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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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Rio e pedra – o que está rolando?
De três ou quatro sugestões que me deram aproveitei cinco, joguei seis pela janela e oito nem foram cogitadas. Agora, vendo as coisas por outro lado, sinto falta dos extremos, dos pólos opostos, dos que não se bicam e, no entanto, estão sempre ali no tititi, no beija-beija, no agarra-agarra. Mudando de assunto, fico sem palavras. Nem sei se o que disse antes tem valor, foi ouvido e entrou em questão. O fantasma da crítica faz sombras na parede da memória. Revele seus sentimentos sem queimar o filme, sussurra. Já disse e repito sempre aqui: os outros sabem tudo e a gente não sabe nada. Cada cabeça, um corte de cabelo. Passo o dia inteiro imaginando que você tem razão. Você acha que com um pouco de esforço e dedicação o mundo será seu. Qual é a intenção do rio ao rolar uma pedra lá no fundo? Qual é a viagem da pedra? Pedra e rio, rio e pedra. Um quer dominar o outro? O rio ganha prestígio se arrasta uma grande pedra? Ou diminuiu seu mérito se leva apenas seixos boiando? A uma mente inquieta, todo o universo surpreende.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h08
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h09
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As andorinhas voam para Capistrano

 Nerja/San Juan de Capistrano
Descobri dois lugares fantásticos no mundo: um na Espanha e outro nos Estados Unidos. Na costa sul da Espanha, a 50 km de Málaga, fica Nerja e, lá, tem San Juan de Capistrano. Um paraíso terrestre. Não fui lá. Viajei na internet e descobri. Tem 16 km de praias, recortes litorâneos magníficos e sol, muito sol. O outro lugar fica na Califórnia. Outro paraíso quente, ensolarado, colorido. San Juan Capistrano é famoso pelo espetáculo de milhões de andorinhas, todos os anos. Um show saudado com grande festa. Esse movimento migratório foi estudado e revelado em números. As andorinhas partem de Goya, em Corrientes, Argentina. A maratona voadora é impressionante. Elas perfazem 12 mil km só de ida em apenas 30 dias. Há toda uma planificação pra viagem. Cada andorinha enche o estômago com aproximadamente 120 gr de alimentos. E partem em sucessivos bandos no dia 18 de fevereiro (sem ter calendário!), logo de manhã. Pra escapar das aves predadoras, voam a dois mil km de altitude, a quase 30 km/h, ajudadas pelas correntes de vento. Não comem nem bebem nada durante o vôo. Lá pelo dia 19 de março pousam em San Juan Capistrano. A igreja toca sinos, o povo e os turistas vão apreciar e festejar. O clima quente de lá propicia acasalamento. E as andorinhas, enfraquecidas, comem milhões de quilos de insetos, vermes e outros bichinhos. Fazem um total controle natural das pragas dos parreirais. Depois de 120 dias de permanência, já com novos integrantes nos bandos, elas partem pra Goya. Cálculos: cada andorinha gasta 0.01 gr/km pra voar 450 horas. Um Boeing 737 consome um milhão de vezes mais pra uma viagem com a mesma duração! As andorinhas voaram o equivalente a quase uma volta na Terra! Sem mapas, sem postos de abastecimento, sem lucro. Um milagre de San Juan Capistrano. Ué, toda família tem um santo, né? Aliás, percebo agora porque sou tão amigo do Sol maior: Málaga e Califórnia.
