NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck
  


Um furacão visto
nas Antilhas
depois do jogo de
ontem pela
Libertadores.

Rumo à segunda
divisão a
216 km/h!



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h21
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Resposta ao vivo e quase colorida:

 

Fantini comentou:

 

“bom dia, wernas! sãopauloôôô! esta página está o fino. vou usar O inferno como epígrafe pra minha autobiografia: Grande tratado das pequenas idiotices. a penista gostosa não se chama shaparova? e dia a dia não tem hífens? eu vou eu vou é um clássico do humor mórbido. nem bobo é literatura de alto nível. só vai te dar mais uns meses de aflição. invista na exposição (real ou virtual, sei lá) do novo bife. ou nas fábulas. deixe a literatura pra outro momento, quando você não precisar mais dela. quando as pessoas souberem a diferença entre arte e arght. por aí. vamo-que-vamo. abração.”

 

Respondo:

Use e abuse do que achar bom, Fantini. Com certeza será uma alta-biografia. A tenista se chama Sharapova, mesmo. Mas, nem adianta chamar que ela não vem. A exposição do Bife dá certa angústia. O Neri viaja praca. E eu não tenho mais gás pra juntar povo. As fábulas merecem um bom ilustrador... O livro Nem bobo, nem nada... posso fazer sozinho.

Eu, que não sou bobo, nem nada... E já tem até ilustrações! Só tenho que ter paciência e fazer uns serões. Fazer algo meio tipo o Dalton fazia: papel jornal tudo. Só pra existir.

Segundo meus informantes: dia-a-dia designa rotina. Dia a dia designa o correr dos dias.

Abraços, Werneck.

By de way... estive fuçando meus arquivos e vi todas aquelas coisas que fiz (Nômade, Espicula de Rodinha , Hiva oa, Etc. e tchau!, Lado Alado, Atentado) e achei eventos interessantes lá. E vi que já naquele tempo eu reclamava que ninguém se interessava. Ninguém comentava. Putz!



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h55
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Sem palavras!



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h31
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Pretensões

 

James Joyce se achava

pretensioso com seu Ulisses.

Arrotava que era mapa seguro

pra reconstruir Dublin,

rua por rua, casa por casa,

caso ela fosse um dia destruída.

Pena ele não poder saber que é

pretensão bem menor que a minha.

Quero que – se Curitiba desaparecer

vítima de sua autofagia insaciável –,

com o quebra-cabeça da minha obra,

ela nunca mais possa ser reconstruída.

E nem sequer de novo imaginada.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h19
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Segunda escolha

 

Você acorda de manhã, toma banho, pega a toalha e se enxuga.

A cena se repete todos os dias.

Você acorda, toma banho, pega a toalha e ela enxuga bem.

Mas um dia cai sob os olhos a etiqueta da toalha e você lê,

entre outras coisas, “SEGUNDA ESCOLHA”.

E você pensa em quantas coisas, até amor, são apenas segundas

ou até terceiras escolhas, mas você toca a vida adiante

do mesmo jeito.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h18
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Macro e micro

 

Você não pode observar a olho nu

a cópula dos astros e estrelas.

Nem penetrar na ínfima alma

das bactérias povoando

a ferida com toxina letal.

O macro e o micro

escapam da lente dos olhos

e borram a retina.

E o que você vê – 

o resto que à luz se mostra – 

se tinge de sombras,

arestas e ilusões tantas

que é mais prudente fechar

o coração pra ver melhor.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h17
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Colheita

 

Escada na árvore.

Apagaram a luz da laranjeira.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h16
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Cochilo

 

Quando ele sair,

porque ela não está por perto,

se ninguém estiver olhando,

usamos nossa liberdade.

Abrimos a geladeira,

lemos aquela piada suja,

os sapatos largamos na sala,

temos um momento de gozo íntimo.

Proximidade e liberdade

não se casam,

não falam a mesma língua,

nem moram na mesma casa.

O preço da liberdade é alto

porque custa apenas

um cochilo da proximidade

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h15
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O perfeito

 

Pelo enviesado da hora

e pelo que capto de perto

de propósito desatento, semidesperto,

pelo que deixo de lado,

nem imagino dentro

e declino de ver por fora –

sendo tudo um só agora

porque não soube ontem

nem tive durante,

só vejo e desejo desse jeito

       me parece perfeito

para hoje, depois e outrora.

