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NEOpseudoSUPRAhiperULTRAsuperMEGApower do Werneck |
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 Boa sexta-feira! Já estou de casa nova. Agência nova. Enquanto você vai tentando ver quantas pessoas tem no desenho (12 ou 13?), eu aproveito pra dizer que estou de micro novo. XP! Aqui a gente trabalha no sótão, lugar dos fantasmas de outrora. O teto é do tipo que sobe triangular - nos cantos não dá pra ficar em pé. Faz calor, óbvio. O ar-condicionado não dá conta. Tô bem instalado, mas sem meu catálogo de endereços de e-mail, sem meus CDR, sem livros nem nada. Amanhã cedo vou lá na Parceria e pegar tudo. Por enquanto, leia o que está aí, se ainda não leu. Segunda-feira volto a toda! Abraços, Werneck
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h41
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Frescas e quentinhas
Quentinha. Acabou o jogo em Iraty. Coxa 3 x Iraty 2. Primeira semifinal. Começou às 15:30 h. Coxa fez um, Iraty fez dois e virou. Coxa empatou e virou. Claro que vai ter quebra-quebra de ônibus da delegação do Coxa lá na cidade de Iraty. Juiz xingado porque deu dois pênaltis pro Coxa e um pro Iraty. O fato é que falta um jogo aqui em Curitiba no final de semana. Aí, se der Coxa, final com o vencedor de Atlético x Londrina. Ontem deu Atlético, 4 x 0, lá em Londrina.
Fresquinha. Meu último dia aqui neste prédio da Avenida João Gualberto, 1740. Amanhã estarei trabalhando lá na Trade. Uma fusão oportuna entre as duas agências (Parceria x Trade). Mais longe de casa, mais perto da casa da Célia.
Quentinha. Computador zero pulo. Está sendo montado. Esse fica aqui, de molho. Já deu o que tinha que dar.
Fresquinha. Encontrei a Milena na hora do almoço, bem aqui perto. A filhona está fazendo aulas de direção, com aplausos do instrutor e começa novo estágio. Almoçamos no Di Domenico e, antes, achamos uma grande promoção de sapatos femininos. Tipo loja-relâmpago. Todos os sapatos preço único: R$ 49,00. Ela gostou de um e serviu. Bem bonito.
Quentinha. A Anaïs está em Sampa, de novo. Fez muitos testes e algumas revistas. A campanha do Shopping Estação, daqui, foi muito boa: outdoor e mobiliário urbano. A da Coca-Cola ainda está no ar: Tudo de vibe!
Fresquinha: A Gradisca foi ao jogo em Londrina. Bem feliz com a vitória do Ventania (diminutivo de Furacão). Perguntou se eu a vi na tevê, mas a imagem da Educativa Paraná é péssima. Tipo 24 jogadores em campo.
Quentinha: Tem sol, calor e pode ser que dê pra tomar uma à noite. Um pouco de dor de cabeça, mas...
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h49
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o velho e o bar
veja o ilustre passageiro
que belo tipo faceiro
tem o senhor ao seu lado
no entanto acredite se quiser mesmo escrevendo adoidado
mesmo com filhos, mulher
e famoso a mais não poder
resolveu pôr tudo a perder
aos 63 num 61 bem cruel
deu na telha que iria pro céu
a velha espingarda carregou meteu os dois canos na boca
e talvez por último pensou:
Paris/Vida é uma festa louca!

Há 80 anos, Ernest Hemingway publicou em Nova York seu primeiro livro de contos In our time (1925). Escrito em Paris. Revolução na linguagem.
Depois, O sol também se levanta, Por quem os sinos dobram, O velho e o mar, Paris é uma festa, e outros.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 17h12
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Melia azedarach
A batida na árvore foi tão forte
que o carro partiu no meio.
Os ocupantes foram retirados
com vida das ferragens pelos
bravos soldados do Corpo de Bombeiros
– milagrosamente.
O cinamomo dava pequenas flores aromáticas
de corolas azuis ou róseas.
Fazia sombra na calçada
e os pássaros comiam com gosto
suas amêndoas amargas.
A meliácea (árvore-santa, jasmim-azul,
jasmim-de-soldado, lilás-da-índia ou
lírio-da-índia), sem socorro,
morreu no local.
Seu corpo dilacerado não foi sepultado
nem reclamado por nenhum parente
ou órgão protetor do meio ambiente.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h18
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Eu, meu vizinho.
