NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck
  

Venkataramam mergulhado em profundo Samadhi

 

Quem tenta defender os fracos e oprimidos, fica à mercê dos fortes e poderosos. Quem escolhe um caminho reto e direto, chega num lugar. Quem escolhe entre cinco caminhos, chega num lugar. O silêncio é a única cola para o silêncio quebrado. Antes de atirar moeda para o alto, primeiro é preciso ter a moeda. Qualquer olhar que lançamos sobre nossa vida é retrospectivo. Quando você elege alguém como superior, um guru, por exemplo, você está apequenando o cérebro para seguir qualquer ensinamento dele. Trabalho = dinheiro. Trabalho + trabalho = dinheiro. Trabalho + trabalho + trabalho = dinheiro. Você pode perguntar sempre ‘quem sou eu?’ Ou não perguntar nunca. Só alcança a Realidade Infinita aquele que se entrega ao Total Conhecimento. Acontece que tem a Incógnita de Mambalapattu na equação. Mendiga alimento e arrota espiritualidade. Eternidade: quantos precocemente desaparecidos em teu nome!

 

Werneck, editor de Essência Única e Sem Segunda

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h52
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O LEÃO E A GAZELA

 

Um leão comeu delicioso suflê de espinafre e ficou com a boca bem doce. Aquela sensação o deixou alegre e ele saiu a passear pela savana. Pensou que devia virar vegetariano, deixando de lado a fixação por carne tenra de gazelas e outros bichos menos votados. Enquanto se distraía com pensamentos naturais, viu uma gazela que pastava perigosamente apartada da manada. O instinto falou mais alto. Ele se aproximou pata-ante-pata e, quando estava bem próximo, foi notado pela gazela: — Huummm, que doce hálito, senhor Rei dos Animais! Muito melhor do que aquele bafo de carne. Posso adivinhar que comeu suflê de espinafre. Hummmm, que delícia! Deve estar bem satisfeito.

O leão disse: — Pois é, resolvi mudar meus hábitos: virei vegetariano.

A gazela, imaginando-se a salvo, disse: — Fico feliz e acredito que isso fará com que diminua seu nível de colesterol e tenha vida mais saudável...

Mas o leão atalhou: — Porém, como todos os que fazem dieta natural, não posso deixar de quebrar o regime diante de um prato tão apetitoso... e prometer que recomeço na segunda-feira.

Dizendo isso, saltou em cima da gazela.

 

Moral: É preciso ter muito estômago pra agüentar história de regime.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h46
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O CROCODILO E A GAZELA

 

A gazela saltitava bem faceira no prado. Para cá, para lá, para lá, para cá. Levantava poeira. Camuflado, na beira do rio, o crocodilo acompanhava a cena com certo olhar de enfado. E pensava, pela enésima vez na vida: — Como espetáculo é bom. Acho que até artístico. Não me canso de assistir. Mas, fico mesmo de boca aberta e arrepiado de gozo é quando chega ao fim e a bailarina cansada precisa tomar água. Excita-me tanto que...

 

Moral: Entre intenção e gesto o instinto balança.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h25
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Retalhos Refugados

 

A coisa está coisando por aí.

 

O espaço se curva no tempo e a coisa se curva no espaço/tempo. O rei, a prostituta, o empresário, o poeta, a dançarina, o médico, metafísico, o dono da verdade... cada um vê a coisa a seu modo. E, assim, os seres humanos vão sucessivamente levando a coisa cada um a seu modo, até o momento em que a coisa fica preta e todos entoam, em coro, o cântico da salvação com entrega da alma. A coisa nem liga para os apelos feitos de joelhos, contristados, em silêncio, aos berros, filosoficamente ou com a infame e condicionada sabedoria popular. A coisa só se curva no espaço/tempo. E mesmo assim, apenas para fazer a volta e pegar todos de boca aberta comendo mosca.

 

Inédito de John Lewis Lee, Ph.D



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h21
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Evolução: coisa de Escola de Samba.

Nas minhas peregrinações online descobri que uma igreja norte-americana (Landover Baptist Church) séria está afirmando, e dando Glory to God, que Noé (Noah) usava dinossauros voadores pra se deslocar. Ele não só ia rapidamente a locais remotos da Terra, como usava a condução pra levar outros animais e proporcionar segurança a eles depois do dilúvio. Eles dizem que foram encontradas provas concludentes do fato (archeological find in China).