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h14
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As coisas

 

A que ponto chegaram as coisas!

Que ponto? Não vejo eqüidistância

entre o começo e o fim.

Do começo até aqui são míseros cinqüenta anos.

E o fim perde-se nos minutos

que o relógio digitalmente escreve,

apaga, escreve.

A que ponto chegaram?

As coisas chegam correndo, se arrastando,

sem que percebamos?

Se formam na sombra ou eclodem

com banda de música?

São espaciais ou temporais?

Se eu visse as coisas chegando,

iria tentar pará-las, desviá-las, distraí-las?

Por que as coisas têm que chegar a um ponto,

a este ponto?

E se elas nunca chegassem

e apenas se mostrassem para nós, em desfile?

Um conversível de luxo

e as coisas no banco de trás, chiques.

E indo pra algum outro lugar.

Não pra chegar a esse ponto,

mas montadas em reticências.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h08
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Felicidade

 

Você põe a camisa nova

e sai pra rua.

A etiqueta da gola

pinica no pescoço.

Você pega a tesoura

e apara a etiqueta.

O que é a felicidade?

Pôr camisa nova

ou tirar o incômodo

da etiqueta que pinica?

 

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h55
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O inferno

 

Defino-me com uma palavra,

acordo do mesmo lado da cama,

sei três nomes de constelações,

corri cem metros em um dia.

Tenho hiatos horríveis na lembrança,

li um livro que se apagou como a vida,

acuso uma falha na arcada dentária,

não aprecio balé clássico,

o capô do carro aberto engole todas as

filosofias.

Pouco entendo de inglês,

matematicamente sou zero à esquerda,

não me pergunte sobre música barroca,
deixo passar a questão de física quântica.

Mais ou menos atento ao dia a dia, perco a noite.

Se apertar o coração, o ventrículo vira aurícula,

e respiro uma influência desmaiada do alemão.

De tudo que sou, nada vai além do que

podem rir de mim na esquina, na roda, na festa.

Salvo dito em contrário, o inferno são minhas

ilimitadas limitações.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h35
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Enquanto malas viajam,
bombas explodem,
paus e tiros matam,
Beckett pergunta,
ressabiado, esperando
Godot
:
"Absurdo, eu?!"



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h30
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Eu vou... eu vou...                        
pro Quênia                                   
agora eu vooouuu.                        
Eu vou... eu vou...                        
pra Londres                                  
agora eu vooouu.                         



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h26
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Pelo menos uma notícia boa:
Sharapova (tenista) 'roubou' a cena da premiação.
Tipo de roubo aprovado até pelo PT.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h49
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“Os fulô atacaram os haussa. (...)”

 

Um dia, comecei um poema assim. E a história se passava nos tempos de Napoleão. Abro hoje o Uol e tem a notícia: No Nordeste do Quênia, 300 a 500 membros do clã dos borana atacaram o clã rival gabra e, além de massacrar quase 70 pessoas, roubaram gado e camelos. A versão oficial e real ainda não saiu. Mas foi o pior massacre registrado em anos na região. Os invasores cercaram a escola local, perseguiram e massacraram 20 crianças e seus professores. Pedras, paus, facas, rifles, granadas, cacetetes. O que registrará a história?



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h46
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HÁ MALAS QUE

VÊM PARA

O PIOR!



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h38
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Falando por água abaixo

 

Teatro em 1 ato

 

Cenário: dois homens viajam num
ônibus espacial numa velocidade
estonteante. Ao fundo, passam
cometas e estrelas.

 

 

— Então?

— Me vê como você me vê?

— Te vejo daqui, dali, de lado.

— Me vê como eu sou ou como me vê?

— Vejo como vejo, oras: vendo. Com dois olhos.

— Eu, com dois olhos?

— Eu, com dois olhos. Você, com boca, olho,
nariz, orelhas e pouco cabelo.

— Pouco cabelo? Não sou eu, não disse?

— Tem vejo com pouco cabelo.

— Ah, você me vê com seus poucos cabelos!

— Te vejo com meus olhos.

— Ah, pensei que me visse com o nariz.

— Te vejo com a boca aberta, falando merda.

— Você? Falando merda? Tão culto!