Se não conheço meu vizinho, ele também não me conhece. Se não o vejo sair cedinho, ele não me vê tarde chegar. Se não sei dos seus parentes, nem sabe das minhas paixões. Se não imagino do que vive, não faz idéia das minhas esperanças. Se o acho muito esquisito, deve me achar superexcêntrico. Meu vizinho, concluo intrigado, sou eu mesmo morando ao lado.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h08
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 singing, loving and dancing in the rain dan
singing
dan
singingdansinginglovingdansinging
i
n
t
h
e
r
a
i
n
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h49
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DOIS PAÍSES E UMA ILHA
Dois países poderosos disputavam ilha desconhecida (nunca visitada) no meio do oceano. Esgotados os meios diplomáticos, partiram para ataques verbais mútuos ao mais caro sentimento patriótico. Sem efeito, decidiram declarar guerra. Convocados os exércitos, calibradas as armas pesadas, carregados os mísseis, abastecidos os aviões bombardeiros, eclodiu finalmente a primeira batalha. E depois a segunda e a terceira. Ao fim de pouco tempo, os dois começaram a contar pesadas baixas. E destruição de cidades bonitas e patrimônio de valor inestimável. E sofrimento dos habitantes estropiados: sangue e lágrimas. A bandeira da paz foi levantada. Decidiram dividir a ilha para acabar com a disputa. Duas grandes frotas partiram, com altas autoridades, uma de cada país, para assinar o tratado divisório lá na própria ilha. A surpresa foi total. A ilha era, na verdade, amontoado imenso de guano sobre rochas, sem praia, sem árvores, sem vida. Dividiram a ilha assim mesmo. Conforme declarou um general em off: — Depois de tanta merda (xingamentos, mortes, destruição), até que ficar com metade de uma ilha feita só de inofensiva merda de pássaros (guano), não é nada mal.
Moral: Até por causa de merda o homem faz muita merda.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h30
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LENDAS, MITOS E FÁBULAS
Comecei a pesquisar fábulas, mitos, lendas. Tem livro de autor francês sobre. A origem se perde no tempo. Desde as que falavam de coisas bem amenas, com moral motivadora, até as que exaltavam o Diabo e suas peripécias. Mas, baseando-me nisso, resolvi escrever a mais antiga fábula. Agora. Nem preciso escrever inteira. Só dou o primeiro parágrafo.
A MAIS ANTIGA FÁBULA
Era uma vez uma história muito antiga. De antes da época em que os bichos falavam. Muito mais velha do que a dos milagres dos santos. Mais cheia de pó do que os contos das mil e uma noites. Mais antiga do que a do Diabo levando a alma dos homens em troca de favores. Essa história, quase mais velha do que o mundo, se passa no tempo em que as mulheres começaram a querer discutir a relação amorosa. (...)
Werneck
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h23
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A LEBRE E O JABUTI
A lebre desafiou o jabuti para uma corrida. O jabuti, sabedor da fama da lebre como grande corredora, alegou que estava com estiramento no tendão de Aquiles, adquirido depois de vencer a maratona de Nova York. — Por que não jogamos umas partidas de xadrez? – perguntou o jabuti. – Acabei de ganhar tabuleiro e peças de madrepérola.
A lebre, sabedora da fama de grande ganhador de torneios internacionais de xadrez que o jabuti ostentava, disse: — Ah, não posso! Ontem eu lia um clássico da literatura medieval e na metade torci o cérebro.
Moral: A mentira tem pernas curtas. Mas é campeã mundial nos 100, 200, 400, 800, 5 e 10 mil metros rasos. Acredite se quiser.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h20
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A PÁTRIA E A LÍNGUA
A pátria estava precisando de seus filhos para delicada missão: proteger as fronteiras da linguagem contra a invasão de vocábulos estrangeiros mal-intencionados. Ela chamou a língua e foi dando as ordens. A língua, que não estava a fim de voltar para o meio do mato de arma na mão, tentou se esquivar: — Ói, don, eu tavnupondiôns oiced e num sabiquiônspegá. Daí priguntei prum omi qui passav pronquevai essi ônsquipassqui. Tavquainaora di trabaiá i daí quiostrudia já tim perdid o ôns pruque num sabiqualquipegá. O omi priguntou onquiéquieuia i daí eu dissqui nim sabionquieutava i prucausdiss qui nimsabiquiônspegá. Nossinhora, seiquissô meibichburr mainimtantné! Ansdionti qui chuveui eu tav com dodestomgo é qui daí num pud saí di cas pruque ladondcovim num chuvia tantquidaintão onquiémermquieutendií, dona patra? Vôonsenhoraquisé! Vãosimbortão!
