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Escândalos políticos

 

ALVO DE CASSAÇÃO

VIRA

$ALVO DE CASSAÇÃO



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h20
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Agora, falando sério

 

Três dias antes de beber cicuta, Sócrates recebeu Críton. Este se empenhou em fazer o filósofo aceitar o pagamento da fiança, por parte de amigos, pra que ele se livrasse da pena de morte. O amigo tentou fazer Sócrates ver que os algozes não estavam assim tão seguros de que sua morte era necessária. E que a soma exigida não era tão alta. Seria facilmente coberta por algumas pessoas. A conversa entrou naquela fase aguda, típica do filosofar socrático, em que o pensamento dele dava tantas e tão consistentes voltas que o interlocutor acabava concordando com tudo, descobrindo em si mesmo a verdade escondida. Sócrates ‘viajava’ em considerações que podem ser, pelo menos por mim, consideradas pré-kafkianas. Um clima até de pesadelo – quando a gente vê que a porta está aberta, mas o chão teima em fugir debaixo dos pés, ao contrário. E alguém ri disso, sem ajudar. O que me pareceu importante é que Sócrates fez Críton ver que não se deve acatar a opinião de todo mundo, mas somente de alguém mais elevado e sábio. Sócrates pergunta: “Contudo, se ao desobedecer a esse mestre e ao rejeitar seu apreço e elogio, e deixar-se seduzir pelos afagos e elogios do povo e dos ignorantes, não te sobrevirá algum mal?” Críton concorda que o mal sobrevirá. Depois de tudo, Críton diz que nada tem a declarar e deixa Sócrates entregue ao seu destino. Hoje, me pergunto, onde está o guia sábio e capaz, que nos oriente e infunda confiança, calma e boa luz, em contraste com a massa ignara?  (Comentários serão bem-vindos!)



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h36
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Tudo em nome da religião (na Tailândia). Que tal?

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h22
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— Heim?

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h39
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Os lidibriões (parte 1)

 

Ludibrião seria aquele que, num dado momento, deixou de cumprir a ordem superior, fugiu da raia, moitou. Ou seja, fez não acontecer. Ele é improvável na história, mas bem provável aqui e agora na minha história. Tão improvável que não sobrou nenhum pra contar a história e cantar a vitória.

 

Peribânio de Adimanto – Ele teria sido o primeiro ludibrião. Conta-se que no último dia de Sócrates entre os vivos, Peribânio era um dos guardas da cela onde o filósofo curtia a espera do cálice de cicuta. Isso era lá pelo ano 399 a.C. e a Assembléia Popular de Atenas estava exultante por ter chegado à decisão de que o ‘só sei que nada sei’ era balela pra boi dormir. Peribânio recebeu certa quantia em dinheiro pra ir até a botica mais próxima e comprar a cicuta, da mais pura que houvesse. Mas, como ele era chegado num bom vinho, passou pelo vendedor e amarrou um porre do tamanho da República de Platão. Impacientes, os guardas da prisão soltaram Sócrates e ele viveu feliz até seus últimos dias, morrendo de morte natural na paradisíaca ilha de Creta. Teve mulher e dois filhos que nunca quiseram saber de filosofia.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h35
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cantar a derrota

 

ensaiei os últimos passos cansados

diante da multidão passiva

desbaratei a esquadrilha das letras

e nunca mais me diga que Kafka

escrevia em tcheco e era obscuro

obscuro e tcheco é você

que nada checa e passa em branco

depois de um curto e quente verão

cai nas páginas frias da indiferença



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h40
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anarcotráfico

 

faltando

     na balada

                          aquela quente

       anarquia

que gerava

                        idéias de jerico

em mula-sem-cabeça

alargava                 horizontes verticais

descobria pêlo em ovo maltine

            batia pinga no martelo

                          e pão com bolinho

saudava poetas

                   de outras galáxias

prendia musas

                                com garras de seda

tá faltando na balada

              a balada embalada

                         à avis rara

oras cara falta você no embalo



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h28
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Balada à moda da casa

 

De algum lugar estão arrancando pedras

pra que se construam casas em outro lugar.

