NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck
  

Fábulas demenciais 8

 

O urubu apresentou suas credenciais pra assistir ao jogo na arquibancada superior. Foi vetado e entrou com pedido de habeas-corpus. A questão foi levada ao supremo defensor de causas perdidas e entrou em convulsão. O urubu, ele mesmo, não tinha pressa. Apenas exigia urgência máxima e solução agilizada, por parte dos outros. O Dr. Panda foi escolhido pra arbitrar. Sua cabeça felpuda apareceu acima dos umbrais e uma pergunta não quis calar: ‘O que fazer com o sofá de três lugares na hora da divisão dos bens?’ A sugestão mais cabível não coube: rearrumar os livros todos por ordem de conteúdo. Os magros, na frente. Os salgados, no lado direito. Os claudicantes, bem no centro. O urubu quis ponderar. Encheu-se de brios e procurou uma palavra que rimasse com pára-quedas, nos dois sentidos. Ou, ‘pesquisador de mentalismos rústicos’ com sete letras.

 

Moral: Aparar arestas não justifica qualquer flashback de ida-e-volta.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h56
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A mulher da mídia do momento, Grazi Massafera.

era mulher banhada em ouro
loura aurora em pote de mel
áureas carnes alma fulva
sol que derretia nuvem no céu

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h25
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Fábulas demenciais 7

 

O urso acordou com ganas de pôr fogo no mundo. Pegou o martelo, cinco cabides e foi até a janela. Ele havia sido psicologicamente influenciado por uma goteira no paiol e agora só tinha um pensamento: o mundo é um lugar de loucos, anúncios de jornal e bicicletas de corrida. E as últimas estavam estacionando no lugar do chefe. O discurso foi breve e contundente. As palmas do lado direito conflitaram com as vaias do lado esquerdo. O centro permaneceu ouvindo o Concerto em Dó Maior, de Schubert. O urso desceu do púlpito para o divã do psicanalista e acessou a página do historiador Dr. Macaco. Todos os estados introspectivos da alma estavam ali, despojados, vibrantes, convidativos. Contou trinta e cinco caroços na laranja, fora os que havia engolido. Ao amanhecer, ergueram monumento às dez baleias que se suicidaram na praia.

 

Moral: Os mistérios se revelam em charadas e algodão doce.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h22
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Fábulas demenciais 6

 

A loba vestiu-se com toda pompa e foi à Feira de Cosméticos. Ela entrou no pavilhão e não demorou um segundo para que os comentários desairosos aflorassem. Falaram da lipoaspiração, do botóx exagerado, da maquiagem carregada, dos filhos malcriados dela, do fogão de seis bocas novo. Ela desfilava tranquilamente e escolhia as tonalidades para a próxima estação. A cotia riu desbragadamente das botas de marfim da loba. A rã esborrachou-se de chorar pela bolsa de cortiça com aplicações de pompons cor-de-rosa. O gnu tomava sua cerveja e nem notou que o jogo da televisão era ao vivo. A loba encomendou cinco potes de creme de maçã com bacon e se foi. Falaram um pouco mais da extravagância dela, mas ninguém notou a bela e caríssima pele de cordeiro que ela vestia.

 

Moral: A falta de uma boa cúpula inviabiliza uma base sólida.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h56
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h34
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Dois pelotaços na traaaave! Como dóem!

 

1)     Foi na quarta-feira passada. Conversarada: falava-se de Dia dos Pais. Festinhas nas escolas, integração pais e filhos nas brincadeiras, jogos, etc. Uns e outros disseram que não iriam. Deram desculpas. E comentaram: ‘Ah, esse negócio de jogar futebol de mão dada, de correr com outros pais, de brincar de cabra-cega... é um saco. Tô fora! Inventei uma desculpa. Que importância tem isso?’ Aí, meu estômago reagiu e gelou. Pensei: como as pessoas crescem e esquecem que também foram crianças. Olham tudo daqui de cima. Nem lembram como era bom ter o pai perto quando tinha desfile, festa na escola. Qualquer bom momento assim fica pra sempre.

2)     Tem um tipo de pessoa que sempre comenta tudo. Nunca vê nem um comercial de 30 segundos sem interferir, com uma piada. É o tipo de pessoa que não pode deixar espaço livre numa conversa, numa música, numa história. Para não perder a piada, faz a gente perder passagem do comercial, trecho da música e o fio da história. Esse tipo quer ser sempre engraçado. Tem que ser loja 24 horas de riso. Por isso, perde, ele mesmo, as boas coisas que vêm dos outros... As histórias, os causos, as animações da internet, etc. 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h05
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Olha o Neri reaparecendo, gente!