A pátria, que dos filhos deste solo é mãe gentil, vendo que o projeto exigia muito mais preparo, contratou um bando de escritores da academia de letras para desempenhar a missão. E eles não deram conta.
Moral: Gáscabô! Póchamaoomidugás? Yes, baby!
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h18
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A GALINHA E A RAPOSA
Uma galinha caipira chocava pacientemente quando foi descoberta por uma raposa da cidade que viajava em férias pelo campo. Ia atacá-la, mas como ela não se mexeu, resolveu, matreiramente, conversar antes:
— O que está fazendo, dona galinha? — Chocando meus ovos, não vê?
— Nunca vi galinha chocando ovos!
— Como não? É assim que crio meus filhotes!
— Hmmmmm! Acho que está é me escondendo algo bem
valioso! — Claro que não, são apenas meus ovos! Futuras galinhas e
galos.
— Na cidade, futuras galinhas e galos nascem em chocadeiras!
Aliás, nem chegam a ser. São mortos ainda frangos.
— Pois aqui é diferente. Já criei muitos filhotes. Hoje todos grandes e vivendo por aí em outros galinheiros. Uma grande família.
— Posso esperar aqui para ver nascerem seus filhotes?
— Ainda vai demorar alguns dias...
— Que pena! Não tenho muito tempo. As férias estão
acabando... Tenho que voltar pro batente. Acho que vou ter que ver, pelo menos, os ovos...
— Não, mas veja bem, se eu me levantar, eles vão tomar ar frio e podem gorar e... (desandou a falar e falar) cocorocóóóóó-cocorocóóóóó-cocorocóóóóó-cocorocóóóó-cocorocóóóó, cocorocóóóó-cocorocóóóó-cocorocóóóó-cocorocóóóó...
A raposa olhou pro relógio e, já com os ouvidos ardendo, viu que era quase hora de saída do ônibus na rodoviária.
— Pensando melhor, acho que vou indo, estou um pouco atrasada. Felicidades pra senhora e seus futuros filhotes...
— Desejo o mesmo pra senhora na cidade e cocorocóóóó
cocorocóóóó-cocorocóóóó-cocorocóóóó-cocorocóóóó-cocorocóóó. Adeus!
Só parou de cacarejar quando teve certeza de que a raposa sumira na poeira. Aí, levantou e pegou os ovos de ouro que estava escondendo e foi ligeiro depositar no cofre forte do banco, pensando: “O campo deixou de ser lugar seguro pra se guardar bens valiosos em casa!”
Moral: Às vezes, falar é ouro.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h16
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A AGULHA E A LINHA
A agulha e a linha eram duas amigas inseparáveis. A agulha era mais independente, enquanto que a linha não fazia nada sozinha. Se tentava, maçarocava e dava nó na vida. Para andar direito tinha que ir aonde a agulha queria. E esta, em algumas ocasiões, gostava da solidão para tirar espinhos, furar bolha d’água, cutucar bicho-de-pé, etc. A linha ficava quieta, sem ação, no carretel. E a agulha, quando saía com a linha, sempre a deixava sozinha em botões ou costuras. Ela aceitava e se conformava com seu destino.
Moral: Agulha e linha sempre se perdem quando se acham na vida.
O POLÍTICO E A PROMESSA
Um ostentoso político, que estava sofrendo terrivelmente de um mal, fez promessa diante das câmaras de tevê: se se curasse levaria vida simples e se guiaria pela fé, pela esperança e pela caridade. Cinco dias depois, ele ficou bom. E esqueceu a promessa. Quando perguntaram se não sentia vergonha por tê-la quebrado, disse: — O mal terrível que me afligia era cumprir promessas.
Moral: Vento que venta aqui pode ser tufão lá.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h12
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Faça você mesmo sua cerveja! E beba... se puder!
Mais panfletagens! Hoje é o dia do panfleto. Achei num panfleto uma receita de cerveja! Seria o mesmo que achar a lâmpada de Aladim ou um diamante já lapidado no fundo do riacho cristalino. Iria ser minha vingança contra o preço da cerveja em boteco metido a sebo (desses que hoje se dizem ‘temáticos’).
Mas...
Acompanhe a receita. Gole a gole.
‘Leva-se ao fogo numa vasilha grande, aproximadamente cinco litros de água pura (sem cloro). Quando esta atingir 40 graus centígrados, adiciona-se um volume de malte equivalente a dois quilos. Deixa-se cozer nesta temperatura por quinze minutos; após esse tempo, eleva-se a temperatura até os 60 graus centígrados, permanecendo por mais quinze minutos.’