— Vamos acabar com isso. Me perguntou como
te vejo. Acho que, na verdade, nem te vejo. É
pura ilusão. Estou fora dessa.

— Como não me vê e fala comigo? Doido?
— Não vejo, não falo mais, não escuto, nem cheiro.

— Não me toque, então. Ou suas teorias vão por água abaixo.

— Água abaixo? O que é isso? Água por baixo da porta?
— Figura de linguagem. Escorre, vai embora.

— Nem toda água vai embora. Empoça, também.

Empocei, parei. Chega.

— Só pra citar: tem água bidestilada, boricada, de barita,
de barrela, de bromo, de cal, de cloro, de cristalização, de
hidratação, de Javel, de louro-cereja...



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h41
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— Agora em ritmo de blues bem arrastado.

— Não, parei parado. Stop!

— Estou ouvindo blues bem arrastado, chorado,
choramingado.

— You know what I mean.

— About blues?

— About water.
— Fala da água sanitária? Mineral? Dura? Oxigenada?
Pesada? De-colônia? Doce? Lacustre? Ah, já sei:
territorial. Ou seria água-forte? Potável, tremida, residual.

Não, água-que-passarinho-não-bebe.

— Dá água na boca.

— Está xarope esse teu papo.

— Vick com cetanium.

— Mucosolvan.

— Papo aquoso. Água-de-cheiro, água-furtada,
benta?

— Eu devia ter ouvido minha mãe...

— Ela canta?

— Não, ela dava conselhos. De primeira água.

— Sobre canto? Que encanto! Sobre água?

— Isso não vai levar a lugar nenhum.

— Aperte o botão e desça na próxima parada.

— Tchau! Muita água vai passar debaixo da ponte.

— Bem-vindo a Júpiter. Teu amigo até debaixo d’água.

— Me me vê como você me vê?

— Então?

— Que aguaceiro!

 

Pano (molhado).

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h41
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Grãos-de-sertão: nichos

 

Os pensadores – Platão está entre Ave, palavra, do Guimarães Rosa e Memórias póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis. O breviário da decomposição, do Cioran, está entre Variedades do Valéry e Com o diabo no corpo, do Radiguet. Indo nesse tom e por esse caminho chego à conclusão de que nicho é o ninho das águias. Quem encontra o seu nicho é bem visto mesmo que ele esteja no alto do penhasco e debruçado sobre o mar revolto. Alguém empunhará o binóculo e acompanhará o nascimento dos filhotes, os cuidados da mãe e o primeiro vôo deles. Poderá até fazer um documentário para o canal de televisão especializado em animais. Olho de novo e vejo que A arte de amar, do Erich Fromm, está entre o Delírio dos búzios, do Alexandre Marino, e Descrição de uma luta, do Franz Kafka. E vai me dando um desânimo de não ter nicho, de ver que o clima está mudando pra outono, de ver que o céu já acusa o azul que induz a fazer coisas. Mas, é engraçado, enquanto estou aqui escrevendo parece que tudo funciona. É só descer e ver todo mundo se agitando na rua, com tantos interesses dissonantes, que já me bate o desânimo. Vejo que as pessoas estão colocando uma coisa entre outras duas, igual faço com os livros. Só que as coisas das pessoas são outras. Imagino que coloquem a viagem pra Europa entre uma ida ao supermercado e um programa de televisão. Não há conexão possível. Sou marginal e queria estar dentro do rio, na terceira margem.

É igual jogar sinuca com a cabeça noutro lugar. Você olha as bolas, a mesa, a luz, o taco, o giz, a luva. E tudo parece distante. Sem função. ‘Estou aqui, mas queria estar noutro lugar. Se estivesse lá, quereria estar aqui’. Porque nada parece merecer atenção e concentração. Dá um branco total radiante na cabeça e, mesmo diante da feitura de um poema, da descoberta de um livro legal, não se tem ação. Fica o dito pelo não lido, o esquecido pelo não perguntado. Fica tudo muito vago diante do nascimento do filho da Angélica e do Hulk, do julgamento do Michael Jackson e do líder separatista checheno morto em ação militar. Nichos.  Não se mixe, encontre seu nicho, ô, diacho!