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h54
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Fábulas demenciais 5

 

O jacaré foi pra clínica de repouso treinar pra Maratona Anual dos Amantes do Óbvio. No caminho pro quarto cruzou com diversas caras, sombras e vozes desconhecidas. Não entendeu a notícia que ouviu no rádio e continuou tranquilamente a beber o manual de literatura médica e acondicionamento ideal pra transcendência científica. Seis da tarde, a campainha soou como um grilo doido. Ele socorreu o telefone, mas a porta é que pediu ajuda mais urgente. O sério Dr. Orangotango trazia as sorridentes notas do seu teste de Inteligência Artificial. Nada mais havia a ser feito: a cirurgia emergencial foi marcada pro final do ano. O jacaré reconheceu a mãe por trás do vidro, acenou e obteve resposta. O Dr. Orangotango era um médico muito respeitado nas rodas de samba das sextas-feiras. Tudo estava se encaminhando a contento. Menos as horas.  

 

Moral: As aflições se ligam por hífen antes de r, s, h.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h16
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Fábulas demenciais 4

 

O ornitorrinco soltou um pum no meio da reunião de condomínio. O síndico, Dr. Lince, pediu a palavra e a enfiou no vaso de begônias. Discutiu-se por dez horas se o pum seria lavrado em ata e acrescentado à conta da pintura das gárgulas e lambrequins. Por cinco votos a seis, devidamente tabulados, a preferência recaiu sobre ‘deixar soltos os cães durante as festas infantis’. Sem nada a acrescentar, de ambas as partes, a reunião durou só mais cinco dias. O ornitorrinco, alegando ‘dissonância cognitiva’ não compatível com o momento anterior, retirou-se para o Canadá. A vaca emocionou a todos com sua lírica. A onça serviu canapés e desligou o ventilador. O búfalo olhava atentamente a cena e riu quando viu cair por terra o bordão ‘senta que o leão é manso’. Não se tem muita certeza, mas acredita-se que todos tinham alguma coisa em mente.

 

Moral: Há que se considerar os preâmbulos e os atos dispersos.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h48
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h19
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h52
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Fábulas demenciais 3

 

O coelho viu a cobra passar de bermuda e toalha de banho, indo na direção da praia. Ele perguntou: — Aonde vai? E ela: — Vou ao museu, ver as roupas da nova estação. O coelho ficou de olho e viu que ela, na verdade, foi na direção da revendedora de automóveis da esquina. ‘Ah, pensou ele. Queria me enganar dizendo que estava apenas a caminho da praia. Claro que era mentira. De bermuda, sandálias e toalha de banho... só podia estar indo comprar carro.’ Ele se felicitou pela esperteza e saiu dando seus pulinhos até que foi interpelado pelo jabuti: — Ah, indo ao mercado, heim! O coelho, lembrando que a cobra o havia enganado, corando, disse: — Nada disso. Estou apenas testando meu novo computador de bordo. O jabuti se fez de satisfeito, mas, tão logo o coelho desapareceu, pensou: ‘De guarda-chuva roxo e chapéu de palha e acha que não imagino que está indo pro jogo de cartas.’

 

Moral: Aonde a casa vai, o boi vai atrás.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h10
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"A coisa mais gostosa do mundo é ficar um tempão sem ler você, só pra ter o enorme prazer de ler depois." (Juracy)



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h21
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h31
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h06
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Fabulas demenciais 2

 

O porco tirou férias e resolveu viajar pelo mundo. Abriu a porteira da fazenda, pegou a estrada e, logo adiante, numa encruzilhada, bateu num vaga-lume. Anoitecia e o vaga-lume estava com problema de lanternagem, pois não piscava. O porco, sem cinto de segurança, foi lançado dentro do riacho. O vaga-lume pegou o celular e, embora com a lataria bem amassada e sangrando, chamou a companhia de seguro. O porco não tinha seguro, pois achava que não choveria durante as férias. Juntou uma porção de curiosos pra ver o desfecho da questão. E, mais tarde, ao som de grilos e orquestra de sapos, houve um baile em homenagem à rainha da estação: a pata. O porco jogou truco e serviu a feijoada.

 

Moral: As leis do trânsito não funcionam sem bom óleo lubrificante.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h55
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h33
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Fábulas demenciais

 

O elefante, depois de um namoro tórrido e um noivado breve com a formiga, resolveu que deviam juntar os trapos. A formiga tinha uma casinha ajeitada e combinaram que o elefante levaria suas coisas pra lá. Na primeira semana, o elefante viu que a casa merecia uma boa pintura nova. Ele foi à garagem, pegou a escada que havia trazido e encostou na parede da casa. Só que a escada era muito, muito grande e passou toda vida do telhado. O elefante subiu com pincéis e tinta até o topo da escada e pintou o céu inteiro de amarelo.