Esse primeiro parágrafo é estonteante. Como medir a temperatura da água em casa? Em caso de se conseguir, como mantê-la nos 40ºC por quinze minutos? Como elevar para 60ºC? O que é ‘volume de malte equivalente a dois quilos’?
‘Tendo terminado a Segunda etapa, eleva-se a temperatura aos 72 graus centígrados por mais quinze minutos. Ainda quente, adiciona-se um quilo de açúcar cristal, mexendo até dissolver. Depois adiciona-se um volume de lupo (somente as flores femininas) equivalente a 100 ml., deixando no fogo por uma hora a 72 graus centígrados.’
Essa fase me derrubou. Como chegar a exatamente 72ºC. e permanecer? E o tal lupo? Como escolher somente as flores femininas? Se caírem flores masculinas junto, vai feder? Elas irão atacar as femininas e começar uma suruba sem fim? Tem que usar lupa pra ver os órgãos genitais femininos do lupo?
‘Faz-se uma ‘coagem’, deixando ficar somente um caldo na cor de ‘caldo de cana’. No bagaço, (sobra da ‘coagem’), adiciona-se aproximadamente três litros de água pura para recozer a uma temperatura de 72ºC por uma hora. Coa-se e separa-se o bagaço novamente. O líquido agora conseguido, junta-se ao que primeiramente se conseguiu. Deixa-se esfriar e adiciona-se a Dextrose de Milho, cujo volume é de 200 ml. Mistura-se bem num recipiente grande (aproximadamente trinta litros) devidamente esterilizado.”
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h44
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No começo do parágrafo, já aparece mais um recipiente onde caibam 3 litros de água pura. Depois das coaduras (não encontrei coagem no dicionário), aparece mais um recipiente, agora de 30 litros! São três! Onde posso colocar tudo isso?
‘Os caldos (mostos) são depositados com mais vinte litros de água pura. Num copo, com uma colher de sopa de açúcar e mais aproximadamente 50 ml de fermento cervejeiro e o resto com um pouco do mosto até encher o copo; mistura-se bem o fermento. Após a mistura do fermento, misture tudo muito bem.’
Misturou tudo aqui. Parece que se deve pôr vinte litros de água num copo!
‘Tampe o recipiente grande, deixando sair o gás da fermentação por um tudo de borracha, cuja outra ponta estará mergulhada num vasilhame com água para borbulhar. Deixe fermentando por três dias.’
Bem, isso parece fácil. Mas como saber se todo o gás vai sair pelo tubo? Como enfiar o tubo se está tampado?
‘Após o processo de fermentação, faz-se a última ‘coagem’ da cerveja e engarrafa-se em garrafas escuras devidamente esterilizadas. Guarde essas garrafas com a cerveja que você produziu por 60 dias.’
Um mimo esse parágrafo. Com que tampa fechar as garrafas? E diz ‘guarde essas garrafas com a cerveja que você produziu por 60 dias’. Ah, pensei que era pra jogar fora!
‘Passado esse período, a cerveja pode ser consumida. Estas cervejas tem a validade de um ano.’
Tirando os erros de português, tudo bem.
‘A graduação alcoólica da cerveja caseira artesanal é normalmente o dobro das fabricadas no mercado.’
Dizer ‘cerveja caseira artesanal’ é beleza pura redundante. E não explica por que a graduação alcoólica é o dobro das ‘fabricadas no mercado’. E não explica por que as fábricas rebaixam a graduação alcoólica das nossas queridas cervejas. Pra gente beber mais? Ah, é claro que sim.
Pior de tudo, cara, é você esperar 60 dias, abrir uma garrafa e... argh! tomar um troço parecido com xixi de gato misturado com creolina.
Em todo caso, compre umas Antarcticas e espere em boa companhia.
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 16h44
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A FAMA E O MÉRITO
Certa vez, um gato se dispôs a tocaiar um rato. O gato tinha a fama de ser excelente caçador e contar, para isso, com paciência infinita, aliada à determinação total. O rato tinha o mérito de saber como enganar o caçador. Construiu sua toca com entradas e saídas falsas e outras bem escondidas. O gato não desistia e, à medida que o tempo passava, ia imaginando as estratégias do rato. Com isso, sua fama perante os outros animais crescia. O rato, por sua vez, levava vida normal. Saía de casa por um buraco, voltava por outro bem diferente. Não deixando nunca de levar comida e conforto para a ninhada. Estão assim até hoje. O gato cada vez mais famoso pela paciência e o rato cheio dos méritos por sua habilidade de escapar às garras do predador.