 

Werneck nas vagas estrelas da Ursa Maior

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h11
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ESTA PÁGINA EXPIROU... EXPIROU SEM NENHUM SUSPIRO AUDÍVEL, SEM AQUELES SUSSURROS DOS FILMES DE BERGMAN, SEM LUTAR POR MAIS AR. EXPIROU POR EXPIRAR, NATURALMENTE. FOI INDO ATÉ O LIMBO, LAMBENDO AS PAREDES MUSGOSAS. LIMBOLAMBENDO. E PENETROU NAS TREVAS ONDE SE ENCONTRAM TODOS OS QUE EXPIRAM. AGORA REINA RAINHA DAS TREVAS, CAVERNOSAMENTE ENTREVADA. ESTA PÁGINA EXPIROU. EM ESPIRAL. ESPIRALANDO ESTRELOU EXTASIOU ESTRAPOLOU ESTREMECEU ESTRESSOU ESTROÇOU ESTRINGIU ESTIOLOU ESTERTOROU EXAURIU ESTRUMBICOU ESTAGNOU ESTACOU ESTANCOU EXPIROU.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h55
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Onda-maré

 

você não acha nada nem se dá por achado nem um eu acho entre as achas de lenha verde que chia na fogueira das vaidades e enfumaça a festa das palavras das imagens e da dança buliçosa dos pensamentos no ar da tarde que choveu

você não acha nada nos eixos nem entre os seixos que espalho no caminho cheio de espinhos que a árvore da vida implanta sem se importar com quem passa e risca a pele

você não acha nada engraçado nem talvez interessante de desvendar e ver com olhos brilhantes e perscrutantes as coisas mais simples e mais complexas

você não acha nada nem escracha nem se racha de rir nem abre a caixa de surpresas da mente de frente pro creme do creme

você não se acha nem me acha é onda-maré que viaja no alto-mar do leste pro oeste a uma velocidade de 864 nós dando uma volta na Terra a cada 24 horas

uma volta na Terra a cada 24 horas uma volta na Terra a cada 24 horas uma volta na Terra e só

 

W.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h47
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tinha um tal

 

tinha um tal de Christian Morgenstern

que eu nem sabia que existia

que fazia chover na horta das palavras

um dia de noite veio me visitar e trouxe

três dedos de prosa e dois de poesia

ficamos tantas horas ali conversando

até que o galo baixou édito e declarou

que ele devia ir ou o dia nascer sem demora

de cesárea às seis horas da manhã

mas ele saiu mais tarde de parto normal

sem nem mesmo dar adeus ou tchau

 

W.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h44
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Num tempo que já faz muito tempo e foi agora: PENSO, LOGO ESQUEÇO.

 

Os evangélicos estão evangelizando, os pintores estão pintando, as evidências estão na cara, as florestas estão florescendo, so bêdabos estõa bedenbo, o infinito está acabando, o inferno está infernizando, a perfeição está desesperando, o perigo está perigando, o retorno está voltando, o resultado está resultando, os direitos estão entortando, os inconscientes estão conscientizados, os intérpretes estão interpretando, e tudo o mais vai nesse longo e tortuoso vir-a-ser que nunca é e que deixa um talvez gravado na porta do templo do Tempo, sem se comprometer. Agora, como já é depois, tanto faz ser amanhã. Ninguém suspeita dos suspeitos, nem atira pra matar. Queremos o bandido Tempo vivo pra ser linchado por toda a Eternidade. Tudo está sendo armazenado em buffer, calma! Assista aos melhores momentos pinçados de 10 mil anos de História. Veja o quanto estamos desatualizados na maneira como fazemos a História. Poderíamos ter colocado a quadriga na frente dos corcéis, o arado na frente dos bois, o motorista na frente do carro, o piloto na frente do avião, o matador

na frente da metralhadora, o lançador na frente do míssil. E tudo seria diferente. A História, como está aí, é apenas um jeito de você poder voltar pra casa à noite e encontrar a casa. Um traçado rígido de meridianos, paralelos, trópicos, longitudes, latitudes. Não, isso é Geografia. A História se passa mais adiante, em tela panorâmica, com som e efeitos especiais. Nem se aproxime. Área proibida. Só para atores, diretores e todo o staff da produção. Pegue a estrada. Saia da mira. Conserve a direita. Não converse com o motorista. Em caso de parada entre um andar e outro, acione o alarma. E se jogue no poço do elevador. Sorria, você está sendo detectado e deletado.

