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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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 Tom Wolfe uivando fora do penico
Tem Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Tom Wolfe, autor norte-americano, esteve na capa da dita. Fez o prefácio dela. É estranho escritor dar receita do trabalho pra outros. Fica meio assim: é sempre o mais famoso que caga as regras. Tom Wolfe escreveu um livro que gostei: A fogueira das vaidades. Só que ele falou na Bienal: “Gostaria de fazer uma exortação a todos os escritores, incluindo os poetas: saiam em massa para falar com as pessoas; façam um trabalho de campo e aprendam por conta própria as coisas que estarão nos jornais do dia seguinte.” Acho que ele cometeu um leve equívoco. Escritor, em primeiro lugar, é solitário. Não existe coletivo de escritor. Acho que a segunda falha dele foi dizer que deve existir ‘trabalho de campo’ e o negócio de desvendar o que será notícia. Desculpe se você é fã dele e leva a sério um cara que se veste à moda antiga: terno branco e sapatos de duas cores! Acho que a literatura se faz no papel. É ficção à base de palavras. Quem tem que saber o que será notícia no dia seguinte é repórter de jornal ou televisão. Tom Wolfe disse também, lembrando Paris Hilton, que ‘nenhum escritor seria capaz de criar uma história na qual uma socialite faz um filme pornô para a internet e vira uma celebridade depois’. Gente, acho que esse americano estava zoando. No mesmo tom existem centenas de histórias que foram criadas há séculos e que hoje se tornaram realidade. As histórias de viagens espaciais, por exemplo. E, pra ilustrar o exemplo dele, aqui no Brasil tem uma apresentadora de programa pra baixinhos que era atriz pornô antes de ser celebridade. Por que um escritor teria que inventar isso? Isso é a realidade. O escritor escreve ficção. Mesmo que seja baseada na realidade. A realidade é chata, sem enredo, sem ação contínua. Num livro ou filme, o personagem pode nunca ser lido/visto comendo, trocando de roupa. Não faz parte do enredo. Enredo é... mondar a chata realidade. Acorda, Tom!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h49
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Roda de samba
Emoção repisada
– pisando nos novos astros –
distraída.
Patrão-padrão
Motivo pra rir
só o relógio tem.
Puxa os minutos dali,
empurra as horas pra lá,
ao bel-prazer.
Mesmo que se atrase,
que falte ou pare,
o patrão Tempo não liga
e toca o serviço pra frente.
Circo humano
O homem gritou:
— Chega!
Não sou palhaço!
Tirou com raiva o terno de microfibra
e a gravata vermelha.
A platéia riu.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h07
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Sem sincro
Não estou à frente
do meu tempo.
Os outros é que
ficaram pra trás.
Acertos
O poeta devia
ser considerado
a pessoa mais
comum do mundo.
Vive envolvido
com a linguagem,
o tempo e a vida.
Incomuns seriam as
ditas pessoas comuns
que apenas vivem e
escorrem no tempo
sem se preocupar.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h06
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Vida
Teatro do não se saber nunca
o que é ensaio e o que é espetáculo.
Quando menos se espera,
um aplauso tímido lá no fundo.
Ou a vaia viva na primeira fila.
Quando mais se espera,
palavras e ações se perdem sem eco
no escuro espesso da platéia oca.
Pretensões
James Joyce se achava
pretensioso com seu Ulisses.
Arrotava que era mapa seguro
pra reconstruir Dublin,
rua por rua, casa por casa,
caso ela fosse um dia destruída.
Pena ele não poder saber que é
pretensão bem menor que a minha.
Quero que – se Curitiba desaparecer
vítima de sua autofagia insaciável –,
com o quebra-cabeças da minha obra,
ela nunca mais possa ser reconstruída.
E nem sequer de novo imaginada.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h56
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Terapia
Faça uma lista –
Vá ao supermercado:
compre tudo diferente.
Terapia (2)
Você pode
se espelhar em tudo
– menos no espelho.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h53
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Vislumbre
Em algum instante do percurso
vislumbrar a obra pronta.