Os criacionistas, como são chamados os religiosos que acreditam na Bíblia, estão levando espanto aos evolucionistas, partidários de Darwin.
E as perguntas continuam: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

 

W,

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h26
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Vamos ver se Renoir ajuda...
com a mocinha pós-banho!

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h41
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h51
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Van Gogh e suas 'Casas em Auvers', França

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h25
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Dora Marr by Picasso

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h24
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h31
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Intervenção confusa e convexa na paisagem escorreita

 

Vistas de cima, as frases não são mais do que meros animalejos
separados por vírgulas e aprisionados por pontos. Para entendê-las a fundo é preciso entrar no meio da boiada, sentir o cheiro do estrume e o calor do bafo. Ouvir o ruge-ruge baixinho de cada letra quando roça pêlo com suas vizinhas e prever se o estouro das palavras
vai ser rápido até a cerca ou se irá de soluço em soluço serpenteando como um rio. Se o pasto é bom, as frases seguem sem nenhum movimento mais brusco até o anoitecer quando então serão recolhidas aos estábulos. Quem olha bem de longe, vê apenas figuras paradas como animais gesso do presépio com o azul e o verde emoldurados por um Sol maior. E, pé na estrada, nem se importa em registrar na memória o doce cromo. Mais longe, em outras paragens, sinais eletromagnéticos de ondas hertzianas enjauladas têm muito mais charme e zurram atrações soltando chispas de fogo brando pelas ventas. 

 

Do livro Fragmentos em frangalhos

(inédito) de John Lewis Lee, Ph.D.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h23
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Válido somente para simples conferência

 

Uma boa forma de iniciar o trabalho criativo é entrar numa sala, respirar fundo e chamar, em alto e bom som, cada coisa à vista com nome diferente do que ela tem. Grite “cadeira!” para um telefone, “alfinete!” para um livro e assim por diante. Um minuto bem contado, não minuto de silêncio em estádio de futebol, garante boa limpeza cerebral. Aí, comece a resolver os problemas de criatividade com perguntas iniciando com ‘como”. Como manter as orelhas em pé durante uma tempestade em copo d’água? Como se obter cinco novas maneiras de puxar as orelhas do livro? Como mandar para rua o funcionário encarregado da Conferência de Treinamento de Funcionários que não treinou devidamente para exercer a função? Como conseguir apoio superior, em todos os níveis, para instalar a Força Aérea no pátio do jardim de infância? As respostas obtidas por meio do autobrainstorm podem não servir para nada ou para apenas despertar a ira dos novatos ainda não cientes dos métodos da empresa: se alguém não está dando o máximo de si é simplesmente mandado para o calabouço no porão onde recebe cem chibatadas e deve assistir a uma programação especial de férias de qualquer canal de televisão. Numa sessão de autobrainstorm recente eu comecei com a pergunta “como tornar a separar a água quente da fria depois que ela se torna morna ao sair da torneira de água quente/fria?” Em apenas cinco minutos de idéias extremamente borbulhantes reuni 125 itens. Deles aproveitei uns 90 para acender fogo de manhã num acampamento nas montanhas. Dez se revelaram tão audaciosos que não teriam função pelos próximos dois milênios – isso se não houvesse eclipse total do Sol. Os 25 itens restantes estavam tão prenhes de condições para resolver o problema que não tive coragem de mostrar a ninguém. Suando frio, tranquei as portas, as janelas, desliguei o telefone e me escondi embaixo da mesa da secretária. Hoje estou bem. Mas ainda sinto arrepios se passo perto dessas pastelarias que oferecem PASTÉIS FEITO NA HORA.

 

Do livro Fragmentos em frangalhos
(inédito) de John Lewis Lee, Ph.D
.


Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h13
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Anônimo Venusiano

 

Aqui fala um Anônimo Venusiano, com a veneziana aberta pra receber o frio outonalmente infernal. Num átimo, Erich Fromm, from the past, pousa suavemente na mesa e traz A Arte de Amar, que ninguém nunca aprende, nem sequer estuda. Uma vida é muito pouco pra matéria tão vasta e misteriosa. Passamos de ano por obra e graça da professora D. Vida. Ela fecha os olhos, compreensiva, pra nossa burrice, falta de empenho e despreparo. E faz a média ponderada de encontros e desencontros (fortuitos ou sérios), além da muita água da indiferença passando por baixo da ponte dos desejos, pra nos dar uma nota que mal chega pra passar de ano. Respiramos aliviados e tocamos pra frente. Amor: verbo em trânsito. Impedido. Preferimos estudar qualquer coisa que não encha muito a cabeça. Que deixe em paz o coração.

         Abro mais a janela e vejo o pássaro Paracelso num galho da árvore mais próxima. Ele recebe o solzinho nas asas, estofa o peito e se põe a cantar:

         “Quem nada conhece, nada ama. Quem nada pode fazer, nada compreende. Quem nada compreende, nada vale. Mas quem compreende também ama, observa, vê... Quanto mais conhecimento inerente houver  numa coisa, tanto maior o amor...  Aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo, como as cerejas, nada sabe a respeito das uvas.”

         E voa até o chão pra bicar uma laranja madura que estava dando sopa. Fiquei um tempo ainda ressoando a última frase da canção: “Aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo, como as cerejas, nada sabe a respeito das uvas.” Uvas, uvas suvas suvas uvas... a frase ficou reboando igual um sampleado tecno. E foi se perdendo no andar ligeiro dos ponteiros do relógio. Apressei a barba e o banho. Vesti meu sorriso mais bem passado e saí. A rua que me leve. Maduro e verde, verde e maduro. Como o sinal do trânsito na primeira esquina regulando a vazão do trêfego tráfego matinal.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h58
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TERMINARIA TUDO OUTRA VEZ... SE PRECISO FOSSE MEU HORROR...

 

A luta continua: vou do clichê ao arquétipo, dos diálogos de Confúcio ao poder criador da mente, das frases de cabeceira à evolução da consciência, atravesso o relatório Popcorn a nado e paro à sombra da cabala da inveja. Pela milésima vez vou ao desencontro do poliglota prático e da arte de viver, puxo pelas memórias póstumas de Brás Cubas e medito diante do dicionário filosófico do Voltaire. Não acho solução, não vejo saída, não encontro portas ou janelas abertas para a descrição de uma luta ou para o delírio de búzios que é tentar comunicação com o povo além tela do micro. Me sinto cada vez mais emburrecido e tenho vontade de matar o cantor e chamar o garçom: “Sai a traideira!” Às vezes, quando grito ‘ave, palavra’, tenho vontade de me esconder, fazer psicanálise, terapia intensiva, tai chi chuan, ou simplesmente dar um mergulho no rio Belém. Acho que meu grito é igual ao quá-quá do pato que, dizem as boas línguas, não faz eco. Enchi o vaso com flores do mal e um pouco de história da filosofia, reguei com duas doses de breviário da decomposição e adubei com pontos de vista do S. Maugham: não vingou! No fim, somei tudo, Etc. e tchau! + ser criativo e dois mais doido é igual ao vento. Ou ciclone, ou tufão, ou tsunami. E eu no meio do ‘redemunho’ das palavras. Desnorteado sem sul nem leste. Que dirá oeste. Ou nor-nordeste a bombordo?

 

Werneck, perdido na rosa-dos-ventos



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h49
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Aniversários

 

Sozinho em casa

procurou no espelho

um sorriso de presente.

O espelho fechou a cara.

 

Quando sopra a vela da vida,

o homem ganha mais um evento:

aniversário de morte.

Mas por que ninguém canta

o parabéns pra você?

 

Aniversário de criança

é invenção de adulto.

Aniversário de adulto

é saudade da infância.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h45
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Longevidade

 

A longevidade

não leva a

lugar nenhum.

 

Hellmann’s trip

 

A verdadeira realidade

é uma viagem

na verdadeira maionese.

 

Extra! Extra!

 

Comprou o jornal do dia na banca

e se sentiu  com o mundo nas mãos.

