que faço é treino prum jogo que vai sendo adiado indefinidamente.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h13
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 Rogério Dias (aqui de Curitiba) num ótimo quadro pra uma cinzenta segunda-fera. Conheça a coleção de pássaros: www.rogeriodias.com.br
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h14
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Falou em peixe...
 Uma foto fantástica de Luis Quintas (Portugal) pra clarear a segunda-feira.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h20
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Tudo o que escrevo é pop. Só que meu p o v o é        n ô m a d e .
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h33
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Escrevi teu nome...
Hoje de manhã, fazendo a barba, me apareceu uma trovinha ao gosto popular na cabeça. Depois da barba, do banho e de ouvir algumas músicas, fui completando ‘romanticamente’ as quadrinhas e ficou assim:
Escrevi teu nome na areia,
veio a onda e removeu.
Pichei teu nome no muro,
bateu a polícia e me prendeu.
Tatuei teu nome no corpo,
o tempo enrugou e encolheu.
Pintei teu nome na nuvem,
deu o vento e esvaeceu.
Gravei teu nome na placa,
chegou a ferrugem e corroeu.
Implantei teu nome no coração,
deu rejeição e me fo*
Não sei se era pra terminar assim, mas se você tiver outra rima, pode fazer. Eu vou em frente. Terminei alguns contos e mais uns textinhos. E, como hoje é segunda, tenho que ir buscar a roupa na lavanderia, ir ao Correio e resolver outras pendências. Isso na hora do almoço. O resto é atravessar o dia conforme queria o grande imperador Marco Aurélio: driblando chatos, invejosos, fofoqueiros, infernizantes e outros menos votados. Tudo em nome da sobrevivência. Até.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h30
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