Moral: Quem cai nas garras da fama, nem sempre alcança o mérito.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h16
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O MONGE E A VIDA MODERNA
Dizem que o monge, morando lá no alto de mais alta montanha, viveu por 30 anos meditando. Levava vida austera e solitária. E ficava semanas a fio sentado no chão, sobre as pernas. Seu pensamento percorria os mais distantes redutos da alma humana. O silêncio era sua única companhia. A meditação, finalmente, abriu todas as portas da percepção e ele obteve a sonhada iluminação. Fraco, abatido, cabelos desgrenhados, barba imensa e suja, com todos os ossos furando a pele, ele queria chamar alguém para contar sobre o fenômeno que encheu seu coração de uma luz magnífica. Arrastou-se até a porta, a custo alcançou a maçaneta e abriu. Lá fora centenas de pessoas aglomeravam-se – orando em torno de dezenas de velas acesas, comendo em carrinhos de cachorro quente, acampadas em barracas, escutando música em porta-malas abertos de carros, jogando cartas, bebendo, etc. A aparição do monge, como que por encanto, atraiu todos os olhares. E o silêncio reinou absoluto. O monge, com voz sumida pela falta de uso, falou: — Aquele que... (sua voz falseava, ficava ininteligível e voltava) e tudo o que tiver que acontecer... (a voz sumia de novo e voltava) e nada melhor do que o silêncio... (fechou a porta e se arrastou para a posição de meditação). Trinta livros foram escritos a partir dessas palavras. Dez CDs foram gravados com repetição infinita das palavras. Um mantra foi composto e cantado ad nauseam. Foi fundada a religião Salvação pelo silêncio, cujo dogma era ‘o silêncio é fiel’. E venderam três milhões de bonecos que falavam as frases exatamente como foram ditas. Quarenta psicólogos reuniram-se e fizeram estudo das palavras de acordo com a posição de grandes filósofos. E uma mulher na Holanda começou a ter visões que mostravam o monge apontando, sem nada falar, para ela como santa e curandeira.
Moral: Qualquer coisa que se ouça tem a importância que se quiser dar.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h14
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UM DEUS E O DIABO
Um Deus antigo chamado Ogyrvan estava muito desgostoso, sentado na mais alta nuvem. Sentia-se muito mal por não gozar de mais nenhuma notoriedade e não ter legião de adoradores em volta. Seu reino resumia-se a uma nuvem com cinco anjos cegos que tocavam harpa. Lembrava-se do tempo em que vociferava contra infiéis, em que provocava terremotos, maremotos e furacões, em que exigia sacrifícios de mocinhas virginais, em que concedia perdão em troca de oferendas, em que mandava os mais terríveis castigos contra incautos humanos. Quantas cidades queimadas em seu nome, quantas famílias arruinadas, quantos sólidos e belos templos erigidos em seu louvor, quantos sacerdotes, bispos, arcebispos, quanta Fé! Hoje, o que resta? A vaporosa nuvem e uns anjos cegos tocando música de mau gosto. Via, do seu ostracismo, dezenas de nuvens onde outros deuses estavam confinados e aposentados: Lagas, Assur, Amon-Ra, Dea Dia, Marduk, Zagaga, Ubilulu, Marzin, Huitzilopochtli, Iuno Lucina, Qarradu, entre outros. Todos sem função, sem força, sem seguidores. “Ah, que vontade exercer de novo o Poder pleno, a onipresença, a onisciência! Não é justo, por exemplo, que o Diabo seja o mesmo há tanto tempo. Nem envelheceu!” Enquanto divagava, foi até a beira da nuvem e fez xixi. O Diabo, que inspecionava os círculos do Inferno, sentiu o líquido quente caindo na cabeça. “Derde! Esses deuses aposentados, além de relegados ao esquecimento, fazem xixi fora do penico!” E mandou língua de fogo de enxofre para incendiar a nuvem. Caiu chuva ácida. E os humanos amaldiçoaram os Céus.