 San Juan Capistrano/Califórnia
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h42
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Recriação do Mundo
Depois de apenas alguns minutos de Eternidade, tudo acabou. O Universo e seus esplendores, o Homem e suas sempiternas dúvidas, tudo acabou. Ninguém sabe se com sussurro ou grito. Não importava mais. Deus, na infinitude tediosa de um lugar incerto e não-sabido, olhou tudo aquilo e resolveu repovoar. A comichão criadora se apossou do seu Ser magnífico e Ele abriu o micro que havia salvado da catástrofe. Com sua magna-máxima sabedoria, foi primeiro recordando tudo o que havia criado da primeira vez, salvando logo em seguida. Depois, foi desenhando, escrevendo, escrevendo. Renomeando (árvore passaria a se chamar cachorro), revendo conceitos filosóficos (pra que tantos?), deixando de lado coisas inúteis da gestação anterior (cobra venenosa, pernilongos). O trabalho o absorveu por uns dois dias. A facilidade que o micro proporcionava era impressionante. Milhões de cores à disposição. Ferramentas de precisão. Ele ficou até admirado do Homem anterior – até aonde havia chegado sua inteligência. Congratulou-se pela criação. Mas, precisava fazer tudo novo, principalmente pelo que o Homem havia feito contra seu próprio semelhante, sem contar com os atentados bárbaros contra a natureza, que ele tinha a cara-de-pau de chamar de Mãe-Natureza. O desvirtuamento do Homem fez com que Deus ficasse um pouco apreensivo quanto ao resultado da nova criatura que estava bolando. Foi tanta sua apreensão que acabou esquecendo de salvar os novos esboços. De repente, um trovão forte fez cair o sistema todo. Deu pau no micro. Como todo bom micreiro, Deus blasfemou logo contra o criador daquela joça. E logo pensou na grana que gastaria pra chamar um técnico. Nem lembrou que não havia mais técnicos. Tudo havia acabado. E agora? Com o famoso jeitinho, Deus religou o micro e, aleluia, ele havia salvado... apenas aqueles desenhos do Homem primitivo. Aquele que Deus, justamente, queria evitar repetir. Bem, se não tem tu, vai tu mesmo. Deus levantou, com dores que podiam ser L.E.R. e gritou Fiat Lux. Começou tudo de novo. Igual, igual.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h08
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Bom dia de céu azul e frio amarelo.
Vou dar dica de um blogue fabuloso, já que aqui ninguém encontra nada de aproveitável, comentável, etecetrável. O blogue dessa moça começou há uns três ou quatro dias e já tem mais de 3500 votos. Fantástico! Vá ver, não perca um minuto da sua preciosa vida. Aproveite e conheça o sorriso plastificado da moça em todas as fotos.
Com vocês:

www.carlaperez.blog.uol.com.br
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h37
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Ave negra que negreja
Caramba, como tudo aqui passa rápido. Nada deixa rastros. Some tudo num clicar de olhos. Quando vejo, lá se foram meus textos pro fundo de arquivos implacáveis que não emplacarão jamais. Às vezes pego meus guardados, releio e fico pensando se poderiam ser resgatados, ruminados, regurgitados. Aí, fico com medo de me repetir e fecho logo a tampa do caixão. Se alguns escapam e vão novamente pra página, nada acontece, de novo. Mito de Sísifo é pinto perto do trabalho de ‘postar’ coisas no blogue. Há uma garganta profunda e insaciável, um buraco negro incomensurável bem ali adiante. Sobra minha expectativa besta de ter levado a efeito alguma coisa. De ter visto um brilhareco lá na menina dos olhos da posteridade. Ah, eu tinha um corvo que se chamava Never more. Perguntei pra ele se podia fazer alguma coisa pra melhorar a questão. Ele me respondeu never more. Baixei a cabeça em sinal de reflexão e, ao levantá-la cinco minutos depois, perguntei se devia comprar um busto branco de alguém famoso pra contrastar com suas negras penas. Ele me disse never more. Pensei na coisa mais triste que pode acontecer a alguém – talvez a derrota do time do coração – e perguntei ao corvo se a isso sobreviveria. Ele, sem gaguejar, respondeu never more. Xô! Sai pra lá ave negra que negreja, ave carvão que enegrece, ave noite que anoitece! Xô! Ele voou janela afora e eu fiquei lá, mão no queixo e nuvens no cérebro. E ainda estou aqui, busto besta que se basta ao frio da noite.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h23
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Contos que a vida conta
— Chegaram três amigos do Interior. Fomos tomar umas. Já se empolgaram e me disseram pra gente ir numa boate ali no centro. Na entrada, já veio uma que eu conhecia e me convidou pra tomar um drinque. Os três se perderam lá por dentro. Daí, a moça pediu pra ir no banheiro e sumiu. Fui entrando, meio no escuro, mais lá pra dentro, e veio uma e sentou no meu colo. De repente, alguém puxou a mulher de cima de mim e jogou no chão. Levantei e fui pra cima do cara, mas de leve, dizendo que não devia fazer aquilo. Quando olhei, vi que era um dos meus amigos. Que é isso, perguntei. Sabe o que ele disse? ‘Essa aí é minha namorada lá de... Porra, a gente ia noivar daqui duas semanas.’ Ah, isso só acontece comigo! E sabe que o cara tem muita grana. Ela dizia pra ele que vinha estudar aqui. Só comigo! Aí, o cara largou a mulher no chão, pediu uns uísques e ficamos por ali mesmo, enchendo a cara.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h21
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h08
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h35
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Um conto policial
Herman Melville apareceu na porta do camarote do capitão e bradou: — Tem um homem morto aqui dentro!