A capa reluzente,
a gramatura e a textura do papel,
a página diagramada,
as ilustrações,
alguém abrindo o livro
aleatoriamente como quem
corta o baralho e pega uma carta,
o ruído do folhear rápido,
o cheiro de novo que exalam
as folhas borboleteadas.
Outras vezes já aconteceu tudo isso
e logo se infiltra um prenúncio
de melancolia.
Hora de voltar ao trabalho.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h48
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Pior cego
é aquele
que quer enxergar.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h45
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El hacedor
As possibilidades são escassas,
o tempo é curto,
a vontade é pouca.
Se o tédio permitir,
ponha tudo no liquidificador
e nem ligue.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h42
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Internerds
Internetizem-se os idiotas
e logo teremos superpopulação.
Geometria desvairada
Globalizaram o mundo
e ele ficou mais chato.
Paradoxo econômico
Os miseráveis
pagam caro
pra viver.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h34
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 Uma boa pra sexta-botequeira, W.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 10h55
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Exploração das formas mutantes – vertentes
Comprei quarenta créditos pro arquétipo e me joguei. Bem municiado, me sentia um cidadão a todo pano, a qualquer prova, a olhos vistos. Na quarta casa do zodíaco, tive a sorte de encontrar um arrecife bem junto à praia. Chamei aroeira de pimenta-do-peru sem a menor cerimônia e exigi a suspensão das atividades beligerantes como resultado de uma convenção. Em suma, pedi armistício. Deduzi que uma hipótese poderia fluir do completo isolamento e fiquei atento. Minha familiaridade com a literatura contemporânea dificultava o culto do absurdo em si. Uma coisa assim apolínea, derivada do próprio deus da luz, das artes e da adivinhação. Apolo em dó maior. A beleza clássica esbarrando na fantástica luz do pôr-do-sol. Mas, era tarde. Anoitecia sem que nada pudesse impedir. Cansado de perambular, deixei de lado qualidades como seriedade, comedimento, disciplina e equilíbrio. Já havia esquecido as contradições do arrecife e entrei no bar. O primeiro gole de cerveja bem gelada desembaçou o realismo eletricamente iluminado do dia que finava. O que parecia tragédia shakespeariana tornou-se teatro de marionetes. O que mastigava vocábulos de pedra abriu-se em puro Ionesco. A mão afagava o copo e as lembranças mais cálidas de um certo Verão. O impasse de mágica aconteceu.
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h41
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TOP-TOP DE LINHA
Andar na moda é tropeçar na barra da calça. O melhor da vida seria casar por dinheiro e separar por amor. Não confunda escritor com músico de boteco. Escritor trabalha em off. Li não sei onde, alguma coisa que alguém escreveu sobre não sei o quê, que me fez pensar em algo que não me lembro mais. Mas era muito importante. O mundo é o que você pensa do mundo. Imagine que para alguém, que não pensa em você, você nem existe. Sou apenas intermediário: tudo o que existe dentro de mim pertence ao passado e quero vender ao futuro pra viver bem no presente. Tudo o que o assassino consegue, atirando no corpo de alguém, é matar a alma. Quem ama o feio, espera, pelo menos, ter filhos bonitos.
w,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h55
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 Em duas semanas, 400 mortos em explosões no Iraque. E o Bush dá risada! Volta a pergunta: o que vai acabar antes lá: os carros ou a população?
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h28
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 Ronaldo fez gol contra
Que pena! Acho que a dupla de área da mídia devia ficar junta. Aí, no fim do ano, o voto pro casal mais babaca da face da Terra estaria garantido. Ontem, por sinal, não foi nem manchete no jornal da Globo do fim da noite. Foi apenas mais uma notícia implantada entre a chuva de gols. E você vai me dizer que ainda não sabe? Ah, nem gosta de futebol, né? Aliás, do que você gosta? Mistério insondável. Um dia ainda descubro. Sou persistente. Um dia ainda descubro o segredo do leitor do NeoPseudo...
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h12
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 Um Renoir, homenagem à Célia que dança
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h07
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 Um Monet campeão
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h00
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 Um assombroso Ruisdael, que Van Gogh tanto gostava.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h54
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 Um sensual Fragonard pra você.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h53
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Babilônia desvairada
Dramatizar é preciso. Realidade não é preciso. Confesse, vamos! Se você conhece alguém famoso, só dramatizando a história pra contar depois é que vai obter alguma reação. E vai se sentir confortado. Se não tiver nenhuma história com ‘um plus a mais’, não tem nada.