Moral: Deus morto, Diabo posto.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h09
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ESTA PÁGINA EXPIROU... EXPIROU SEM NENHUM SUSPIRO AUDÍVEL, SEM AQUELES SUSSURROS DOS FILMES DE BERGMAN, SEM LUTAR POR MAIS AR. EXPIROU POR EXPIRAR, NATURALMENTE. FOI INDO ATÉ O LIMBO, LAMBENDO AS PAREDES MUSGOSAS. LIMBOLAMBENDO. E PENETROU NAS TREVAS ONDE SE ENCONTRAM TODOS OS QUE EXPIRAM. AGORA REINA RAINHA DAS TREVAS, CAVERNOSAMENTE ENTREVADA. ESTA PÁGINA EXPIROU. EM ESPIRAL. ESPIRALANDO ESTRELOU EXTASIOU ESTRIDULOU EXAURIU ESTRUMBICOU ESTRALOU ESPIRROU EXPIROU.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 14h04
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BICHOS QUE DÃO Z///E///B///R///AA/ ///////////
Elefante tomando dose cavalar de remédio. Jacaré com dor no olho de peixe. Casal de pombos voltando à vaca fria. Manada de bisões dando com os burros n’água. Hipopótamo fazendo macaquices. Formiga dando abraço de urso. Leão lagarteando ao sol. Cachorro muito burro. Boi camelando. Búfalo que ficou uma arara. Besouro chupim. Rinoceronte muito galinha. Tartaruga com bicho- carpinteiro. Hiena que é uma anta. Besouro que é um cavalo de forte. Onça pintada levantando a lebre. Tico-tico com fome de leão. Girafa peruando no jogo de cartas. Lhama caçando borboleta. Castor que não dá um pio. Galinha sapeando a conversa. Dromedário com minhoca na cabeça. Foca com olhos de águia ou de lince. Mosquito comendo mosca. Orangotango com elefantíase. Coelho que é uma víbora. Codorna no bico do corvo. Lacraia muito ouriçada. Cobra que é uma toupeira. Tigre fazendo papagaiada. Baleia que não vale um caracol. Morsa com idéias de jerico. Gambá que é uma onça de brabo. Golfinho chorando feito bezerro desmamado. Cisne fazendo boca-de-siri. Canguru que viu passarinho verde. Leopardo com bicho-preguiça. Gato chorando lágrimas de crocodilo. Avestruz fazendo cachorrada. Doninha que não tem nada a ver com o peixe. Saracura muito perua. Esquilo rogando praga de urubu. Camaleão se pavoneando. Periquito fazendo porcaria. Peixe que é o lobo do peixe. Corça toda empombada. Carneiro que é uma cavalgadura. Coruja feito barata tonta. Antílope engolindo sapo. Panda que é um elefante branco. Cabra com a perna formigando. Lagarto bêbado como um gambá. Ariranha fazendo asneiras. Aranha bestando. Crocodilo que é arraia-miúda. Porca com pés-de-galinha. Gnu veado. Jaburu com olhar de peixe morto. Sapo jiboiando depois do almoço. Tamanduá borboleteando. Esquilo cantando de galo. Cigarra abelhuda. Bode molhado como um pinto. Urubu matando cachorro a grito. Leão-marinho com lábios leporinos. Pombo em palpos de aranha. Caranguejo que é rato-de-praia. Gafanhoto que é um paquiderme. Ganso que é um mosca-morta. Pelicano encorujado. Capivara com grilo na cuca. Lagartixa amarrando o burro. Porco-espinho pulando que nem cabrito. Nambu mosqueando. Corvo lesma lerda. Gazela dizendo cobras e lagartos pro macho. Coati atucanando a vida do outro. Marimbondo muito jacu. Lagosta muito gatinha. Cavalo muito gavião. Galinha d’angola feia que é um dragão. Touro que caiu como um patinho. Leoa que é uma pantera. Sabiá que é um rato de biblioteca. Louva-a-deus todo emperiquitado. Fuinha nadando cachorrinho. Raposa corujando o filhote. Pavão que levou chifre. Polvo passarinhando. Cabra ouriçada. Pingüim morcegueando. Arara que é um bagre ensaboado. Tatu muito avacalhado. Camelo de bode. Rato que é ovelha negra da família. Tubarão pagando mico. Galo glutão. Zebra que não deu zebra.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h43
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O repouso da raposa
A astúcia é o repouso da raposa. Fique em paz com todas as mulheres. Nunca brigue com nenhum homem. O inverso é que é meio difícil. Universo é o ser humano elevado à potência zero. Devagar também se vai mais perto. Não é a cor dos olhos que faz o mundo colorido. Acho que a sinceridade é a maior burrice. Mas não me pergunte se estou sendo sincero ao dizer isso. Sinceridade é igual canja de hospital. Faz bem, mas não é garantia de cura pro doente. Liberdade?/Quando muito/ leiberdade. Quando eu era guri e lia gibi de faroeste, achava que rene-gado era tradução pra cowboy. Quando um não quer, dois pegam na marra. Conhecimento é tudo. Reconhecimento são outros quinhentos... anos. Não há nada culturalmente popular e simples que não possa ser truncado em linguagem acadêmica.