Imediatamente, Henry James, Edgar Allan Poe e Thoreau acudiram e olharam porta adentro. O corpo do homem jazia sobre a cama, com manchas de sangue bem vivas nas roupas. Emily Dickinson não quis ver. Levou as mãos ao rosto e ameaçou um choro, soluçando. Poe, criador do gênero policial, tentou tecer algumas considerações sobre a cena. Mas sua prosa era muito cheia de meandros e o morto nem levou em consideração. Thoreau invocou a força da natureza, mas o mar estava um pouco nervoso e não respeitou aquela súbita integração. A embarcação jogava forte. Henry James, enjoado, não disse nada. Voltou-se para o convés e foi à procura de um litro de rum da Jamaica. Uma gaivota gritou lá no alto do céu azul e riscou os ares, soberba. Croce saiu-se com esta: — Afirmar que um livro é uma novela, uma alegoria ou um tratado de estética tem, mais ou menos, o mesmo valor que dizer que ele tem uma capa amarela e que podemos encontrá-lo na terceira prateleira à esquerda.
Poe foi até a prateleira e, por coincidência, espantado, viu um livro de capa amarela. Ao ler seu título, suspirou. Era um livro de Tennyson, poeta muito pouco lido. Abriu uma página, lá pelo meio, e leu: Time is flowing in the middle of the night. Essa podia ser a chave para aquela morte. Como? Se o tempo corria no meio da noite, era ele o assassino. Por que não correu de dia? À vista de todos, no meio das ondas, bem lá perto do horizonte flutuante? Tempo, tempo, tempo. Poe saiu em busca de uma espada, um arcabuz, uma arma qualquer. O tempo urgia lá longe. Não mais seria alcançado. Emily Dickinson falou: — Ah, chega de mortes! A posteridade não agüenta mais tanta fama.
Os outros providenciaram um enterro de marinheiro. Túmulo no fundo do mar, por tampa o céu e as estrelas. Tennyson, o morto, não reclamou.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h16
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h20
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h10
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A Barca de Dante - 'Delacroix'


Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h55
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O vilão Villon e as neves de antanho
O Brasil nem estava descoberto e Villon nascia em Paris. Foi em 1431. Com 24 anos, bebe, farreia, namora, briga, rouba e mata. E escreve, escreve. François Villon, vilão. Foge da forca, do estrangulamento, das perseguições. Não foge de ser lido pelos maiores mestres. Sacudiu a poesia francesa. Tirou o ranço de salão, de sarau, de pomposidades supérfluas. Jogou a linguagem na rua. Escrevia baladas ‘de boa doutrina aos de vida errada’. Deixou obra até que grande pra quem vivia às voltas com masmorra, torturas, polícia e miséria. Segundo Valéry, Villon era poeta de fino trato. Tinha ritmo admirável e linguagem inovadora, quente, entusiasmante. Despertou a ira da comunidade. Mais où sont les neiges d'antan? (Mas, onde estão as neves de antanho?) Ele perguntava. Sei lá. Nem das atuais, não sei. Talvez aqui, debaixo desse teto. Villon – 1431–1474.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h46
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 Acho que cometi um engano. O pseudônimo do Domingos talvez não fosse por causa do Goya. Fui à biografia dele e vi que se chamava Francisco José de Goya y Lucientes. Perdão. Só o Domingos pode tirar a dúvida. Em tempo, acrescento que, por influência dos colegas de Estadual, passei a assinar Jansen, que era um dos nomes do meu avô. PS - A mocinha aí de cima é a famosa 'maya desnuda', do Goya.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h35
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Carta aberta em cena aberta