É por isso que alguns filmes ou livros causam impacto. Em Amadeus, o autor inventou um Salieri contra Mozart. Invejoso, vingativo, dramático. E nos fez acreditar que Mozart foi perseguido, enganado e jogado na lama. Salieri, de quem ninguém nunca tinha ouvido falar, fez o papel do vilão.
Em Modigliani, o autor tenta jogar Picasso contra ele, como se ele fosse um concorrente sério ao posto de Deus da Pintura. Não sei das reações do povo que viu o filme. Ele ficou em cartaz, acho eu, por uma semana só. E agora, em DVD, sem os críticos pra pôr fogo na trama, ficou sem força.
O Código da Vinci tem o mesmo propósito. Romancear um fato tornando os artistas da época vilões da história. Até a Igreja levantou a voz pedindo que os fiéis não lessem. Não adiantou o autor do livro dizer que era apenas ‘ficção.
É preciso criar conflito para que a ação se desenvolva. Contar alguma história sem conflitos é perda de tempo. Em F for fake, Orson Welles se propôs a contar duas histórias: uma falsa e outra verdadeira. E lançou o desafio: qual é a falsa e qual é a verdadeira?
É fácil jurar que a história do Picasso é a real. E que a do falsificador de quadros é falsa. Mas o inverso é que vale. É um grande filme. Assim como Amadeus e Modigliani.
Tornou-se comum pegar carona na história pra fazer ficção. Colocando personagens ditos históricos em posição delicada. E todo mundo engole por preguiça e dar de ombros.
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h31
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h30
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h19
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Strange world, strange people
Auto-retrato de Modigliani
No fim de semana, quando as coisas estavam em ebulição com a mudança de endereço das agências, muitos leitores diferentes entraram no blogue. Uma invasão saudável. Diria, até, contra-revolucionária. Bem no momento em que estou meio de saco cheio com as coisas da Internet. Sou atirado. Me empenhei em fazer um blogue variado, dinâmico e substancioso. ‘Queimei as pestanas’, como se dizia antigamente. Fraco, o resultado. Tirando meus fiéis leitores, o abalo foi de apenas meio grau na escala Richter. Vamos indo. Se der, deu.
No mais, no fim de semana, a Célia e eu pegamos dois filmes pra ver. Modigliani e Amadeus. Posso dizer que os dois se completam. O Amadeus todo mundo viu. É ‘velho’, já! Agora, Modigliani é novo. Mas, gira em torno do tema arte/miséria. O pintor não é tão popular quanto Picasso, Toulouse-Lautrec, Van Gogh. A ficção montada pelo diretor e autor do roteiro convence. Modigliani era tuberculoso e alcoólatra. E pobre. O que não era novidade naqueles tempos entre artistas. Nem hoje. Sempre gostei de filmes com um pouco de biografia. Claro que a ficção toma conta. Mas, dá vontade de conhecer mais de Modigliani, o pintor. Ele viveu apenas 36 anos! Livorno, 1884 – Paris, 1920. A característica das suas pinturas da última fase é marcante: pescoços longos e nus longilíneos reclinados. A dramatização do filme é muito boa. E a gente fica com inveja de ver que numa mesma festa podiam estar Utrillo, Monet, Picasso, Modigliani, Diego Rivera. E as musas deles. Ele morreu em 1920, quando Paris estava em plena época de ouro, de festas e efervescência cultural. Só pra dar uma idéia, um quadro de Modigliani foi vendido, em leilão em 2003, por ‘apenas’ 26 milhões de dólares.
Amadeus completou bem o fim de semana. Valeu, né, Célia?
retrato da Jeanne, mulher de Modigliani
Modigliani W, (Neri, Caio, Fantini, Beto... não percam!)
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h15
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Contos que a vida conta
— Ah, não! Minha geladeira é assim... Vazia dentro e cheia por fora. Cheia de ímãs na porta. Não faço nadica em casa.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h05
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