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h40
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Juízo Final
Depois que me for, vão me julgar?
Além da boa vida de morto, que mais podem me tirar?
Celebridades
Antigamente se lia romance policial.
Hoje é caso de polícia qualquer romance que sai no jornal.
Geometria irada
Infinito é aquele lugar cujo centro está em toda parte e nas fronteiras não dá pra chegar.
Pontos e vírgulas
Há uma discordância infinita nos nossos pontos de vista.
E pra cada ponto tem ainda mil vírgulas em outra lista.
Juízo Final II
E se em vez de ser pro Além, errarem na minha passagem e me embarcarem pro Aquém?
Modus vivendi
Você traça paralelos, depois sai pela tangente.
Se vai reto e incisivo só tem arestas pela frente.
Ouflato
São quase dez mil cheiros
que um ser humano sente.
Mas basta apenas um pum
pra espantar milhão de gente.
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h04
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Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h17
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Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada. Hoje vi que este humilde blog já está em oitavo lugar no BLOGSTARS, entre os que são do UOL. E faltam dezessete posições pra chegar na primeira página geral. É só votar, gente! Uma brincadeira, certo. Mas, um desafio, também.
Vamos lá, vote e peça pra amigos votarem
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 09h56
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Escutando Philip Glass e Ravi Shankar, do filme Passages.
  
Aquela música que vai enredando tudo. Vai, vai sem sair do lugar. Sem dar voltas. Assim sinto o que acontece hoje. Vai, vai sem sair do lugar. E sem dar voltas. A cítara cria clima exótico, entram flautas flutuantes. Sempre e sempre envolvendo. Não sei onde estou. Selva, deserto, campo, templo. Violinos esfregantes. Cítaras um pouco soluçantes. Terça-feira, quase fim da tarde, nem sei a cor do céu. Passei o dia aqui dentro. Atabaques frenéticos, talvez dançantes. Oriente à frente. Nada de jobs. Nenhum morto, nem ferido. Por sorte, sem calor. Tomando gotinhas homeopáticas de Kali bich. pra sinusite. Traduzindo um Bukowski comprido e cheio das baixarias que foi a vida dele. Poema-confissão? Ah, não. Mas traduzi um pouco pra levar a tarde a bom termo. E parei porque a cabeça estava recusando. A vida do Bukowski ele contou, recontou, recitou, filmou. Uma coisa que ia, ia e nunca ia. Sem dar voltas. Cerveja, mulheres, cavalos de corrida. Escrevia legal. Tipo texto leve-pesado. Contando tragédias pessoais com frases rápidas, adjetivos em profusão. Diálogos atravessados.A música ainda vai, vai e insiste. Lembra o filme Qoyaaniskatsi (?). Desse jeito. A noite chega mais depressa. O outono entrou na onda. E faz valer sua vontade de esfriar a noite. Trouxe um chocolate que ganhei da Célia. Escuro, crocante com flocos. Depois vou devorar um pedaço. Calma. Antes traduzi um gostoso e. e. cummings. E as treze maneiras de se olhar um pássaro preto, do Wallace Stevens. Acho sensacional esse poema. Nada do ilustre governador nos pagar. Estamos à deriva, sem sortimentos e sem água no barco. Os tubarões rondam ávidos por carne fresca. Se bem que quando nos alcançarem já estaremos cheirando mal. Com música fúnebre que vai, vai, vai e não chega nunca. Sem dar voltas. Só enredando e indo, indo, indo.
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 18h06
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tô que tô
tô na raspa do tacho bem raso
tô no bico do corvo mais faminto
tô com corda nova no velho pescoço
tô no fundo imundo do poço
tô matando cachorro brabo a débil grito
tô vendendo
o almoço pra ficar sem janta tô cutucando onça calejada com vara curta
tô fazendo das tripas coração machucado
tô comendo pão velho que o diabo refugou
tô vendo lá no futuro o tempo que já passou
W,
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 15h02
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Treze maneiras de olhar o pássaro preto
I
Entre vinte montanhas nevadas,
O único movimento
Era o olho do pássaro preto.
II
Eu tinha três pensamentos,
Como uma árvore
Onde tem três pássaros pretos.
III
O pássaro preto rodopiava no vento outonal.