Boa tarde de chuva e frio, quase boa noite de chuva e frio. Essa carta aberta é pra situar o dia de hoje no espaço/tempo. O Discovery desceu sem problemas, o mini-submarino russo subiu sem problemas. Catorze pessoas salvas, entre as centenas que morrem em Bagdá num mês. E o resto está naquele plano médio de nem sobe-nem-desce. Todo mundo esperando uma declaração importante, um desabafo realmente significativo dos cepeifados da corrupção nacional. E nada acontece. Mas, de bom, hoje de manhã encontrei um colega de Colégio Estadual do Paraná, dos idos de 60 e bolinhas: Domingos de Gusmão Van Erven. Foi um papo rápido lá nos prédios do governo em Santa Cândida. Relembramos várias passagens daqueles tempos de sonhos literários. O que é muito legal de ver é que a gente continuou com aquela ‘comichão dos 17 anos’, de que falam os sábios. A comichão literária pega os jovens e logo passa. Se fica, vira doença crônica. O Domingos era um dos expoentes daquela geração do Colégio Estadual. Já usava até pseudônimo pra escrever: Quevedo. Provinha do Goya, pintor, que se chamava Francisco de Goya Quevedo y Lucientes. Pomposo nome pra um grande pintor. Hoje ele, segundo contou, se interessa muito pela formação da nossa província. Os começos do Paraná, quase esquecidos. Aqueles começos (circa 1900) que eram de muita agitação cultural, com o Simbolismo se dando muito bem em nossa terra (inculta e bela). Descobrimos que nossas famílias se cruzaram em alguns momentos. Cruzaram de casamento e tudo. E ele está envolvido com nossas origens literárias e mesmo cotidianas, sem perder o foco universal. Rimos um pouco da insaciável autofagia curitibana. Nunca, aqui, algum literato enche a bola de outro que não seja da sua igrejinha. Existe um ritual satânico de furar bolas de panelinhas contrárias e pendurar nas pontas de flechas dos muros. Importante é que ficamos, o Domingos e eu, de nos ‘comunicar’ via e-mail e outras tecnologias eficientíssimas. Tomara que dê certo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h01
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Ciranda
João foi intimado a depor e contou tudo o que sabia. Só que ele não sabia que tinha gente que sabia que ele sabia muito mais do que contou. Maria disse que ele sabia de tudo e mais um pouco e até sabia que o José sabia de mais alguma coisa. José contou pros amigos que não sabia de nada. Mas que era possível saber que João sabia mais porque Maria era sócia dele e havia contado pra Joana que era sua mulher que João sabia e sabia. Joana disse que tudo não passava de intriga porque ela não sabia nem de João nem de Maria. Agora, depois do diz-que-diz-que-diz-que-diz, ninguém    mais sabe de nada e tudo voltou ao que era antes, quando todos sabiam de tudo e ninguém contava nada. Porque, se contasse, tinha que entrar na ciranda do só-sei- que-não-sei-nada-sabendo-que- sei-tudo-por-isso-não-digo- nada-e-fico-mudo-e-na-minha-mesmo- contando-tudo. E acabou-se a história e morreu a vitória.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h52
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A máquina da corrupção (abreviada)
(d’après Carlos Drummond – A máquina do mundo)
E como eu me atolasse lentamente
numa estrada de Minas, lamacenta,
e no fecho da tarde uma sirene (de polícia?)
se misturasse ao som dos meus sapatos que era pegajoso e molhado; e urubus pairassem
no céu de chumbo, e suas formas agourentas
vagarosamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda de Brasília
e de meu próprio ser, político eleito,
a máquina da corrupção se entreabriu para quem de a encontrar já se esquivava e só de a ter imaginado todo tremia.