Depois de meia hora de leitura,

só tinha perdido tempo

com as mãos um pouco sujas de tinta.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h41
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Auto-retrato de Van Gogh menos conhecido. Pra
Yara.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h02
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Um soberbo Monticelli, que era guia para Van Gogh. Essa
tonalidade excessivamente clara...



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h00
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Sisley, que pintava horrores, também era bom
modelo: ele e a mulher, pintados por Renoir.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h57
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Picasso e o ‘fase terna’

 

Se Van Gogh viveu tragicamente porque nunca teve uma mulher, Picasso esbanjou. Só que foram as mulheres que tiveram fins trágicos. Marie-Therese Walter se enforcou. Jacqueline Roche deu tiro na têmpora. Dora Marr se tornou reclusa e morreu pobre. Duas ‘escaparam’: François Gillot e Genevieve Laporte. Mas, vivendo com Gillot, ele conheceu uma menina de 17 anos (Laporte) e teve caso de dois anos com ela quando tinha 24 e ele 70! Hoje, ela tem 79 e vai leiloar 20 esboços do pintor. Deve pegar uns 2 milhões de euros. Laporte se tornou ‘famosa’ como documentarista e poeta e vai se desfazer do passado, que foi chamado pelos críticos de ‘período Genevieve’ ou ‘fase terna’.

 

W,



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h48
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CHINA DEBAIXO D'ÁGUA

Pergunta que sempre me aflige: de onde aparecem tantas canoas quando as cidades ficam debaixo d'água?



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h29
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Esse Modigliani - Retrato da Jeanne Hebuterne - foi pintado há 85 anos, dias antes da morte do pintor. Jeanne estava grávida e pularia da janela por causa da morte dele. O quadro foi leiloado por 'apenas' R$ 14,1 milhões. E Modigliani viveu na miséria.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h03
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Lula e a eleição

 

Não insista. Uma coisa que não acompanho é política. Esse negócio de dizer que ‘o homem é um animal político’ não cola pra mim. Nem vejo mais televisão que é o lugar onde proliferam os desmandos, as falcatruas, as quadrilhas, as CPIs. Mas, posso tranquilamente fazer uma charge sobre o patrocínio asiático da eleição do Lula. Veja aí:



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h52
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pari passu

 

segui

meus passos

até aqui

 

o caminho

bifurcou

 

perco-me por um

e sigo-me por outro



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h06
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Pra acompanhar nossa manhã gelada de inverno, un
matin d'hiver de Pissarro. Brrrrrrrrrrrrrrrrrr!

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h56
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Tendências tendenciosas e meia-volta, volver!

 

“Uma pessoa pode combater uma afirmação com um raciocínio, mas uma tendência ela só pode combater com uma saudável intolerância.”

Foi G. K. Chesterton que escreveu isso e não eu, já aviso. Nesse mundo cercado de tendências por todos os lados, menos por um que aponta o Nada, cultivar jardins com flores da intolerância é o que há. O saudável, ou não, fica por conta de quem está na platéia. Uma pessoa me disse que existe a tendência apontando: todos nós poderemos viver só de luz. Outra diz que não adianta: os motoristas vão continuar piorando no trânsito. Outra diz: as crianças estão cada vez mais mal-educadas e se impõem diante de todos os adultos. Outra diz: vamos chegar num tempo em que todos terão sido assaltados. Outra diz: a tendência do Inverno é se apossar de todas as estações. Outra diz: o verde-limão vai ser a tendência da moda Primavera/Verão. Outra diz: a tendência é todo mundo falar só no celular em toda parte... Ops, isso não é mais tendência! Enfim, as tendências rolam, sobem e descem a serra, invadem pizzarias, bebem cachaça e vomitam scotch, abrem a bolsa no shopping, deslizam nas montanhas nevadas, pintam paredes de edifícios, compram na Daslu, desenham automóveis infernais, entram na lista dos mais vendidos, etc. A única tendência que não aparece em nenhuma pesquisa, nenhum programa de falação da TV, nenhum livro de auto-ajuda, é... as pessoas vão aprender a usar um banheiro coletivo? Há uma tendência pra dar descarga, não mijar no chão, não jogar papel fora do cesto, lavar as mãos depois, etc.? Ou seja: vamos aprender a ser gente? Por isso, do meu cantinho, zelo por minha intolerância.

