NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck
  

Os bosquímanos estão invadindo os parques da cidade.

 

Todo mundo tem o direito de ir-e-vir. Conseguir atravessar a rua é que são elas.

 

Prêmio Nobel de Literatura é a prova de que a justiça tarda e falha.

 

Entre o inventar e o descobrir passa uma caravana de conjeturas ao encalço de uma colméia de mentiras.

 

Ficou muito fácil justificar a preservação ou a destruição do mundo. Basta você dizer que o ama.

 

Não sou um intelectual. E usarei todas as forças do meu intelecto pra provar isso.

 

Não é a nudez que faz o erotismo da strip-teaser. É o desejo encruado dos assistentes.

 

Não tome nada ao pé-da-letra. Se colocar um H em ornitorrinco, ele não vira homem.

 

Pra mim, não importa saber pra onde vou depois de morrer. Quero saber pra onde vou agora, que estou vivo.

 

Quem diz que o que passou, passou... é só começar a escrever a autobiografia ou ir a um psicanalista pra desmentir.

 

Pavão é um sol sem calor.

 

Se todo mundo se criticasse antes de criticar alguém, que bosta seria o mundo.

 

Todo mundo tem que acreditar em alguma coisa. Eu acredito nisso.

 

Sem saída: se eu tivesse como sair dessa/estava em outra.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h20
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MÁQUINA DE PASSAR TEMPO

 

Não, você não leu direito o título. Ele não queria inventar a Máquina do Tempo. A perseguida por tantos e tantos cientistas sérios ou malucos. Aquela de ir e vir no tempo. De visitar a infância ou a velhice. O que ele queria mesmo era inventar a Máquina de Passar Tempo. Só isso. Por onde começar? Que apetrechos usar? Melhor pensar. Sentou-se na melhor poltrona da casa e lá ficou. Zen. Quase nem. Sem porém. Cinco horas mais tarde, ainda estava pensando. Precisaria energia elétrica? Pneus de bicicleta, acelerador de partículas, cartas de baralho? Indeciso, pensava. Logo mais apalpou a poltrona, o tecido macio, e resolveu começar por ela. Adaptou um volante de automóvel, um dial de rádio, motor de liquidificador. Daí em diante, foi fácil. Uma cúpula de abajur, dois garfos e uma faca, uma pá de ventilador, roldanas de persiana. Ficou dois dias indeciso entre uma ou cinco cordas de violão. Decidiu por cinco. Pelos dez dias seguintes visitou ferros-velhos e catou tudo que parecia bom de usar. A família estranhou, os vizinhos balançaram a cabeça. Noite e dia ele pregava, serrava, soldava. Lógico que correu a notícia de que ele endoidara. Pirou. Está dando milho para bicicleta. Jogando queda de braço com toca-discos. Até que, num belo dia de chuva, ele abriu a casa para os curiosos.

         — Vejam! Vejam! Inventei a Máquina de Passar Tempo!

         Risos, muxoxos, bocas franzidas.

         — Não acreditam, né? Pois, olhem: comecei a fabricá-la no dia 29 de novembro de 1993. O calendário mostra que hoje é 23 de novembro de 1994 e eu nem senti o tempo passar. Ele fez passar um ano inteiro! E o melhor vem agora: ela nem está pronta ainda! Pelos meus cálculos e estudos, acho que preciso de mais uns dez ou doze anos. Isso se eu achar todas as peças. Agora, pronta, pronta, funcionando sem nenhum barulhinho, leva ainda uns trinta anos. Aí, posso requerer patente. E revender. Mas isso, isso se eu não descobrir um jeito de modernizá-la, colocando peças tecnologicamente mais avançadas, ecologicamente corretas. Bom, aí vão mais uns cinqüenta anos. Acreditam? Não? Esperam pra ver. Esperem pra ver...



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h17
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uma bienal por ano

 

um dia sem muitos refúgios

duas horas de tráfego intenso de idéias

quarenta centavos de dicionário no varejo

amolecer na sombra – páginas ao vento –  

depois dos respingos de sol quente

sobre o corpo embebido em cerveja

 

consultando de memória os oráculos

— quem se oporia a uma bienal por ano?

os olhos se fecham e o sono responde

com sonhos



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h06
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A partir de segunda (17/10) no Metropolitan Museum of Art (Quinta Avenida com 82and St.) tem Desenhos de Van Gogh. Se estiver por perto, vá ver.

"Diga a ele que eu ficaria desesperado se meus retratos fossem 'corretos' em termos acadêmicos", escreveu Van Gogh, depois que um colega reclamou das distorções. "Não quero que sejam 'corretos'. Verdadeiros artistas pintam as coisas não como são, de uma forma seca e analítica, mas como as sentem. Adoro os corpos de Michelangelo, apesar das pernas serem longas demais e os quadris e costas largos demais. O que eu mais quero fazer é fazer essas incorreções, desvios, remodelagens e ajustes da realidade algo que pode ser 'falsa', mas ao mesmo tempo é mais verdadeira que a verdade literal."