 

Werneck, editor de noves-fora  



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h42
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Notícias da Anaïs Werneck, modelo da agência Elite em Sampa, via MSN:

"Então, eu fiz 4 revistas. Tem uma na banca já (Manequim), tem duas que saem mês que vem (Boa Forma e Estilo Natural) e uma que sai em setembro. Tenho um catálogo na praia amanhã (Eeebaaa!) e um desfile de noiva na quinta!"

 

É isso aí, filha! Beijo.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h10
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Noturno com cães e tiros

 

Baruch Spinoza, atraído pelo barulho dos cães, foi até a porta e sentenciou, diante da escuridão da noite: “Não há na essência do ser humano nada que torne necessária a existência dele: tanto faz que exista ou deixe de existir esta ou aquela pessoa.” O ladrar dos cães parecia denunciar algum malfeitor no quintal. Baruch foi até o quarto, pegou a garrucha de dois canos, voltou à porta e atirou num lugar qualquer da paisagem encoberta pela noite. Uns segundos depois, o eco respondeu. Os cães silenciaram e ouviu-se a voz de Baudelaire que fumava narguilé: “O que não é ligeiramente disforme tem um aspecto difícil de sentir. A irregularidade, o inesperado, o surpreendente e o assombroso são partes essenciais e características da beleza.” Ele apontava a escuridão que igualava tudo e não feria de beleza os olhos. Do mesmo modo, Gustave Flaubert bateu no braço da poltrona e expeliu: “A estupidez é uma rocha inexpugnável: tudo o que se choca contra ela se despedaça.” Ele pensava, talvez, nos seus personagens que elevaram a estupidez à condição de catedral. R. L. Stevenson, que pegava gelo para o scotch, sacudiu o copo cheio de líquido dourado e enfatizou: “Tanta pressa temos em fazer coisas, escrever, juntar dinheiro, e em fazer ouvir nossa voz no silêncio brincalhão da Eternidade, que esquecemos a única coisa realmente importante: viver.” Lá fora estava tudo quieto. Bateram levemente na porta. Baruch, dono da casa, foi abrir. Uma mulher tentava estancar com a mão o sangue que escorria logo abaixo do seio. Baruch estendeu a mão e ela disse, sussurrando: “Posso entrar? Muito prazer, meu nome é Eternidade. Fui atirada.” Baudelaire, sem perder o galanteio, disse: “Que quadro lindo! Que imperfeição perfeita! Assombro da beleza!”

 

W,

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h48
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Veneno de viúva-negra tem Viagra.

 

Ivo viu a viúva-negra e amou.

A viúva-negra inoculou veneno.

Ivo viu estrelas.

 

Latrocedus mactans é o nome científico da viúva-negra. Mas ela atende por Iaiá. Se picar elemento do sexo masculino, causa suor em bicas, taquicardia e ereção que dura três dias. Aleluia!

 

Os pesquisadores chilenos já estão farejando minas de dinheiro na ‘dilatação exagerada dos corpos cavernosos’. Identificaram as neurotoxinas e seus fragmentos (peptídeos – fragmento de proteína) e acham que podem transformar em um viagra natural.

 

As viúvas-negras vivem nos Andes e alimentam de três a quatro machos até a maturidade, aí os utilizam para várias fertilizações e depois os matam. Não choram, não velam, nem enterram. Comem cada um deles. Via oral.

 

Outro peptídeo da viúva-negra diminui a mobilidade dos espermatozóides. Os pesquisadores já pensam em anticoncepcional masculino ($$$$).

 

As viúvas-negras já estão sendo chamadas de Salvadoras Universais. Levantam a força ao mesmo tempo em que impedem a fecundação.

A China, a Índia e imediações estão levantando as mãos (?!) para o Céu!





Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h30
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Outra de Atlantic City. Não entendi bem se a gente deve acreditar ou não que o Brasil está se desmanchando! Sei que lá tudo é fake, menos o dinheiro.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h52
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Sergio, Ana Paula e o Paulo (os dois são meus sobrinhos e ela é casada com o Sérgio e vivem no Canadá. E o Paulo mora em New York). Aqui, em Atlantic City. Lugar onde os nossos políticos levam dinheiro/doação dos religiosos pra tentar uma sortinha!