 

W,

 

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 19h03
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Coisa do outro mundo...

 

Já notou que, depois que entramos na Era Digital com 300 tipos de máquinas fotográficas e filmadoras, não tem mais aparecido ONVI? Agora que em cada esquina tem alguém com uma filmadora ou máquina fotográfica, os ETs não deram mais as caras. Hmmmmm!

 

W,

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h17
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DEMOCRACIA TIRADA DE LETRA

 

Em todas as listas ou seqüências sempre tem o de maior ou menor valor. O número um, o primeiro, o melhor. Mas, na lista mais importante, a ordem não significa nada. Tanto o primeiro elemento quanto o último têm o mesmo valor. São as letras do alfabeto. De A a Z, todas têm o mesmo peso e importância.

 

W,




Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h45
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CIORAN: DUAS GOTAS APÓS AS REFEIÇÕES

 

Cioran é tortuoso e torturante. Não deixa pedra sobre pedra: tudo vira areia ou poeira de estrela. Mas, é bom ler. Cioran parece nome de remédio que só se pode tomar com receita médica. No Breviário de Decomposição no capítulo História e Verbo, ele fala das palavras finais do ser humano. Aquilo que supostamente alguém famoso disse num momento crucial. E diz que isso vale pra todo mundo. “Uma frase nos momentos cruciais da vida: eis mais ou menos o que se pede aos grandes e pequenos. Se não cumprem esta exigência, esta obrigação, estão perdidos para sempre.” Antes, ele diz: “Pobre do conquistador que não tenha espírito.” Ou, ‘Só guardamos a memória das vítimas passadas ou recentes se seu verbo imortalizou o sangue que as salpicou.” Portanto, caro leitor, comente o blogue. Faça dele sua parede de caverna, seu papiro, seu cartaz, seu diário. Você poderá ser imortalizado por isso! Que tal?

 

W, 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h36
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Em tempo de Alice no País das Maravilhas:

Atitude, latitude e longitude é tudo o que a gente precisa pra se encontrar.

W,



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h02
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Com esse Juan Gris retratando Picasso quero mandar
Parabéns pro grande Neri que faz aniversário hoje. Dia
em que outro grande meteu os dois canos da espingarda
na boca e disparou a tampa da cabeça: Hemingway.
Primeiro dia do Inverno de 2005.


Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h55
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Já que os poemas não agradaram... talvez
mulher pelada... do Coubert.

Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h52
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Jogo de azar seu

 

Escreva vinte poemas,

embaralhe e dê as cartas.

Pode ser que alguém

saia com uma quadra de mão.

 

Poetílico

 

Poeta é assim:

ou fica louco

de tanto escrever

ou doido fica

de nada escrever não.

 

Conte de um a zen

 

Sou um cara

muito maneiro:

ganhei o dia

sem ganhar dinheiro.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h41
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Les hiboux

 

Sous les ifs noirs que les abritent,

Les hiboux se tiennent ragés,

Ainsi que des dieux étrangers,

Dardant leurs oeil rouge. Ils méditent.

 

Sans remuer ils se tiendront

Jusqu’à l’heure mélancolique

Où, poussant le soleil oblique,

Les ténèbres s’établiront.

 

Leur attitude au sage enseigne

Qu’il faut en ce monde qu’il craigne

Le tumulte et le mouvement ;

 

L’homme ivre d’une ombre que passe

Porte toujours le châtiment

D’avoir voulu changer de place.

 

Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal.



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h08
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As corujas

 

Nas árvores escuras que as abrigam,

As corujas se põem coléricas

Como esses deuses exóticos,

Dardejando olhares rubros. Elas meditam.

 

Sem se agitar elas se recolhem

Cedendo à hora melancólica

Enquanto, despachando o sol oblíquo,

As trevas se estabelecem.

 

Atitude assim tão sábia ensina

Que elas se abstêm do mundo que ansia

Pelo tumulto e o movimento;

 

O homem cheio de inquietação que passa

Carrega sempre o castigo

De desejar mudança de lugar.