 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h20
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A última reserva de água do Sahara.

Guelta d’Archei, perto da fronteira com o Sudão, no Chad, recebe centenas de camelos. É estonteante o barulho que esses bichos fazem, pois o som ecoa pelas rochas. Na água suja ainda existem crocodilos. Habitantes dos últimos 10 mil anos. Foto de Dario Menasce, tirada do blog A Mega Fauna.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h36
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Capturei de um blogue português. Tá precisando?

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h48
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Treze faixas de um álbum desconhecido

 

Entrou a primeira, era um mambo bem batucado. Mas, me lembrei que não gostava de mambos.

A segunda era um filme brasileiro muito comentado. Levantei e fui ao banheiro. Quando voltei, já tinha terminado.

A terceira faixa me impressionou. Jorge Luis Borges, já cego, tendo visões muito pessoais de livros, tempo, conto policial, etc. Capturei dois tópicos para usar depois das refeições e fui adiante.

A quarta deixou saudades. Porém, não tenho bem certeza se foi por causa da coloração ou do conceito. Talvez não tenha sido por nenhum dos dois. Acho que foi mesmo porque o Inverno saiu de cena e liberou o Sol.

A quinta apresentou uma novidade. Um músico africano – dois músicos, na verdade, tocando algo sublime. A imaginação voou, mas consegui que ela voltasse a tempo de tomar um nescafé com leite.

A sexta faixa estava arranhada, mal gravada. Ou seria assim mesmo seguindo a tendência musical moderna e muito avançada? Firmei ou ouvidos e descobri que era apenas uma discussão política no Congresso. Pulei.

A sétima... deixei pra ouvir mais tarde.

Bem, já que havia deixado a sétima, pulei as outras e botei cinco Cds de blues em sistema shufle. Abri a janela e deixei entrar um ar que vinha de muito longe. Mal alcançou o beiral, caiu cansado. Em suas mãos, um bilhete. Começava assim: “O portador deste é um conhecido vento europeu – Sr. Mistral – que se ofereceu para levar notícias daqui.” (...) Respirei fundo e me lembrei do Van Gogh.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h32
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Feche os olhos e siga em frente, pô!
"Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim." Sigmund Freud



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h26
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DESARMAR TUDO

Por mim, tá na hora da proibição geral. Proibir fabricação de armas de fogo, cigarros, bebidas alcoólicas, drogas, armas brancas e, principalmente, a fabricação de notícias amedrontadoras sobre tudo isso. Além, é claro, de proibir de funcionar já, a Rede Globo.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h20
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   OVNIS EM CURITIBA?

O meu amigo Striq tirou essa foto ontem, depois da chuva da tarde, e ficou assustado. O que seriam as duas luzes? Algum ufologista na platéia pode explicar?

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h19
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h19
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Geometria mental

 

Imagine um triângulo
que não é eqüilátero,
isósceles ou escaleno.

Que raio de ser humano
seria este?

Inscrito na eternidade

que baila no éter

sem previsão de tempo,
ele aponta uma não-direção

tão exata que tudo se curva

diante disso.

E assim seguimos o triângulo

acutângulo, retângulo,
obtusângulo em linha reta.
O pôr-do-sol que circule
.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h04
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Parece um quadro de Chagal, mas é foto de
Chefchaouen, emprestada de um blogue da Tanzânia.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h13
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Todo animal deixa vestígios de sua passagem na Terra. O homem é o único que deixa traços do que nunca conseguiu ser.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h23
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   TUDO O QUE ESCREVO É FICÇÃO. INCLUSIVE MINHA VIDA.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h32
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Coisas do mundo, minha nega.

 

Coloquei como descanso de tela no micro dois singelos versinhos meus: Se eu não escrevesse poesia/sua vida nada valeria. Pus pra rodar aleatoriamente sobre fundo azul. Só que, pra não dar muito na vista, assinei François Villon. Vira piada pra quem sabe quem foi o poeta francês cheio de histórias, que matou gente e que morreu muito novo. Dia desses, eu estava fazendo alguma coisa fora do micro e apareceu a tela e os versos passando. Atrás de mim estava um cara da agência, olhando a tela. Ele leu e perguntou: ‘Por que a ‘sua’ vida nada valeria? Por que não a ‘minha’ vida nada valeria?’ Ele completou: ‘Se eu não escrevesse poesia/‘minha’ vida nada valeria. Não acha?' Disse triunfante. Eu, pra não entrar em detalhes terríveis diante do que ele havia dito, desconversei. Teria que explicar por que pus aqueles versinhos ali. Teria que explicar quem foi Villon. Teria que perguntar, descaradamente, pelo que ele achava que seria ‘correto’, se a vida ‘dele’ valia alguma coisa. Dois simples versinhos poderiam fazer com que o cara não falasse mais comigo. Ficasse ‘de mal’. Pode? Ele leu, pensou e achou que entendeu o que não entenderia nunca... porque logo depois não pensou mais nisso e se foi. ‘As coisas estão no mundo, só que é preciso aprender’, cantava Paulinho da Viola.  



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h39
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