 

Moral: Amor: nem tanto ao céu, nem tanto ao pinel.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h12
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Trabalho infantil

 

Quero dizer, de cara, que não sou contra o trabalho infantil. Sou apenas contra o trabalho infantil mal-remunerado e contra crianças servirem os adultos. Se as crianças montassem time de futebol profissional infantil, muito bom. Se elas criassem faculdade infantil de medicina, maravilha. Se fundassem um partido político infantil de alta categoria, elegessem vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e até presidente da República... aí, seria o supra-sumo. Ah, desde que não inventassem a corrupção, né? Se vender por um sorvete de baunilha e um Big Mac?!



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h11
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Desarmamento

 

A palavra do momento é ‘desarmamento’. Dá na televisão, nas rádios, nos jornais e chega por e-mail de vários lugares. Isso, em minha opinião, não leva a nada. Por meu palpite, as autoridades deviam propor o seguinte: desarmar quem até agora andou armado e dar armas a quem nunca teve uma. Inverter a situação por um ano e ver o que aconteceria. Acho que ficaria igual ao que é hoje.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h10
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Duas quentinhas de Inverno

 

Estar no lugar certo, na hora certa e fazendo a coisa certa, não quer dizer que tudo não possa dar errado.

 

Religião é o negócio da alma.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h10
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Sommelier, s’il vous plaît

 

Uma profissão, no mínimo, engraçada. Um sommelier é um servidor de vinhos num restaurante. Até aí, ninguém fica tonto. Só que, o verdadeiro sommelier abre a garrafa e experimenta antes do freguês. O que ele achar do vinho, teoricamente, deve valer. Imagino que se o freguês pedir um vinho de 30 reais, ele vai abrir, experimentar e dizer: ótimo! Se o freguês pedir um vinho de 730 reais, complica. Supõe-se que o freguês deve entender do riscado. O que diria o sommelier? ‘Bem, este vinho francês é da safra 1826, tem gosto das botas de Napoleão, fundo francamente cheiro do Rio Sena, blábláblá!’ O freguês experimentaria e retrucaria: ‘Tem persistência de um pum eslavo, magro com um franciscano, nervoso como um chefe em dia de pagamento, flácido, plano, etc., etc.!’ E aí? Bebendo e conversando os dois iriam até a chegada da conta. Quem pagaria?



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h09
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   Ociologia muito ocupada

Em casa de gambá, Chanel é maldição.

 

Renóbio é um prenome do caso oblíquo.

 

Pra ser difamado, nem é preciso ter-se fama.

Pra ser amado, nem é preciso amar.

Pra ser esquecido, sim, é preciso ter existido.

 

A maratona da História virou corrida de cem metros com barreira.

 

O lobo é o lobo do lobo. O resto é antropocentrismo barato.

 

A escuridão pode viver muito bem sem a luz.
Já a luz não viveria se não houvesse antes a escuridão.

 

O homem é um animal que pensa mais do que melhora. E melhora mais quando não pensa.

 

Os fins justificam os meios. Mas, condizem com o começo?

 

A História é uma vã tentativa de parar o tempo sem descer da carruagem.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 00h08
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 23h22
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h29
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Um poderoso Vermeer chamado 'Virginal'

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 22h03
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 21h59
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Posso  CONTRIBUIR com tigres E teleféricos

 

As revistas estão com a barriga inchada. Vermes, poemas, músicas, artigos e fogos de artifício. As opiniões são convergentes na divergência: onde há dinheiro, há salvação. Porém, ninguém emite. Apenas sugere-se nas entrelinhas. As tintas se espalham por todas as páginas, cheias de cores, palmilhando a diagramação corajosamente brega. Nenhum editor deixa de apregoar que está contribuindo para nossa cultura maior. Arte com A maiúsculo e gritante. A pauta respira aliviada porque cumpriu seu papel preponderante: atingir o público-alvo na veia. O vasto público consumidor (cacófato incluso) de artes vanguardistas e movimentos culturais avançados. Pinceladas generosas ou rabiscadas, porém sempre com substância, mel e caldo. Todo mundo dá o melhor de si para a comunidade carente de leitura, de lazer com conteúdo. Mesmo que nas cartas alguém retruque: o Brasil tem outras prioridades.
Passeio pelo cheiro de tinta tão fresca que parece que tudo no Brasil é novo e reluzente. Estamos em plena efervescência cultural (de novo?). Que palavra substitui cultura? Ah, esse estofo sem o qual seríamos apenas bichos rastejantes! Por que estou fora disso? Por
que não me conformo em ver minha foto 3 x 4 e um minicurrículo na página? Ignorando $$$. Posso contribuir com asas de piolhos, dentes de lesma e algumas pitadas da minha erudição conquistada a duras penas nas calçadas e praças. Esse é um tempo de biodiversidade, diversidade étnica, economia sustentável, reciclagem ambiental. Pujança é a palavra. Gestão é o mote. Não deveria fugir da responsa. Saco tigres e teleféricos do bolso esquerdo. Imponho aos contemporâneos. Ah, Curitiba, com quantos bondes se faz o teu futuro?



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h07
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