Abriu-se (a mala) gorda e pesada,
sem emitir um recibo que fosse legal
nem exibir um risco maior que o tolerável
pelas pupilas gastas da Polícia Federal,
me convidando para examinar e pegar
o que mais me conviesse e não vexasse.
Baixei os olhos, curioso, bambo e suando,
a desdenhar da sorte dos amigos caros
que nunca viram oferta gratuita e preciosa.
(...)
A treva mais pesada já pousava as garras
sobre a pantanosa estrada de Minas,
e a máquina da corrupção, bem recebida,
foi alegremente recompondo a mala,
enquanto eu, avaliando o que ganhara,
seguia... consciência leve e bolso pesado.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h27
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fim de algo
torturar o relógio/não vai me trazer você/torcer os ponteiros aponta/o fim de um romance/o inicio da noite/e a solidão que trafega/nas ruas e bares e beiras//vi pulp fiction dez vezes/mil vezes ouvi stone temple pilots/I’ve got a felling/I’ve got a felling... so down//agora deu sede de tudo/agora deu fome de nada//aprisionar a tevê/não vai me afastar de você/misturar os canais significa/tatuagem na pele da alma/soco na cara da madruga/e as ondas sonoras/que invadem a geladeira//vi pulp fiction dez
vezes/mil vezes ouvi stone temple pilots/I’ve got a felling... I’ve got a felling so down//agora deu sede de tudo/agora deu fome de nada//executar o celular/não vai calar minha voz/detonar mensagens me diz/que ruídos envolvem as perdas/energia esvoaça no espaço/os circuitos se desintegram/e o amor acabou de morrer//vi pulp fiction dez vezes/mil vezes ouvi stone temple pilots/I’ve got a felling... I’ve got a felling so down//agora deu sede de tudo/tateei no escuro do quarto
I’ve got a felling so down//agora deu fome de nada/tropecei nas quebradas da vida /I’ve got a felling… so down
(Música nova Werneck/Striq)
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h31
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h25
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h22
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 E se...?
E se a luz do fim do túnel for artificial?
E se a gente sair do túnel e deu apagão?
E se ninguém pagou conta da luz no fim do túnel?
E se a luz do fim do túnel for a da telinha da TV?
É bom pensar que existe luz no fim do túnel.
O problema é ter esquecido como era a luz lá no começo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h21
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La pleine lune e seus cabelos
O cabeleireiro francês de origem argelina Djélani Maachi descobriu, há 20 anos, que a melhor fase para se cortar os cabelos é a primeira da lua cheia. Os cabelos crescem mais, ficam mais fortes e viçosos. Taí uma dica do NeoPseudo ... para as leitoras que, aqui, insistem em ficar como a lua nova: na sombra, escondidas no céu.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h27
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O homem descende do macaco
O homem desertou do macaco
O homem debocha do macaco
O homem depende do macaco
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h54
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Boa segunda, com um belo Braque...

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h26
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A bomba A é de Leão
 Se não sabe, hoje é dia da Bomba A, sessenta aninhos, corpinho de cem, ascendente em câncer generalizado e neuróticos em profusão. Parabéns pra você! Quem apaga essa velinha quentinha e muito luminosa?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h20
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essa palavra
não diga nunca mais essa palavra
nem me pergunte o que ela quer dizer
viva sua vida como se não respirasse
uma palavra assim tão espinhosa
deixe ela imóvel lá dentro do dicionário
ignore ela mofando nos antigos alfarrábios
faça alguma coisa para nunca mais ouvir
alguém cantando triste a palavra que se foi
tranque as janelas e desmonte o cenário
não diga que eu não disse que esquecer
é tudo o que deseja um coração ferido
atrás dessa palavra vem a flecha envenenada
passe pelas gentes com a maior indiferença
se esconda num cantinho e ligue a televisão
a palavra dobra a esquina e se perde na poeira
essa palavra é traiçoeira e te pega pela perna
palavra que sai da boca e viaja pelo espaço
não tem gosto não tem tato nem tem cheiro
não tem nada que me diga pra parar e escutar
que palavra é essa palavra que eu te peço que
Música de Werneck/Striq
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h55
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