De algum lugar estão extraindo petróleo

pra que os carros corram em outro lugar.

De algum lugar estão colhendo legumes

pra que sejam servidos em outro lugar.

De algum lugar estão trazendo o vinho
pra que seja sorvido em outro lugar.

De algum lugar estão levando canções

pra que as pessoas cantem em outro lugar.

De algum lugar estão convocando gente

pra que outra gente destrua em outro lugar.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h26
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First Principles

 

Filósofo é um sujeito que, diante de uma dificuldade, cria um conceito. E, diante de um conceito, cria uma dificuldade. (...)

Daí em diante, me perdi em pensamentos escusos, orações insubordinadas, tremendas gafes à mesa e receitas de comidas vegetarianas. Foi um duro golpe na minha sorte. Ela não resistiu e saiu da sala chorando. Deu entrada no Pronto-Socorro e depois foi à delegacia mais próxima registrar a ocorrência. Dei azar. O mês era abril, a hora, incerta. O dia valia-se de uns borrões no céu pra ficar à sombra. Tentei outras direções, mas o vento devolvia tudo o que eu escrevia espalhando as letras as vírgulas travessões pontos até os espaços entre palavras mais dois ou três parênteses que estavam mal estacionados. Resisti bravamente, não fui meramente contemplativo. Exerci o direito de voto e procurei os róis de roupa que mandei pra lavanderia. Hoje tenho plena e absoluta certeza de que não chegaria a nenhum lugar mais distante do que as duas primeiras linhas. Onde se esconderam todos aqueles filósofos tão altos e dignos? Os castelos de areia onde eles moravam estão todos no chão? Viraram brinquedo de criança? Tenho vaga lembrança do menino ingênuo que fui duvidando da redondeza do espírito e do movimento de translação das almas. Quintais inteiros de abalos sísmicos e pecados veniais, ruas cheias de eclipses totais e parciais do Sol e da Lua. Uma árvore se abandonava à meditação ao pôr-do-sol e convidava a duvidar de foguetes espaciais e dos filhotes de passarinho que se debruçavam no ninho. Voei, casei, deixei livros escondidos em buracos de ratos. Virei a página e os órgãos do corpo humano se mostraram todos em proporções exageradas. Fotografados à meia-luz e sem filtro. Nos demos bem, dama, no xadrez, até hoje, embora...



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h32
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Fixe os olhos na cruz e viaje.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h24
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Não sei até agora o que viram de errado na posição de O Pensador. Alguém explica? Pé trocado? Perna trocada? Pensamentos libidinosos? Intenções subliminares? Considerações inconclusas? Ônibus atrasado? What's up, folk ?



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h11
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‘Autor desconhecido’  sou eu!

 

Oras, pipocas! Tantos textos me mandam de autores supostamente desconhecidos, tantas brincadeiras feitas em photoshop, tantas animações em flash, tantas fotos inacreditáveis... Tudo muito anônimo veneziano. Tudo pretensamente pretensioso ou não. Tudo sem destino certo, via ‘encaminhar’. Oras, pipocas, sardinhas! Desconhecido sou eu, que me exponho cruamente no blogue, que assino tudo, que reviro tudo de ponta-cabeça e desviro de novo. Desconhecido sou eu, que ninguém aponta, ninguém grita ôba, salve Curitiba, iáiá!