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h47
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Já que nada te move, caro leitor. Vá ouvir o Último Volume, programa do Neri, do Marco e da Katy Mari. Entre no site e ouça. ... http://microum.com.br/ultimovolume/



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h24
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canção de ninar das sete malas

 sete malas de dinheiro

eu trabalho o ano inteiro

e não consigo juntar

nem pra ir a até Matinhos

e pular na água suja

daquele imenso mar

 

sete malas de dinheiro

eu batalho a vida inteira

e não consigo juntar

nem pra ir até Brasília

e cair no mar de lama

que faz a turma vibrar

 

sete malas de dinheiro

é conta de mentiroso

veja aí seu presidente

deve ter mais escondidas

bem debaixo da sua cama

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h17
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Contos que a vida conta

 

José era mulherengo demais. E se dava mal por isso. A família gostava dele e, de tanto insistir, fez com que fosse tentar a religião. Virou Testemunha de Jeová. Transformou-se em fanático ferrenho. Só a matriarca ainda duvidava: ‘Não demora, ele arruma mulher e larga tudo.’ Mas, José foi fundo. Tão fanático que, num dia... Num dia, a irmã mais nova foi viajar de carro com o tio e sofreram grave acidente. A menina foi pro hospital e precisava transfusão de sangue urgente. José, ungido pela sua crença, não deixou. Bateu o pé. Era pecado. Nem todo o choro da família adiantou. A menina entrou em coma e morreu. No outro capítulo, José foi se encantando por uma vizinha nova. Não deu outra, largou a religião e caiu na vida. A família aterrorizada clamava aos céus. Mas, José parecia ter esquecido tudo. Ou, melhor, parecia o mesmo José mulherengo demais, só que agora execrado pela família.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h26
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vida ao molho de chaves

 

pegue um dia bem novo

lave

enxágüe

enxugue

cozinhe em fogo alto

por 24 horas

acrescente pouco

mas muito pouco

molho de chaves

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h45
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h06
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Se acha que hoje tem muito texto, fique
olhando os Oleandros do Van Gogh.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h51
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Qual é o seu ‘balanço’?

Na primeira lição de um sinuquista famoso, a descoberta do ‘balanço’ é fundamental. Por ‘balanço’, ele quer dizer o modo de se colocar diante da mesa. As pernas devem ficar afastadas (a esquerda na frente, a direita atrás – para destros). A da frente deve ser levemente flexionada e a de trás mais reta. A mão esquerda, mais o antebraço, são acomodados na mesa e a mão direita segura a empunhadura do taco. O taco deve deslizar pelos dedos da esquerda mais paralelamente possível do pano da mesa. E o queixo do jogador deve servir como mira. A tacada sai mais equilibrada quanto mais o ‘balanço’ for mais bem feito.

 

Werneck, sinuquista quase lá



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h43
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um beijo é um beijo

 

eu posso cavalgar as nuvens pra te encontrar

e posso me fingir de azul só pra te colorir

depois nadar na escuridão pra te impressionar

 

um beijo até debaixo d’água acende o desejo

paixão que é paixão amarra o coração

o abraço tem poder de temperar o aço
calor que se conserva na emoção do amor

 

eu posso carregar a cruz pra te fazer chorar

e posso dirigir a cena pra você sorrir

depois cantar a música de te endeusar

 

um beijo até debaixo d’água acende o desejo

paixão que é paixão amarra o coração

o abraço tem poder de temperar o aço

calor que se conserva na emoção do amor

 

pirâmide filosofia história natureza

o beijo é uma flecha que atravessa o tempo

cavernas dinossauros índios correnteza

paixão é tiro que revive o coração

 

Música nova: Werneck/Striq 

 

 

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h25
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"The only demand I make of my reader," Joyce once told an interviewer, "is that he should devote his whole life to reading my works."
Bem, já passou o Bloomsday (16 de junho) e ninguém falou nada. Só em Sampa ainda comemoram com saraus. E vem aí nova ver/tradu/são do Ulisses, pra todo mundo comprar e pôr na estante. Não dá pra ler. Mas, talvez dê. Ainda mais agora. Talvez nunca.

    



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h21
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