Era pequena parte da pantomima.
IV
Um homem e uma mulher
São um.
Um homem e uma mulher e o pássaro preto
São um.
V
Não sei o que preferir,
A beleza das inflexões
Ou a beleza das insinuações,
O canto do pássaro preto
Ou logo depois.
VI
Pingente de gelo na janela
Com vidro rudimentar.
A sombra do pássaro preto
Cruzou pra lá pra cá.
O jeito
Traçou na sombra Um indecifrável motivo.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h56
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VII
Oh, magro homem de Haddam,
Por que imagina pássaros dourados?
Não vê como o pássaro preto
Anda ao redor dos pés das mulheres perto de você?
VIII
Sei nobres pronúncias
E lúcidos, inevitáveis ritmos;
Mas sei, também, Que o pássaro preto está No que sei.
IX
Quando o pássaro preto voava longe, Marcou a margem De um de muitos círculos.
X
Na aparição dos pássaros pretos Voando na luz verde, Até a indecência da melodia Estacou bruscamente.
XI
Ele atravessava Connecticut
Numa carruagem de vidro.
De súbito, o medo colou nele,
Quando confundiu
A sombra da tripulação
Com pássaros pretos.
XII
O rio está se movendo.
O pássaro preto tem que estar voando.
XIII
Entardecia de vez a tarde.
Estava nevando E ia continuar a nevar.
O pássaro preto pousou
Nos galhos do cedro.
Wallace Stevens (American Modernist Poet - October 2, 1879 – August 2, 1955)
(tradução Werneck) OS. Traduzi blackbird pra pássaro preto e não pra melro por causa do som.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 13h56
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posso disse ele
posso disse ele
(grito disse ela
uma vez disse ele)
que graça disse ela
toco disse ele
quanto disse ela
muito disse ele
por que não disse ela
vamos disse ele
não longe disse ela
o que é longe disse ele
onde cê tá disse ela
fico disse ele
(como disse ela
assim disse ele
se beijar disse ela
aciono disse ele
é amor disse ela)
tá desejando disse ele
(tá matando disse ela
é a vida disse ele
e sua mulher disse ela
agora disse ele
oh disse ela
supimpa disse ele
não pare disse ela
oh não disse ele
devagar disse ela
(cocomo? disse ele
hummm disse ela
divina disse ele
cê é meu disse ela)
e.e.cummings
(tradução Werneck)
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 12h12
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 Às vezes, acho que sei, mas não sei. Ninguém dá bola pras minhas traduções. Desconfio que é porque coloquei 'tradução livre'. Os leitores devem pensar que estou forjando, falseando ou não fazendo o certo. Mas, digo de coração, toda tradução é livre, principalmente, de poemas. É preciso sentir o clima, as correlações, a vibração do poema. Tudo bem. O leitor tem sempre razão.
W.
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h37
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LAFORGUE LOGOPÉICO
Logopéia é a dança do intelecto entre palavras. A linguagem feito água corrente coloquialmente correndo. Talvez uma risada submarina, dedos das ondas e outras imagens distorcidas pelas palavras aliviadas do sentido dicionaresco. Agora é tarde, Laforgue se foi cedo. Se veio num agosto, foi noutro, cheio de desgosto. De 1860 a 1887 já estava morrendo jovem, triste e pobre. Pai da Logopéia, deixou poetas órfãos. Montevidéu, Tarbes, Paris, Alemanha e a estrada chegou ao fim. “Pálido mandarim’ de Erza Pound e talvez o mais sofisticado poeta francês. Laforgue foi à forra com 311 poemas e a mulher. Traduzir, quem haveria? Translúcido, tento. Mas demoro e me perco no infinito em festas.
Mediocridade
No infinito repleto de eternos esplendores,
Perdido átomo, incomum, solitário,
Em qualquer dia considerado, o torrão chamado Terra
Voa com seus parasitas às vastas profundezas.
Seus filhos, pálidos, febris, sob o flagelo do trabalho,
Marcham, desligados do imenso mistério,
E quando vêem passar um dos seus que outros enterram,
Saúdam, e não são ouriçados por estupores.
A maior parte vive e morre sem pressentir a história
Do mundo, sua miséria em eterna glória,
Sua futura agonia ao sol moribundo.
Vertigens do universo, céus infinitamente em festa!
Nada, irão sem nada. Até mesmo partirão sem
Nem sequer visitar seu planeta.
Jules Laforgue
(Tradução livre Werneck)
Escrito por Rui Werneck de Capistrano ?s 11h21
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