|
sua onipresença perene entre os homens.
E anunciou-se que ficaria exposto na sala
imensa do maior palácio do mundo. Guardas,
códigos de segurança, vidros inquebráveis,
tapetes vermelhos, silêncio sagrado.
Mas o que expuseram ali – idéia genial,
precaução total, medo ancestral – foi apenas uma réplica.
Embora valiosa, não chegava aos pés do original.
Apenas uma idéia do tamanho e da imponência.
Mas romaria se formou às portas do palácio.
Reis, príncipes, marajás, sultões e xeiques
punham sobre a jóia abismados olhos soberanos,
logo imaginando a posse, o poder eterno.
Assim é, também, com o ser humano.
Ele anuncia um coração puro, grande, generoso,
secretamente cultivado e burilado.
Nele cabem catedrais de emoção, palácios
inteiros de amor, toda areia do deserto de alegria.
Mas, quem jamais o vê? O ser humano expõe
apenas um simulacro do seu coração imenso.
O verdadeiro, ele guarda para o evento singular,
a ocasião especial, para outro ser que ele imagina merecer.
E a vida inteira fica assim. A imitação servida
aos olhos curiosos, aos amantes desviados.
E o verdadeiro coração, lapidado em mil faces luminosas,
fechado em algum lugar incerto.
Resguardado até da fértil terra suja que forjou
por milênios a beleza transcendental, o valor descomunal.
Um diamante brilhando para nada e ninguém.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h24
[]
[envie esta mensagem]
|