 

(Versão livre Werneck)



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h07
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grau

 

de bom grado

a conversa sobe um grau

de malgrado

tudo escada abaixo

sem respeitar degrau



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h59
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está não está

 

você não está entendendo

você está entendendo

você não está ententedo

você está endetendo

você não está tentenddo

você está endtentendo

você não está tendenten

você está não endenten



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h54
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chuva no início do Inverno é...

 

fenômeno atmosférico

que mede a temperatura da cama e o conforto 

do sofá no canto da sala

aponta a chatice colossal do livro aberto

mostra o quanto faz diferença

não ser um monge zen-budista

confere ao simples telefone

o status de colete salva-vidas

e à janela o de portal do Inferno



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h50
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complexão  agonística

 

você pode olhar no relógio e ver que são duas e quarenta e três e depois olhar de novo e ver que são duas e quarenta e cinco ou duas e quarenta e quatro e aí olha pela janela e vê que  chove forte e olha de novo e vê que chove fraco torna a olhar e já não chove fraco nem forte mas uma chuva bem no meio entre o forte e o fraco e aí senta numa cadeira e ela é macia levanta e torna a sentar e a cadeira é dura e logo em seguida ao sentar a cadeira é indiferente ao seu paladar aí anda um pouco pela sala e os passos são leves logo depois acha que os passos são um pouco pesados e mal constata isso os passos tornam-se sem nenhuma firmeza para completar pega uma xícara de café e ele está muito quente para logo em seguida estar frio e um pouco depois parecer apenas morno e depois de tudo você sente que está louco mas acha que pode ser apenas um surto de loucura o que em seguida se transforma apenas num excesso de lucidez que faz com que levante da cadeira macia pegue um café quente ande a passos leves pela sala e contemple a chuva meio forte e meio fraca pois o relógio marca duas e cinqüenta diferentemente do que havia marcado há apenas quatro minutos e vem a certeza de que são duas e trinta e dois com chuva leve cadeira dura passos sem firmeza na xícara de café frio

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h43
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Dsconstrutivista nato

 

 Hoje é aquele amanhã em que você apostava que tudo ia dar certo. E aí, perdeu quanto?  Sempre que leio a palavra caráter, me lembro de carter – que sei ser um componente do carro, mas não sei onde fica, nem pra que serve. Assim como não sei pra que serve e onde fica o caráter nas pessoas.  Homem honrado não urra, ôrra!  A medida de um homem é o que ele faz quando absolutamente certo de que não será descoberto. Mas secretamente adoraria que descobrissem.  A punição do mentiroso não é ninguém mais acreditar nele, mas ele não poder acreditar em mais ninguém. (George Bernard Shaw) Essa não dá pra desconstruir, sorry!  Um único fardo de alfafa vale um carregamento de jumentos.  Na cadeira do dentista, abrir um sorriso lindo e perfeito não vale nada.  Pior que nó cego é laço picego.  Por falta de um cravo, perde-se a ferradura; por falta de uma ferradura, perde-se o cavalo; por falta de cavalo, relinche você mesmo.  Entre o crer e querer, fico com o crerer. No círculo de joalheiros de Bássora, ouvi um árabe contar esta história: “Uma vez, perdi-me no deserto, sem provisões. Estava prestes entrar em parafuso, quando subitamente vi ao longe um saco. Nunca esquecerei a alegria que senti ao imaginar que ele continha grãos de trigo fritos e, depois, minha amargura e desespero quando descobri que ele era apenas o saco do patrão.”  Grão de areia nos olhos dos outros é linda praia deserta.  Uma boa parte da humanidade só se lembra que tem cabeça quando ela dói.  Quem acorda quando já passou a estação das rosas, só vai se espinhar no desembarque.  As nossas forças mentais podem ser comparadas, em termos de poder, às lágrimas de uma mulher. Mas não sei pra quê.  Um dia é a eternidade em miniatura. Principalmente se a gente ainda coleciona carrinhos em miniatura. Quem tem mil amigos, vai à falência se der festa.  Todo homem perfeito tem, pelo menos, um defeito: está morto. Quem deve muito, não teme.

 



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h37
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biografia tardia

 

nasceu em 1950

teve infância atribulada

infeliz cheia de percalços

 

não suportou carregar

pela vida inteira

aquele fardo

 

em 1955

suicidou-se



Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h16
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