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h03
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Desenho que a Célia mandou. Ótimo.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h44
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Histórias improváveis de heróis comprovados


Quando o conquistador Alexandre, o Grande, chegou à Babilônia tentou erguer uma torre tão alta que no céu encontrasse o Sol. Isso porque um velho brâmane disse, com firmeza, que ali só reconheciam o Sol como rei absoluto, pois ele reinava sobre todos os países. Era fonte de luz, calor e vida. Sem o Sol, tudo morria. O Grande queria testar o poder do Astro-Rei e enfrentar seu infernal calor provando, talvez, que era mais forte que ele. Os sacerdotes ficaram pasmos, mas silenciaram com mãos postas sobre a boca. O desejo do imperador era uma ordem ampla e irrestrita. Deu o nome de Torre de Alexandre, o Grande. E ela foi subindo no esforço sobrecomum de milhares de escravos e adoradores do poderoso imperador. À medida que ela ganhava altura, os construtores iam torrando e caindo lá de cima, prostrados. Alexandre via tudo com uma serenidade de assustar. Eram simples mortais, pensava, sem sua altivez e soberania. Ao fim de cinco anos, a torre estava tão alta que nenhum homem podia ficar lá em cima. Alexandre deu ordens para que mais escravos fossem trazidos. Mas eles nem conseguiram içar as pedras enormes até o alto da torre. Alexandre se dispôs a subir ele mesmo, então, para ver o que estava acontecendo. Começou a escalada com toda a pompa, mas logo esmoreceu. O desgaste foi terrível. Já com o ar rarefeito, seus pensamentos começaram a fraquejar. Num último alento, mas sem se dar por vencido, chamou o mensageiro e exigiu que ele subisse sozinho e convocasse o Sol para descer imediatamente. Quem ele pensava que era, oras? Ele que construísse uma escada e descesse. Até hoje o mensageiro não voltou.

 

W,

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h42
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Lendo Caetano em ‘Verdade tropical’

 

Lá pelas tantas, Caetano Veloso, baiano, cantor e escritor, figura de proa da cultura nacional, diz que ninguém entendeu nada da letra da música Tropicália. Uma construção cheia de tentativas de dar a entender que ele estava falando da situação nacional da época. A ditadura imperava. Aquele negócio de ‘sobre a cabeça os aviões/sob meus pés os caminhões/aponta contra os chapadões/meu nariz...’ Lembra disso? Pois é. Ele diz que nunca ninguém sacou, mas ele foi preso. Claro que nem os militares não sacaram nada. Ele foi preso pelas atitudes. Pelo jeitão doido. Pelo suposto  esquerdismo dos tropicalistas. Finalizando a apresentação de hoje... só digo que... nada é mais sacal prum arghista do que ser entendido ao pé da letra. Bye, bye, Caetano.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h37
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Recebi da Célia e gostei:



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h48
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Cartas da masmorra

Venho, de manhã, todo cheio de gás, quase levantando vôo nas idéias e, de repente, caio no vazio do blogue. Um soco no estômago. Só com duas pitadas de letras, um raciocínio básico e o sol se espreguiçando pelo céu é que me refaço sem, contudo, ficar de bem com o dia. As coisas vêm em disparada na contramão e sem semáforo na esquina. Nunca pensei que ninguém tivesse mais nada pra dizer, pra pôr na conversa, pra erguer como bandeira da paz ou da guerra. Estou embasbacado. Somos todos apenas retransmissores dos vírus e bactérias da Internet. Venho, por meio desta, saber como está passando, o que tem feito, como está sua família. Por aqui tem feito um tempo meio chuvoso e frio. Mas, todos estão bem de saúde, estudando e trabalhando. Espero não estar tomando muito do seu tempo e, assim sendo, me despeço aguardando ansiosamente sua resposta. Desculpe os erros de português. Escrevi na pressa. Tenho que levar ao Correio e ainda ir na farmácia comprar
remédio para a minha avó. Sem mais, para o momento, me despeço. Saudações a todos.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h31
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 Pós-Socrático

 O HOMEM SÓ PROCURA CONHECER A SI MESMO

QUANDO NÃO ENCONTRA MAIS NINGUÉM.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h12
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   Pra homenagear o Sol de outubro, um desenho musical do Tarcilano:

Sol, som e cerveja.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h33
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A PRÁTICA É
A PERFEIÇÃO.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h32
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O gambá mora no mato
ao lado da rua movimentada.

A família do gambá

quer passear à noite.

Não existe céu para gambás.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h30
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